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Lughnasadh - Por Iain MacAnTsaoir

Enviado em 14/01/2013 (2275 leituras)

Esse festival se chama Lughnasadh na Irlanda e Lunasa em Alba. Nós podemos encontrar o festival de Lugh desde os Pretani (Celtas bretãos). Dentre esses primos seu nome era Llew. Ele é o filho de Arianhod e Gwydion. Quando Arianhod dava a luz a ele, Llew foi levado por seu pai, que também era seu tio, e criado por ele.

Pelas antigas tradições existem determinadas coisas que só podem ser dadas pela mãe. Uma dessas coisas é o nome e Arianhod se recusou a fazê-lo quando Gwydion o trouxe a ela. Ela disse: "- Porque você prolonga minha vergonha? Ele não terá nome até que eu dê um a ele". No dia seguinte, Llew estava se exercitando quando Arianhod observou: "- O justo tem uma mão cheia de habilidades", que é o significado de seu nome dentre os bretões Ela ficou totalmente branca por ter sido pega numa charada. Então, ela jurou que ele jamais teria armas senão pelas mãos dela, pois essa é a segunda coisa que se ganha da mãe.

Gwydion começou a planejar um modo de reverter esse problema e resolveu apresentar Llew como um campeão precisando de armas. Só após presenteá-lo é que ela percebeu quem ele era. Ela então, jurou que ele não teria esposa alguma pois, essa era a última benção dada por uma mãe. De qualquer modo, pelo trabalho de Math, Gwydion criou uma mulher feita de bolotas de carvalho, gesta e erva-doce. Ela foi nomeada Blodeuwydd que significa "rosto de flor".

Llew chegou aos gaélicos logo após a "Segunda Batalha de Maig Tuired". Nós o conhecemos como Lugh. A história conta como ele chegou aos Tuatha de Danaan, que eram liderados por Dagda. Ele se apresentou como ajuda na futura batalha contra os Fomoire. E lhe perguntaram várias vezes sobre as suas habilidades, para cada pergunta, ele respondia sim e era informado de que alguém nos Tuatha de Danaan já tinha essa habilidade. Por fim, ele quebrou o interrogatório perguntando quem dentre os Tuatha possuía todas essas habilidades ao mesmo tempo, como ele as tinha. Ninguém possuía. Então, ele não só foi admitido na companhia dos Tuatha como também recebeu o título de "Il Danach" que mostra que ele possui todas as habilidades.

Quando a tal batalha, finalmente, aconteceu e os guerreiros Tuatha de Dannan encontraram os guerreiros Fomoire no campo de honra, Lugh se manteve bem longe da cena. Ele contrariou os desejos de Dagda e entrou na batalha. A luta estava difícil para os Tuatha apesar das armas de Goiban¹ se consertarem e da cura de Dianecht levar os feridos de volta a batalha.

Lugh certamente salvou o dia, por ter arrancado o olho de Balor antes que ele fizesse mais estragos. Apesar da ajuda de Lugh, os Tuatha sofreram perdas com a morte de Nuada e outros. Lugh permaneceu na companhia do Tuatha.

Lugh, feriu-se no dia que leva seu nome Lughnasadh. Sua morte, contudo, veio a acontecer nos 3 dias que antecedem o Samhain, quando morreu nas mãos de Tanist, que era o Senhor da Desordem.

Deixe me esclarecer o que tende a ser confuso nesse tópico. Em Lughnasadh, o deus da Luz não é morto. Estudando esse conto nós descobrimos que é a força do crescimento que é tirada Dele. Essa mutilação aconteceu sendo o rei, amarrado pelo cabelo a um carvalho com um pé no caldeirão (representando o Oeste) e seu outro pé nas costas de um cavalo ou em alguns casos uma porca (ambos representam o Sul e são ícones da Deusa da Soberania).

O cavalo ou a porca então eram espantados causando a mutilação de modo que sua fertilidade era destruída, mas não sua vida. Sua vida não foi tirada antes dos três dias que antecedem Samhain, quando Tanist, o atormentado Senhor da Desordem, começou seu reinado. O que parece ser um ato de traição à Senhora da Soberania é de fato um ato de amor.

*Tanist: aparentemente o herdeiro de um ancião chefe celta, eleito durante a vida do chefe.

Através da semente de Tanist, de quem Ele descende, ele renasceu e cresceu para se tornar o assassino de seu rival no momento de Beltaine. Então, a roda gira.

Dentre os escritores que tratam dos celtas, existe uma propensão a negar que o Rei Sagrado fazia parte da cultura geral dos celtas ainda que estudiosos tenham provado que era assim, inclusive dentre os celtas da Gália. Grande parte da tradição mostra isso para quem o quiser ver sem noções pré-concebidas. Dentre a tradição que tem o Deus da Luz que foi mutilado por uma porca ou cavalo, nós vemos esses elementos.

Na Idade do Bronze e Ferro antiga, era a tradição que o Rei Sagrado, descendente dos reis nobres era eleito para servir por um determinado tempo que variava de um ano e um dia a cinco ou até sete, nove anos dependendo da localidade. Na primeira fase Idade do Bronze e anteriormente, o Rei Sagrado era muito sacrificado. Na Idade do Bronze tardia o sacrifício do Rei Sagrado foi substituído pelo exílio do Rei. O Rei incorporava a fertilidade da terra, que vinha de seu casamento com a Deusa da Soberania. Essa fertilidade, às vezes, tinha de ser interrompida para permitir que a maturidade acontecesse.

Esse tema é presente em todas em todas as lendas celtas. Tempos depois essas práticas foram se extinguindo e a festa de Lughnasadh foi instituída como dita pelo próprio Lugh, pela honra de sua mãe adotiva Tailltu.

Lughnasadh é conhecido por ser decretado por Lugh e de qualquer forma, esse festival de colheita, que era comumente dedicado à Lugh muitas vezes foi dedicado à sua mãe adotiva Tailltu. Existe uma evidência que Lugh andou com os sapatos que um dia foram calçados por Trograinn, filho de Griann, nas áreas em que eles eram venerados.

A data da celebração é aproximadamente 1º de agosto. Nessas áreas onde Trograinn era venerado, o festival foi chamado de Bron Trograinn (A Fúria de Trograinn). Lughnasadh parece ter se sobreposto ao festival de qualquer maneira.

Nessa hora os guerreiros voltam para o campo de batalha para começar a colheita da safra. Nessa época, feiras eram feitas. Tradicionalmente, essa também era a época quando casamentos eram arranjados. Havia muitos jogos e corridas. Um grande número de recordes foi estabelecido, o que mostra que a data tinha grande importância por todas as terras da Gália. O manuscrito do século 12 chamado "O Livro de Leinster" conta de uma feira, uma "aenach", instalada em Carmun, Leinster (provavelmente, sul de Kildare).

Essa feira era feita uma vez a cada três anos e começava em primeiro de agosto, terminando no dia seis do mesmo. Outro exemplo é o "Curragh of the Liffey" que era a corrida mais celebrada acontecendo na Irlanda. De qualquer modo, da tradição ancestral, nós vemos que o Deus da Luz em pessoa instituiu a grande feira de Tailltenn, hoje chamada de Teltown, em honra de sua mãe adotiva Tailltiu (pronuncie Telsha).

A tradição relata que o coração de Tailltiu se partiu sob o labor de trabalhar na terra que leva seu nome. Lugh então ordenou que uma feira, com festividades e jogos devia ser realizada anualmente assim como um memorial em nome Dela. Tailltiu foi de fato a Deusa da Terra que fundou a linhagem real da Irlanda sob os Fir Bolgs,em tempos precedentes a vinda do Tuatha de Danaan ou dos Milesians (gaélicos).

É dito que os Fir Bolgs chegaram a Irlanda em Lughnasadh, consequentemente, esse festival parece ter em grande parte uma associação com as raças mais antigas dessa terra. O lugar de Tailltenn foi também um cemitério ancestral dos homens de Ulster, que é tradicionalmente uma fortaleza dos guerreiros Fir Bolgs.

Os Fir Bolg eram muito associados à agricultura. Lughnasadh foi um importante festival da terra dentro das comunidades de “tradição comum”. Fora das terras gaulesas Lughnasadh é conhecido como o Dia dos Primeiros Frutos. Acontece realmente em honra de Tailltiu, que como Deusa da Terra (e Soberania) é a Mãe Terra local. Quando consideramos a agricultura talvez possamos estabelecer a ideia da intenção da época desse festival explorando a língua gaélica. Fazendo esse estudo, nós podemos entender que o nome Lugh, traduz-se “the least” (o menor, o mínimo).

Quando as pessoas ainda estavam vivendo bem com o estoque da colheita do ano anterior, essa era a época em que os estoques estavam “nas últimas”, era época de olhar para o tempo da nova colheita que estava começando. Devemos ressaltar, para evitar confusão, que esse festival, seja em veneração a Lugh ou Tailltiu, não tem nenhuma conexão com nenhuma das concepções de Deuses do Grão (CornKings) como foi citado no Ramo Dourado de James Frazer.

Tailltenn foi a cena final da batalha entre os Tuatha De Danaan e os Milesianos. Aqui os gaélicos foram derrotados pelos Tuatha e onde enterraram seus três reis. Depois disso, os gaélicos dividiram a Irlanda com os Filhos de Mil.

Parece que um elemento comum foi a presença de cavalos nas feiras associadas à Lughnasadh. Claro que o White Stead é um companheiro comum de Lugh na tradição .Mesmo no Ciclo de Ulster a corrida a pé entre Macha e as carruagens de MacNessa falam sobre isso. A ênfase nas corridas de cavalo e habilidade de lidar com cavalos pareciam ser a questão principal.

Isso é muito importante, pois o cavalo é a incorporação da Deusa da Soberania e Sua tarefa parece ser a de levar os espíritos a Tir na Nog. Uma história comum relata que essa crença foi amplamente praticada nas costas das terras gaélicas(Gaidhealtachd) a ponto de pessoas guiarem seus cavalos até a praia e caírem no mar em Lughnasadh.

A Feira de Tailltenn tornou-se o maior evento anual estabelecido em 1º de agosto, que atendia pessoas de todas as classes dos celtas gauleses. Possuía todas as grades atrações de um festival, mas ficou particularmente conhecido pelos excelentes jogos e seu “mercado de casamento”.

Lughnasadh era a época do "handfasting" ou casamentos-teste que duravam um ano e um dia. Depois desse tempo o casal retornaria ao mesmo local na feira no ano seguinte fazer seu contrato de casamento permanente. Eles também tinham o direito de se declararem divorciados andando em direções opostas um do outro. Casamentos teste de um ano e um dia duraram até épocas e séculos recentes nos territórios gauleses. Durante esse tempo, jovens não raro ficavam (como no conceito moderno do termo), elegiam um “irmão” ou “irmã” pelo tempo de duração da feira, depois cada um ia para o seu canto. Como ponto importante, até mesmo no século 18 o sabor obsceno da Feira de Teltown (versão anglicana de Tailltenn) era conhecida por seus escândalos.

Em alguns lugares, um dia inteiro era dedicado a corridas de cavalo e de carroças. Além dos jogos havia recitais de poesias, genealogias e contos românticos. A música era de harpas, trompetes, chifres e flautas. Proezas e façanhas com cavalos eram performatizadas. Havia também palhaços e mágicos. Aparentemente havia três lugares distintos na feira: um para comida e roupas, um para animais e outro para mercadoria de luxo. Se chovesse durante o festival, acreditava-se que o próprio Lugh estivesse presente.

Como os demais festivais de fogo, esse também era celebrado com fogueira em todo distrito. As pessoas se reuniam nos montes sagrados e visitavam os poços sagrados. Essas fogueiras duraram até meados do século 19 em muitas áreas. Em vários, as mulheres mais velhas iam ao rebanho e amarrar linhas vermelhas ou azuis em seus pescoços enquanto repetiam encantamentos para que o leite fosse de boa qualidade; uma bola de pêlo de vaca ou ronag era posto dentro do balde de leite nesse dia.

Coalhadas e queijos eram preparados especialmente com o leite desse dia. Em muitos lugares, depois do crescimento do domínio cristão, o bannock (um bolo insípido feito de farinha de aveia) pagão tornou-se o Moilean Moiré, dedicado a Maria Desse modo os costumes anciãos foram carregados sob uma fina veia de cristianismo como sendo "La Feill Moiré", O Dia da Festa de Maria. Esse festival acontece em 15 de agosto, bem próximo a data ancestral de Lughnasadh, antes da mudança do calendário Gregoriano.

Nós vemos muitas semelhanças entre Maria mãe de Jesus (o Rei Sol) e uma das ancestrais Deusas da Terra, Tailltiu, mãe adotiva do Deus da Lu,z Lugh. "La Feill Moiré" guarda muito de sua raiz pagã. Não é muito difícil retroceder à construção dessa versão para recuperar toda expressão pré-cristã. Eu devo, contudo, deixar essa tarefa para o leitor. Nesse rito o pai da casa quebra o bannock, dando um pedaço à sua esposa e suas crianças por ordem de idade. Então, a família toda anda na direção horária em volta do fogo cantando a rune (encantamento) de Mãe Maria.

Iolach Mhoire Mhathair:

No dia da festa de Maria a fragrante,
Mãe dos pastores de rebanhos,
Eu colhi em tanto de milho novo,
Eu o sequei levemente no sol,
Eu o debulhei bem no ralador
Com minhas próprias mãos.
Eu o triturei num moinho de mão na sexta
Eu o cozinhei numa peneira e pele de carneiro
Eu o tostei numa fogueira de sorvera braba
Eu o dividi com meu povo.

*n.t.1 Goibniu

Tradução Luciana Cavalcanti
Reconstrucionismo Celta com ênfase na Irlanda desde 2000.

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