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E Tudo Permanece Como Nunca Foi

Enviado em 06/01/2010 (2875 leituras)

É extremamente comum ouvirmos a seguinte frase, quando se trata dos cuidados que devemos ter com os recursos naturais do planeta: “Ah, sempre foi assim.”

Esta frase reflete o pensamento que foi moldado durante séculos e séculos de descaso com a Mãe Natureza, o comodismo trazido pela tecnologia exagerada à nossas vidas. O ser humano se tornou cômodo e sedentário, tendo a tecnologia do século 21 estampada nos outdoors, jornais e revistas sensacionalistas. O “marketing do apocalipse” se instalou de modo que, quando nos dermos conta, o caos eminente já haverá nos devorado com seus dentes de metal pontiagudos, programados eletronicamente e livres de “bactérias”, querendo mudar a “paisagem” atual dos “novos tempos”.

Somos sim, produtos de uma palpável era “Narcisista”, onde a idolatria demasiada ao corpo se expande e definha o intelecto, transformando-o em mero privilégio dispensável e assim, de difícil acesso a grande maioria das pessoas. Parece-nos que crescemos em um “jardim de espinhos”, seria esta a “sina” do homem “moderno”?

Tal como criança brincando em um jardim de espinhos, o perigo eminente não desperta a maldade em seu coração, porém, estamos longe de ter a inocência de uma criança, pois deixamos à pureza primordial há muito tempo atrás.

Nossa geração se tornou a soma de fatores determinantes para o fim da sobrevivência na Terra, agregamos “valores” que não são valores. Somos o espelho da “vingança da Natureza”, os bíblicos “quatro cavaleiros do apocalipse” que se revelaram nos Quatro Elementos da Natureza e foram forçados pelo homem, a se emanciparem do que seria o quinto elemento, o espírito. Estes "Quatro Elementos" como catástrofes naturais, devastando e varrendo o cerne da Terra, em uma “fúria caótica” e desenfreada, que nos faz pedir por clemência em meio a tantos, nos tornando apenas mais um, a sobrevivência de um instinto desesperado e mortal.

A Lua permite um “desequilíbrio” com as tão sutis marés, as águas dos mares se enfurecem e transbordam em Tsunamis que varrem as costas e as cidades desprevenidas. A água, o condutor universal, o símbolo do batismo, do renascimento agora é uma grande vassoura de sal. O sal que purifica e agora cumpre este papel de limpeza, literalmente.

A Terra sucumbe às estruturas de concreto “magistralmente” arquitetadas pelo tão “sábio” homem, tremores antes apenas “sentidos” em pesadelos noturnos em noites quentes de verão, agora libertos pelo âmago da Terra que perdura e geme, se contorce e destrói a estabilidade, a força, a centralidade e se desfazem como cinzas.

Os ventos sazonais não escolhem mais estação ou ponto cardeal para se tornarem devastadores furacões, tornados, vendavais... O sopro, fluidez das emoções, agora se converte em invisíveis fios cortantes agrupados como gigantescas navalhas que definham tudo que é temporal. O Ar carregado, pesado e escuro, infesta nossos pulmões, pois respiramos junto da Mãe Terra e, portanto, tendemos a uma asfixia congênita.

Vulcões derramam seu despertar arrebatador e consomem tudo ao seu redor, ele acorda com a fome de milhares de anos, desperto em labaredas cuspidas do interior de sua alma, o Fogo da transformação e da transmutação.

Agora, a consciência humana toma uma vaga noção do que se deu ao nome de “cuidar do Planeta”. Buscamos, aos poucos, o equilíbrio que se perdeu há muito... Somos um número terrivelmente menor daqueles que lucram com o caos e o medo.

Mas, mesmo assim, nosso coração desperta para algo inesperado, talvez tardio, assim temos a consciência do que precisa ser feito e logo. Pois o pai tempo se tornou nosso inimigo e corre no sentido do desfecho temido.

Plantamos sementes que de algum modo poderão buscar e, quem sabe, conseguir a redenção perante o gigantesco corpo Terrestre. Sementes com uma consciência que vem de berço, uma cultura que sugere que a Terra é mais do que nossa casa. Nós somos pequeninos átomos neste grande corpo e agredi-lo é o mesmo que praticar suicídio.

O amor a fauna, a flora, aos reinos: mineral, vegetal e animal, é o amor a nós mesmos, pois desde o mais minúsculo pedregulho que pode compor uma gigantesca montanha rochosa ou da mais minúscula e rasteira planta que pode compor uma Floresta imponente, também somos minúsculos perto de toda grandeza e esplendor da criação, mas talvez possamos ainda, compor a mais bela das melodias, o mais belo dos poemas que trarão um sopro de esperança a sobrevivência.

Nossas sementes, nossos filhos!

Por Ëldrich Hazel Ybyrapytã
Caminhante que busca o despertar da consciência através da meditação e da compaixão.

Ëldrich, filho da Avelãzeira:
"Somos todos folhas da mesma Árvore"
E-mail:
eldrich@templodeavalon.com

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