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Imbolg - texto original de Iain MacAnTsaoir

Enviado em 30/07/2013 (1719 leituras)

A respeito do original de Fiona MacLeod

Imbolg é o festival de Bride, conhecida em todas as terras gaélicas com algumas variações para o mesmo nome como Brid, Bride, Brigid, Brighid, etc... sendo alguns destes mais largamente conhecidos. Essas diferenças são o resultado da existência de dialetos diferentes de uma mesma língua. Ela é uma das Deusas mais amadas. Sua data é 02 de fevereiro, na era comum.

O melhor escritor de todos os tempos sobre os Gaélicos é Fiona MacLeod. Seus escritos são difíceis de encontrar hoje em dia. Ainda assim, se existe alguém com dom da palavra, que sabia evocar emoção com esse dom, era ele. Certamente, qualquer um pode ver em seus relatos o amor que ele tinha por Bride. E por esse amor que, ele foi muito abençoado por Ela. O que se segue são trechos de vários de seus trabalhos.

Aqui vemos não só a importância que Ela tem para o nosso povo, mas sua ancestral conexão com o mês de fevereiro: "Eu tenho ouvido muitos contos sobre Bride, um dos seres mais amados e reverenciados do ancestral panteão gaulês. Eles são das Ilhas e talvez possam ser ouvidos em alguma parte do "Sgeulachdan Gaidhealach" ou contos gaélicos que continuam a ser contados no conhecimento popular das costas e das colinas. "Brighid bhoidheach". Bride a Bela, não é rara em canções e hinos sazonais, onde seus sinais são vistos ao longo das praias cinzentas, nas trilhas dos prados, no sulco dos vales, no caminho da costa branca. Os moradores da ilha sabem que o ano novo se revela enfim, que o alimento, calor e felicidade estão saindo do sul.

Em toda parte Ela é honrada... "Am fheill" Bride era até recentemente um festival de alegria no oeste, das regiões montanhosas da Escócia até a mais estreita faixas de praia da Barra ou de Lews, nas áreas montanhosas mais remotas da Escócia e nas Ilhas ainda continua sendo.

A associação de Bride com fevereiro é história antiga. Tão antiga que remonta os tempos dos monges cronistas, que tentaram colocar um manto cristão de disfarce sobre essa formosa Mulher. É uma história que se refere a cada um que levou à Mulher dos Gaélicos, suas oferendas e orações, a cada um que fala o "seannachaidh" quando conta sobre a aveia tomada por Brighid das Chamas, eles se referem àquela a quem os druidas prestavam honra como uma tocha repleta de luz eterna, a Filha da Manhã, que em uma mão segurava o Sol nascente como uma pequena chama amarela e em outra mão segurava a flor vermelha do fogo sem a qual, o homem seria como as bestas que vivem nas cavernas e buracos, o como o negro Fomor que tem seu habitat nas brumas, no vento e no deserto.

Eles se referem Àquela que os bardos e cantores reverenciam como Senhora de suas habilidades. Ela cujo fôlego é uma chama e cuja chama é canção. Ela cujo nome secreto é fogo e cuja alma é o ar radiante. Ela que é a personificação da divina coisa que Ela sustenta, poesia. Ela, só ela mesma e ninguém mais, a ancestral Deusa que nossos ancestrais viram acender as tochas do Sol nascente no cume das montanhas ou erguer a inapagável chama sobre o horizonte dos mares. Aquelas cujos druidas saudavam com hinos na virada do ano, quando, na estação que chamamos de fevereiro, os primeiros vestígios da primavera podiam ser vistos na terra cinza, ou nas ondas cinzas ou nas encostas cinzas. A quem cada poeta, do mais humilde cantor errante à Oisin das Canções, de Oisin das Canções à Angus Og no arco-íris ou Midir do Mundo Subterrâneo, que era abençoado devido a chama que Ela colocara no coração dos poetas. Assim como a vida vermelha que ela colocara na chama que brota da lenha e da turfa. Sem esquecer que Ela é filha do ancestral Deus da Terra, porém maior que Ele, pois nele não há mais que terra e água, enquanto nas veias Dela correm o ar e o fogo. E não se pode esquecer que a qualquer momento que queira, Ela pode se inclinar aos mortos e com Seu sopro pode vivificar, o pulso voltar ao coração e o que era pó pode se erguer e ser feliz mais uma vez. Sim, a Formosa Mulher de Fevereiro ainda é reverenciada.

Na noite desse dia santo, Brid é convidada para dentro de casa. Velas são benzidas. Divinações são feitas nessa hora. Essa é a estação em que os cordeiros nascem. De Samhain à Imbolg considerava-se o inverno. Existem poucas horas de dia claro para se trabalhar no lado de fora, então a família passava o tempo ao redor da fogueira que era a fonte de sua luz, calor e comida quente. A lareira foi o ponto de abertura para o "seannachaidh" (contador de história) que, com a inspiração do fogo, contava histórias de seu povo. O fogo sagrado é fortemente associado à Brid. Seu nome traduz-se "flecha ígnea". Um de seus aspectos é o de Deusa da Poesia e é Ela a "chama de inspiração". Outro termo dado a Bride é "chama no coração de toda mulher". Isso mostra a absoluta autoridade da mulher na casa. Imbolc era um festival de fogo somente para os pertencentes à casa.

Durante o Imbolg, uma atenção particular era dada à lareira. Durante o dia ela era especialmente abastecida com madeiras específicas, para dar boas-vindas à Sua chegada. Grande cuidado era dado ao do fogo nessa noite, quando uma haste de sorveira brava era colocada no coração da fogueira. Na manhã seguinte, antes do raiar completo do Sol, o fogo era checado em busca de sinais das bênçãos Dela. O sinal em questão era uma figura que se parecesse com um cisne ou ganso. Se a marca fosse encontrada, um tempo de extrema boa-venturança se seguiria para aquela família.

As associações de Bride com gansos e cisnes são também encontradas nos encantamentos de Carmina Gadelica de Alexander Carmichael. O Idioma da Deusa da Dr. Maria Gimbutas é uma ajuda para tentar entender o significado da Deusa Pé de Pássaro (Bird Foot Goddess). Uma variação desse costume é achada na Escócia, na noite do Dia de Santa Brigit, lá as mulheres da casa vestem um feixe de aveia com roupas de mulher. Elas deitam a boneca numa cesta chamada de Cama de Brigit próxima a um porrete fálico. Então, elas gritam três vezes "Brid chegou, Brid é bem-vinda!" e deixam velas queimando no altar de suas casas a noite toda. Na manhã seguinte, elas procuram uma impressão do porrete e nas cinzas da lareira. Numa outra versão, se o sinal estiver lá, significa que o ano será próspero e frutífero. Um costume similar é encontrado também na Ilha de Man e é chamado "Laa’l Breeshey".

É comum na Irlanda encontrar pessoas fazendo as cruzes de Santa Brigid de palha ou junco. Isso parece ser "derivado de uma cerimônia pré-cristã relacionada com a preparação das sementes para que crescam na Primavera" - The Irish Times, 1º de fevereiro, 1977. Isso é parte do costume ancestral chamar de "Lá Fhéile Brid", que começa com uma coleção de juncos. Eles são atados e à meia noite uma pessoa é designada a carregar os juncos cobre suas cabeças que os leva para porta e bate à porta. A "Bean na Tighe" (mulher da casa) manda alguém abrir a porta e quem carrega os juncos entra. A "Bean na Tighe" diz a ele: "Fáilte leat a Bhrid". Na era moderna, a personagem responde: "Beannacht Dé ar daoine na tighe seo" (Deus abençoe as pessoas dessa casa). As pessoas da casa começam a fazer as cruzes no mesmo formato das "Cruzes Celtas", que sabemos ser um símbolo solar. Uma vez que o Sol para os Celtas e Gaélicos ancestrais era feminino (a luz era masculina), salientamos que esse símbolo solar da cruz de junco, era um símbolo de Brid.

Juncos não usados eram enterrados. Depois que os juncos eram feitos, a família festejava. No dia de Imbolg, as cruzes feitas no ano passado são queimadas e as novas eram penduradas pela casa e em outros lugares da família. Elas são queimadas, mas jamais empregadas casualmente para fins profanos. É muito comum achar poços com a marca Dela. Como nos outros festivais é comum achar pedaços de roupas ou peças inteiras atadas as árvores próximas deles depois do festival. Partes do folclore climático das terras Gaélicas salientam que o tempo claro em Imbolg prenuncia mais inverno, enquanto intempéries mostram que o inverno terminará. Tudo nos diz que este é um festival de quando o clã ou família se reuniam em suas lareiras para a festa. Este festival é um festival de lareira.

Fontes:
The Celtic Consciousness, editado por Robert O Driscoll, artigo chamado "Tradição Popular Irlandesa e Calendário Celta" de Kevin Danaher
O Ano na Irlanda de Kevin Danaher
Vestígios da Antiga Fé na Irlanda de W.G.Wood-Martin
Um Dicionário Irlandês Inglês, Ver. Patrick Dineen
Um Guia ao Ogam, de Damien McManus
Dicionário de Pronúncia e Etmológia do Idioma Gaélico, de Malcolm MacLennan
O Ramo Prateado vols.1, 2,3 e 4 de Marion McNeill
Festivais Medievais e Dias Sagrados de Madeleine Pelner Cosman
O Ramo Dourado, de James Frazer
A Hereditariedade Celta de Alwyn & Brinley Rees
Os Celtas de Nora Chadwick
Os Druidas de Peter Berresford Ellis
Mitos, Lendas e Romances - Uma Enciclopédia da Tradição Popular Irlandesa de Dr.Daithi OhOgain
O Festival de Lughnassa de Maire MacNeil
Dal Riadh Verdade Celta de Iain MacAnTsaoir

Copyright 1996 - Clannada na Gadelica

Tradução Luciana Cavalcanti
Reconstrucionismo Celta com ênfase na Irlanda desde 2000.

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