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Terena e seus conhecimentos - Parte 2

Enviado em 26/11/2012 (2292 leituras)

Xamanismo e Mitologia

Koixomuneti é como na língua tradicional é denominado o xamã Terena. Tendo outros nomes agregados a sua pessoa, como pajé, padre, curandeiro, purungueiro, entre outros, ele é o responsável pelo bem estar espiritual e representa a liderança religiosa na aldeia. Homens e mulheres, sem distinção, podem ser treinados para o ofício, desde que possuam ou despertem o dom. Normalmente é uma função hereditária, como a do Unati-Chané, mas outros podem ser escolhidos, desde que tenham o dom e permissão para tal. É necessário também aceitar o caminho de Koixomuneti, que para alguns é assustador. O dom normalmente é demonstrado por manifestações espirituais ou o próprio xamã sonha ou prevê quem ele ensinará.

O Sol e a Lua são elementos importantes dentro das práticas de cura e limpeza. O Koixomuneti dança em volta do paciente olhando para o Sol. Usufruem de ervas medicinais, do qual fazem infusões ou chamadas garrafadas. O fumo tem papel importante para fortalecer o enfermo. Eles ocupam um lugar de respeito dentro da sociedade, inclusive pelos chefes, que acatam suas profecias.

Os principais objetos mágicos são a Purunga ou Itaaká, que é uma maracá feita de cabaça e sementes e o Kipahê, um penacho feito de penas de Ema. O xamã trata do corpo e da alma ao mesmo tempo, pois segundo suas crenças, os dois estão unidos e a doença é um desequilíbrio. Ele age a partir do Espírito Guia ou Companheiro, o Koipihapati, que foi um Koixomuneti ancestral de grande prestígio.

O Oheokoti é o principal ritual, feito entre os meses de Abril e Maio, quando o inverno dá seus primeiros sinais e as colheitas se findam. Os xamãs se reunem para uma jornada entre “os quatro cantos do mundo”, onde cantam e dançam para o espírito da Terra e o Koipihapati, em agradecimento. Eles se reunem no Rancho, local feito com quatro varas de bambu fincadas no chão e uma cobertura de folhagens de palmeiras. Cada pilastra de bambu representa uma direção que é saudada no ritual.

A roupagem tradicional do xamã é uma saia de algodão e um cinto, com o dorso e tórax descobertos. A Chichi era a bebida sagrada, feita de mel e milho, porém por conta de não se produzir mais, se usa a Pinga. No transe buscam respostas, interpretam as estrelas e os sinais da natureza como augúrios.

O mundo onírico é muito importante para o xamã. E por onde ele, assim como todos, entram ou viajam para o mundo espiritual, endo uma das causas para doenças a perda da alma nesses mundos desconhecidos (o susto). O corpo também pode sofrer com o excesso de alguma substância, como o sal ou a carne. Para isso é necessário abster-se de certos alimentos, pois se pode sofrer a vingança do espírito do animal. Os Koixomuneti também praticam jejuns, além de ter um tabu com certos animais especiais. Diz-se que o Koixomuneti tem “pacto com bichos”, e que pode se transformar em animais.

Dentro da Mitologia, uma das entidades mais importantes é o Yurikayuvakai. Ele é um Deus-Herói duplo facetado, que quando criança foi divido em dois por sua mãe. Foi Yurikayuvakai que retirou a humanidade do brejo. Ele foi sinalizado pelo Bem-te-vi, que representa os partos e nascimentos. Após os animais ensinarem a fala e o riso à humanidade, ele percebeu que havia muitos povos e dividiu o mundo e as habilidades para cada um deles. Ensinou os Terena a agricultura e a cerâmica.

Outro deus é uma serpente, o Vanuno. Ele é o senhor do reino das águas (rios, chuvas, lagoas, etc.). Os Koixomuneti têm grande respeito por essa entidade. Ele causou um dilúvio que fez brotar peixe do chão. Ele é uma cascavel, seu corpo é o desenho que o raio faz no céu tempestuoso e o trovão é o chocalho. Itokociche é o Deus-Celeste, regente das estrelas, quem controla o dia e a noite e sua morada é o céu. Yanakalú é o deus que vem no Oheokoti junto dos mortos, batendo de porta em porta com um bastão.

Além destes, há monstros mitológicos. O Bicho, o Haad e o Bomboome que atormentavam os Terena por serem antropófagos. Temos também os Toqueore, porcos-espinho incandecentes, antigos donos do fogo, tentaram cortar as Raizes do Céu, porém falharam. Os animais, como o Coelho que trouxe o fogo e o Sapinho Vermelho que trouxe a fala, também são sagrados. A Ema é um dos animais mais sacros, sendo a reaparição da Constelação da Ema (Escorpião e Cruzeiro do Sul) o início do Oheokoti. Diz-se que no fim dos tempos ela cairá do céu, ciscará e comerá a humanidade.

Leia também: Terena e seus conhecimentos - Parte 1

Curta-Metragem da Dança da Ema
Vídeo: Kohixoti Kipaé – Dança da Ema.



Referências:

MARTINS, Gilson Rodolfo. Breve Painel Etno-Histórico de Mato Grosso do Sul. 2° Ed. Campo Grande, MS: Ed. UFMS, 2002. 100 p.

VARGAS, Icléia Albuquerque de. Os Terena da Aldeia Buriti: Saberes e Fazeres. Campo Grande, MS: Ed. Oeste, 2011. 48p.

CUNHA, Fátima Cristina Ferreira. Caminhando pelo mundo: Mitologia Terena. Ilustração de Roberto Motta. Campo Grande, MS: ed. UFMS, 2010. 24 p. : Il. color. ; 21cm. Texto em português, terena, inglês, espanhol.

CUNHA, Fátima Cristina Ferreira. Caminhando pelo mundo: Mitologia Terena – O Ciclo dos Terena. Ilustração de Roberto Motta. Campo Grande, MS: ed. UFMS, 2010. 44 p. : Il. color. ; 21cm. Texto em português, terena, inglês, espanhol e francês.

BALDUS, Herbert. Lendas dos Índios Tereno. Revista do Museu Paulista, Nova Série, Vol. IV, São Paulo, 1950, p. 218-221.

SOUZA, Sandra Cristina de. Os Koixomuneti e a Religiosidade Terena.

CARVALHO, Fernanda. Koixomuneti e outros curadores: xamanismo e práticas de cura entre os Terena. São Paulo: Terceira Margem, 2008, 184p.

BITTENCOURT, Circe Maria& LADEIRA, Maria Elisa. A história do Povo Terena. Brasília: MEC, 2000. 156 p.

CASTILHO, Maria Augusta de. Laboratório de História (LABHIS) – Campo Grande: UCDB, 2009. 40p.

OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. Do Índio ao Bugre: o processo de assimilação dos Terena. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976. 149p.

Sites:

- Povos Indígenas do Brasil - http://pib.socioambiental.org/pt

- Conselho Missionário Indígena - http://www.cimi.org.br/site/pt-br/

- Museu do Índio FUNAI - http://www.museudoindio.org.br/

- Museu das Culturas Dom Bosco - http://www.mcdb.org.br/

- MuArq - http://muarq.ufms.br/site/

- Santuário dos Pajés - http://www.santuariodospajes.blogspot.com.br/

- Teko Arandu - http://www.tekoarandu.org/

- Associação dos Povos Indígenas do Brasil - http://www.apib.org.br/

- Iandé Casa das Culturas Indígenas - http://www.iande.art.br/

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Druida do Vento
Eu sou um jovem druida, andarilho de um velho caminho, que vive em um vale, entre os bosques retorcidos e pântanos mágicos. Escrevo o que é despertado pela Awen.

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