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Ogham, Oráculo Ancestral e Escrita dos Druidas

Enviado em 13/12/2009 (12258 leituras)

O Ogham (se pronuncia "Ouam") é uma escrita "simbólica" e sagrada que serve como fonte de divinação, usado como correspondência alfabética pelos Druidas (isso com menos frequência, pois além de não ser tão prática como escrita, existem poucas evidências neste sentido) e/ou como signos, pois cada Árvore das Fedha (plural de Fid = nome dado à peça do Ogham, por exemplo: uma Fid, duas Fedha...), que corresponde a uma determinada data (dia/mês), sequencialmente, distribuídas.

Geralmente, feitas de troncos medianos cortados de Árvores ou em Pedras e hoje adaptadas como cartas iguais a do Tarot. O nome Ogham provém do Deus Ogmios ou Ogma (protetor da eloquência e do conhecimento), vencedor dos Tuatha de Dannan (o povo da Deusa Celta Danú, também, conhecida como Dana).

Acredita-se que o nome pode ter sido elaborado a partir da palavra "Mago" (ogam ao contrário), que corresponde à terceira letra do alfabeto grego e que invertido se converte em "Mag", palavra utilizada pelos iranianos para designar seus próprios sábios.

Esta palavra evoca àqueles que possuem o conhecimento do Fogo e está relacionada com o poder do som, isto se relaciona com o fato do Druidismo ter sido, a princípio, uma tradição passada aos seus descendentes oralmente, pois os Celtas acreditavam que era melhor "viver na morte do que morrer em vida", ou seja, conhecimento escrito era tido como palavra morta, tal como nas lápides dos cemitérios, por exemplo.

Para os Druidas a tradição oral realça a fidelidade para com a tradição universal, o poder da palavra, do verbo criador e das evocações mágicas. Eles, também, acreditavam que o conhecimento seria mais bem enraizado, se passado "artisticamente".

Isso faz muito sentido, se levarmos em consideração que recordamos com muito mais facilidade da letra de uma música que se escutou há muito tempo ou de uma poesia recitada por alguém, do que o que foi lido em algum livro. A mente absorve com mais facilidade o conhecimento através destes meios. Seria isto uma herança de nossos antepassados Druidas, remanescentes em nosso "DNA ancestral"?

A ciência esotérica nos ensina que cada som produzido no mundo visível, desperta um som correspondente nas esferas invisíveis e põe em ação, uma força no lado oculto da Natureza.

O Ogham é distribuído em Quatro "aicmes" de Cinco Fedha cada uma:

- Aicme Beithe (derivado da palavra Beith = Árvore Bétula),
- Aicme hÚatha (derivado da palavra hÚath = Árvore Pilriteiro),
- Aicme Muine (derivado da palavra Muin = Planta Videira),
- Aicme Ailme (derivado da palavra Ailm = Árvore Abeto).

Um "Quinto aicme adicional" chamado de Forfeda, foi elaborado no século XIII, após a descoberta de inscrições Oghâmicas em pedras verticais, concebido centenas de anos após a origem do Ogham. Alguns Druidas, mais conservadores, não as consideram genuínas e não as incluem em suas Fedha.

As primeiras inscrições Oghâmicas foram encontradas na Irlanda e Grã-Bretanha há, aproximadamente, 600 A.C. Evidências arqueológicas apontam suas origens aos povos Indo-Europeus, na Europa Oriental. Já as evidências botânicas, que estudam a distribuição das Árvores do alfabeto Ogham, apontam para o Vale do Rio Reno e para a região da cultura de "La Tène", considerada o berço da cultura Celta.

Os símbolos das Fedha lembram galhos de Árvores, tendo uma linha traçada ("flesc") na vertical, horizontal e na transversal e tem de um a cinco traços que lhe "cortam" o centro, formando os desenhos que foram elaborados após tempos de observação e estudos do "comportamento" das Árvores e a cada uma delas atribuída. Tipo, como elas cresciam, perto do que elas cresciam, o formato de suas folhas, flores, frutos, sementes, suas formas, seus tamanhos, suas atribuições de acordo com as estações, sua sensibilidade ou resistência à luz do dia, ao frio, ao calor... Enfim, a característica oracular designada a cada Árvore do Ogham, está bastante ligada ao seu comportamento durante sua vida.


Muitas Árvores eram usadas para confecção de armas convencionais provenientes da época como: arco e flecha, lanças, catapultas, etc. Também como barcos, palafitas (habitações pré-históricas) ou como "ancoradouros" para os barcos.

A ligação dos Druidas com as Árvores se dá ao tratamento de respeito e a troca que se praticava nos tempos antigos, sabendo-se que a madeira era o seu único combustível. Também, era usada na construção de casas e a madeira, utilizada com respeito e honra, compreendida como sagrada e mantedora da vida. Algumas tribos Celtas tinham suas Árvores líderes, que ficavam em pontos de grande honra, eram temidas e consultadas pela tribo que se comunicava com suas características místicas.

Agora falemos do Ogham, especificamente, como ferramenta sagrada de divinação que um dia foi utilizado pelos grandes Druidas ancestrais para prever as tempestades e as colheitas. Além, para a escrita mágica, pois se acreditava que era usada para que os Druidas se comunicassem entre eles de modo que só eles soubessem do que se tratava. Mandavam mensagens pelas águas dos rios com galhos entrelaçados, acrescentando as letras do Ogham e deixando mensagens subliminares.

Hoje, além de ser usada, principalmente, como fonte de divinação, serve como um caminho para o autoconhecimento e força interior, de modo a nos conectar com nossa ancestralidade e Inspiração, como parte da centelha divina que flui da Terra Mãe e de toda Criação.

Awen /|\

Leia também:
Ogham e os Símbolos das Fedha
Estudos do Ogham - Caer Siddi

Por Ëldrich Hazel Ybyrapytã
Caminhante que busca o despertar da consciência através da meditação e da compaixão.

Ëldrich, filho da Avelãzeira:
"Somos todos folhas da mesma Árvore"
E-mail:
eldrich@templodeavalon.com

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