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A Terra que nos Nutre

Enviado em 07/08/2012 (1412 leituras)

Algumas vezes em minha vida, ainda curta nessa 'encarnação', escutei histórias de indivíduos que participaram de certos segmentos religiosos e, por algum motivo pessoal, se desmembraram dele e aconteceu um caos na vida, algo “muito ruim”. Quando comecei a estudar e praticar o druidismo, as pessoas ao meu redor diziam para eu tomar cuidado, pois um dia isso poderia me acontecer. Será, somente, mais uma tentativa de um mundo frustrado colocando medo em nossos propósitos ou há nessas frases algum tom de verdade? Justamente, a isso, refleti e compartilho nesta conversa.

Somos formados de um corpo e uma alma. Pelo que venho estudando em xamanismo, corpo e alma não se separam, estão conectados, sempre. A passagem de um inclui algo a sofrer no outro, seja positivo ou negativo. Tudo que o corpo experimenta reflete na alma e vice-versa.

Nós também somos formados de uma mente. A mente é o discernimento, aquela que escolhe e diz o que a alma e o corpo devem ou desejam experimentar ou ainda o que podem suportar. Entretanto, sabemos que hoje, com o maniqueísmo doentio, fomos capazes de separar o corpo da alma em nossos discursos e usufruir pouco da mente para isso.

Tenho observado que as pessoas estão ao mesmo tempo batendo tambor, dançando a 'macumba', rezando para o santo, tomando passe, fazendo descarrego, lendo tarot, meditando com Buda, sendo exótico-esotéricas e dizendo que não acreditam em nada. Para muitos, se mostra como um reflexo de um mundo pós-moderno e diverso. Eu não sou uma dessas pessoas. Em minha opinião isso está soando extremamente negativo para a espiritualidade. A Alma está sendo tratada como uma mercadoria, uma matéria que pode ser vendida, seguindo a mínima qualidade, que a qualquer momento pode estragar e você vai jogar no lixo.

Já é de se espantar saber, através das imagens que somos submetidos todos os dias na mídia e no discurso real da vida, de estereótipos, rótulos e pré-conceitos e como nosso Corpo está sendo (mal) tratado. E, se a Alma também é um reflexo do Corpo, está ai a explicação para a industrialização da espiritualidade.

Retornando a nossa pergunta: Será que ao fazermos tantas transições religiosas nós não sofremos coisas ruins? Eu digo que sofremos sempre, positiva ou negativamente, quando estamos praticando algo. Isso não é diferente com espiritualidade.

Para explicar melhor, vou usufruir da metáfora das árvores, como bom druida.

Iremos neste instante imaginar que somos árvores, formados de copa, tronco e raiz. Existem muitas espécies de árvores, não é? Cada um de nós é uma espécie determinada, ou seja, a nossa identidade e destino. Existem muitos tipos de solos também. E somente germinamos ou continuamos vivos no solo onde há os nutrientes que nos alimentam.

Se eu podar a copa, a árvore não morre. Na maioria das vezes, ela cresce muito mais bela. Se eu for mais violento e cerrar o tronco, com certeza a árvore, que aqui representa o nosso ser (Corpo, Mente e Alma), irá perder o seu equilíbrio natural, mas ainda pode se regenerar com algum dano e crescer novamente. Contudo, todos concordarão que quando eu cortar a Raiz, a árvore irá morrer de fome e cede.

Pode não ter ficado claro ainda. Menos analogias druídicas e mais objetividade. Se você transita de religião em religião, crença para outra, filosofia para filosofia, você estará arrancando as suas antigas raízes, que demoraram em se fincar em um solo e estará se colocando em outro bosque. Ao cortar a raiz, principalmente de forma brusca, você sofrerá. E como as pessoas normalmente não compreendem um desligamento, dizem que você está sofrendo uma resposta do universo pelo que fez, em trair certa tradição, espírito, deus ou religioso.

Não digo que estudar vários mestres e suas ideias, saber um pouco sobre o outro e conhecer através de livros e outros materiais informativos de religiões diversificadas seja algo errado. Quem sou eu para julgar o que é ou não é? Somente estou tentando refletir um conselho, porque o Corpo e a Alma são de cada um. Em minha opinião, conhecer o que o outro acredita e tem esperança, é uma forma de respeito e comprometimento, além de enriquecer a sua mente.

Nós pagãos, assim como outras religiões, temos nossos ritos litúrgicos e sazonais, além de alguns rituais individuais. Um ritual é uma (re) ligação ou, como muitos preferem o "religare". Quando você se mantém naquela crença, religião ou filosofia se enraíza e conecta-se naquela energia vital. O importante é encontrar o solo em que sua semente irá germinar e não se prender ao que os outros dizem. E não obstante, muito mais relevante que isso é manter-se enraizado na terra que escolheu. Ou por acaso você, como uma árvore, pode germinar em todos os habitats do mundo, até no deserto?

Quando invocamos a energia dos rituais ancestrais celtas, nórdicos, xamânicos ou em simples orações, estamos nos conectando cada vez mais a algo. Por isso é um "religare". Não se pode ligar a tudo, como não se agrada a todos. Logo, por favor, escolha entre o caldeirão, a cruz, o santo ou as mandalas. Você tem a liberdade de caminhar por entre todas as religiões no intuito de escolher o solo mais fértil para si. Porém, enquanto não se enraizar, não irá crescer.

Ir ao Ritual, a Missa, ao Culto, ao Centro e outros lugares, é um privilégio que temos. Então, não usufruamos de forma errada. Quando escolhermos aonde nossa semente vai se desenvolver bonita e saudável, finquemos nossos pés. E quando achar o chão certo para você, siga com fé e deixe os outros seguirem os seus.

As pessoas que me contaram as histórias de outras que tiveram muitas tristezas por praticarem algum segmento, estavam desinformadas sobre o significado da conexão com o que nutri Alma e Corpo. Elas tiveram sofrimentos porque não souberam agradecer com a alma e foram de encontro com uma nova energia, cortando o antigo poder. Todos sabem que o universo surgiu do encontro de duas energias e conhecemos brevemente também o caos, que segundos após a explosão, o universo sofreu. Nunca esqueça que o caos é um momento de cura. Somos formados pelas mesmas energias do universo e devemos ter cuidado ao nos separar de um poder e aceitar outro em nossa vida (Alma e Corpo).

Escolher é um dom, deve ser feito com apreço. As escolhas definirão o que sofreremos no final do ciclo. Há alguma receita para apaziguarmos os deuses? Sempre existe. Curar e unir corpo e alma ao discernimento da mente é um deles. A transição paciente é outro. Uma árvore pode ser retirada de um lugar, com raiz, tronco e copa, com cautela e ser plantada em outro lugar, sem agonizar na seca. Quando for do desejo da Alma transcender a outro "religare", o Corpo deve ser preparado aos poucos para não tomar um impacto tão rápido. Faça a transição com cuidado, agradecendo a energia que te nutriu antes e apresentando-se com humildade e respeito à nova que quer agregar a sua vida. Lembre-se, a transição é um processo. Tenha paciência.

Mas eu digo, o essencial é tentar manter-se com as raízes profundas, pois assim nenhuma tempestade poderá derrubar-nos da Terra que nos Nutre.

/|\ Awen

Druida do Vento
Eu sou um jovem druida, andarilho de um velho caminho, que vive em um vale, entre os bosques retorcidos e pântanos mágicos. Escrevo o que é despertado pela Awen.

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