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Reconstrucionismo Celta

O Reconstrucionismo Celta (RC) ou Paganismo Reconstructionista Celta (PRC) é um movimento politeísta, animista, religioso e cultural, que surgiu como uma tradição independente, a partir dos anos 90.

Reconstrucionistas Celtas buscam, através das suas práticas, reconstruir e reviver, em um contexto cultural, lingüístico e religioso, as culturas celtas pré-cristãs nos dias de hoje, inspirados em pesquisas sérias, sobre: mitologia céltica, arte, história, arqueologia e idiomas originais, ainda existentes.

O caminho do Reconstrucionismo Celta está sempre em constante crescimento e evolução, assim como todos nós!

Ao compartilhamos alguns dos princípios desse movimento e para melhor compreensão, dentro da nossa caminhada espiritual junto ao Druidismo, descreveremos, a seguir, como ele é vivenciado atualmente.

"Três velas que iluminam qualquer escuridão: Conhecimento, Natureza e a Verdade." Tríade Irlandesa. Que assim seja!

 Rowena Arnehoy Seneween ®

Principais Crenças
Tradução Lornnah Carmel 2005

Acreditamos que existam vários Deuses e que ele são entidades separadas e independentes merecedoras de culto. Acreditamos, também, que os ancestrais e espíritos da terra/natureza também são entidades individuais merecedoras de reconhecimento e reverência. Essas entidades existem num grupo coeso e não isolado dividido por categorias.

A maioria dos Reconstrucionistas celtas acreditam que as deidades e espíritos agem nesse mundo e em suas vidas pessoais, influenciandos-os e respondendo as preces e as oferendas. Alguns acreditam que não apenas os animais e árvores tem almas, mas, montanhas, rios, poços sagrados e outros fenômenos naturais, também. 

Alguns acreditam que objetos criados podem ser imbuídos de espírito. Indivíduos e grupos freqüentemente seguem uma ou mais deidades que eles considerem especial ou tutelar, ou particularmente ligados a sua região ou foco de atividades. Muitos indivíduos se dedicam a uma ou mais deidades patrono/matrona.

As deidades celtas são o principal foco de nosso culto. Quando um reconstrucionista celta trabalha com deidades de outras culturas, ele o faz separadamente e de forma considerada culturalmente propícia aquelas deidades. Praticantes de reconstrucionismo celta raramente misturam ou escolhem espíritos ou divindades de diferentes culturas - até mesmo de diferentes culturas celtas - em um mesmo ritual. Se isso acontecer, será sempre com respeito a cada cultura e deidade envolvidas.

Todas as deidades são respeitadas, mas nem todas são cultuadas. Certos na crença de que cada deidade tem desejos e personalidades individuais, reconstrucionistas celtas preocupam-se em invocar e trabalhar com deidades que tenham afinidade umas com as outras, segundo o conhecimento.

Muitos reconstrucionistas celtas vêem o Cosmos na maneira dos Três Reinos: Terra, Mar e Céu. Outros consideram como: Submundo, Mundo Intermediário e Mundo Superior, em seu entendimento de cosmologia. Ainda há outros que considerem uma idéia de Outro Mundo ou Outros Mundos coexistentes como o nosso.

Todos esses Outros Mundos são considerados reais e acessíveis àqueles que possuem habilidades especiais. Em todas essas abordagens, o fogo exerce um papel diferente da visão neo-pagã. O fogo, particularmente, o fogo que vem da água, pode ser visto como símbolo do Imbas ou Awen - a divina inspiração. Alguns vêem isso como o pivô central sobre o qual o Cosmos gira - equivalente espiritual a árvore do mundo.

A árvore da vida é entendida como o centro do Cosmos, sob a qual os vários mundos são suspensos ou da qual eles crescem. Essa árvore pode ser fisicamente representada tanto como uma árvore real, como por uma coluna, que pode ser a coluna central ou o pilar de sustentação de uma área de ritual ou de uma casa, a Bilé sagrada.

Deuses e espíritos são reconhecidos como semelhantes a nós, possuindo desejos e vontades, onde não são, necessariamente, bondosos e amorosos o tempo todo.

Os elementos são discutidos ou usados em nossos rituais (e nem todos os reconstrucionistas celtas o fazem), o número varia de sete a onze, baseados no conceito de diferentes aspectos do mundo físico, como: chuva, sol, nuvens, plantas, pedras, solo, mar, vento e outros.

Nos ramo irlandês e escocês, do Reconstrucionismo Celta, o corpo é visto como contingente de uma estrutura energética interna em forma de 3 caldeirões, de onde provem e se processam a energia de inspiração vinda das deidades. O estado dos caldeirões em um corpo refletem seu estado de saúde física e emocional. Os trabalhos de cura e meditação, são freqüentemente, realizados com três caldeirões.

Homens e mulheres são iguais em poder e capacidade na liderança de grupos reconstrucionistas. Ambos ocupam cargos de pesquisadores, estudiosos, clérigos, guerreiros, artesãos e lideres tribais. É dada igual reverência aos Deuses e Deusas.

Ainda que muitas pessoas de ancestralidade celta sejam adeptas do movimento, ser descendente dos Celtas não é obrigatório. Respeitamos todos os nossos ancestrais e professores, sendo eles Celtas ou não. Muitos de nós não possui nenhuma ancestralidade Celta, mas aceitamos o povo Celta, como ancestrais espirituais em nossa busca pessoal.

Sabemos que toda a humanidade se originou na África, acreditamos que somos todos irmãos de uma grande família, com um só sangue. Celtas reconstrucionistas são todos fortemente anti-racismo e abertos a pessoas de todas as cores, raças e etnias e que desejem seguir as divindades celtas no estilo reconstrucionista. O conhecimento de outras culturas também seve como um maravilhoso ‘feedback’ para examinarmos e validarmos o conhecimento que vem de nossa inspiração individual.

Devido ao nosso elo com os espíritos da natureza e ao fato de que a Terra onde vivemos é sagrada, muitos celtas reconstrucionistas consideram o envolvimento com o meio ambiente e o ativismo, uma parte fundamental de suas práticas.

Muitos se empenham em conhecer a ecologia local, considerando de vital importância conhecer plantas, pássaros e animais, bem como, uma maneira de se conectar com o território em que vivem e os espíritos da natureza. O ativismo ecológico e o ecofeminismo, também, fazem parte das práticas individuais do movimento reconstrucionista.

A metáfora natural é uma coisa comum na linguagem dos filósofos, ritualistas e pensadores reconstrucionistas, nós absorvemos tudo isso, através da longa tradição de poesia natural e misticismo das terras Celtas.

Pesquisa, misticismo e inspiração pessoal, são todos valiosos no Reconstrucionismo Celta. Pesquisas e conhecimento teórico são profundamente respeitados no movimento. Entendimento e apreciação histórica também são importantes. O conhecimento das línguas celtas não é necessário, mas um vocabulário prático de termos técnicos é valorizado e respeitado no movimento. Alguns conduzem os rituais parciais ou inteiramente em língua celta, quando possível.

A inspiração individual e os frutos dessa meditação, êxtase e trabalhos misticamente orientados, também, são altamente valorizados. Todos são debatidos, compartilhados e examinados para que sejam incluídos às praticas individuais ou grupais.

Os clérigos podem ser curandeiros, adivinhadores, filósofos e teólogos do movimento, ainda que nenhuma dessas atividades seja exclusividade dos membros do clero. O Reconstrucionismo Celta descreve-os como: Draoi ou Filidh.

Artesãos, escritores e poetas, são descritos como: Aes Dána ou "pessoas da arte".

Cada grupo se organiza de maneira diferente, não existe uma estrutura universal no Reconstrucionismo Celta. Alguns se identificam como Bosques, outros como Tribo, Tuatha ou Thuat. Outros preferem famílias ou se organizam em colégios druídicos, escolas, ordens, etc. Não há regras governando a criação ou a prática de um grupo, a não ser, os princípios gerais e éticos da própria tradição em si.

Praticantes do reconstrucionismo celta acreditam que há limites, para o que se pode e o que se deve fazer, num senso ético e social, baseado em conceitos tirados das Brehon Laws, da Irlanda e outras fontes tradicionais, tais como: As Instruções de Morann Mac Main ou as Tríades Irlandesas e Galesas. Alguns reconstrucionistas celtas submetem-se a uma série de virtudes seguidas por muitos, tais como: Verdade, Honra, Justiça, Lealdade, Coragem, Comunidade, Hospitalidade, Força e Gentileza.

As pessoas dentro do movimento podem ser veteranos ou pacifistas, por vezes, ambos. O posto do guerreiro é visto como de um legítimo protetor da tribo.

Reconstrucionistas celtas rejeitam veementemente racismo, sexismo, homofobia e qualquer outra forma de discriminação que divida as pessoas em grupos rivais.

Dias Sagrados

Reconstrucionistas Celtas seguem os 4 grandes festivais dos antigos celtas, são eles:

Oíche Shamhna / Samhain
Lá Fhaile Bríde / Oímealg
Lá Bealtaine / Bealtaine
Lá Fhaile Lœnasa / Lughnasadh

Grupos e praticantes isolados podem pronunciar ou nomear esses festivais de diferentes maneiras, na linguagem da cultura que estejam almejando reconstruir. Os nomes podem ser em gales, córnico, gaulês ou em outro idioma. Reconstrucionistas gauleses, geralmente, celebram os festivais de acordo com o calendário de Coligny.

Alguns grupos e indivíduos somam aos 4 grandes festivais, outros festivais de devoções a deidades individuais ou de acordo com o clima local, um fenômeno natural local, que tenha um significado para eles. No pacifico noroeste, reconstrucionistas celtas celebram um festival anual na época dos salmões. Outros celebram um festival à Épona, no começo de dezembro ou em Man, eles paguem tributos a Manannan, por volta do solstício de verão. E assim por diante.

Modos de culto

O culto varia enormemente no movimento reconstrucionista. As semelhanças se encontram mais na concordância filosófica, que na consistência dos padrões rituais entre os grupos.

Reconstrucionistas celtas não traçam círculos, ao contrário de muitas outras tradições neo-pagãs. Sentimos, no movimento, que o mundo inteiro é sagrado e assim não temos que delinear o que é ou não sagrado. Alguns reconhecem 4 ou 12 ventos, marcando divisões no mundo em quadrantes ou províncias.

A maioria dos reconstrucionistas montam altares, lareiras ou santuários em suas casas, alguns dedicados a deidades individuais, outros a espíritos ou ancestrais. Alguns montam altares com propósitos mágicos específicos, como cura ou inspiração. Muitos altares não tem forma padrão em mesas com objetos, podem ser em uma raiz de árvore, um monte de pedras ou uma fonte de água.

Divindades são chamadas para nosso culto, como convidados e como foco de nossa devoção. Espíritos e ancestrais, também, são convidados. A maioria dos rituais envolvem oferendas de comida, bebida, incenso e outras coisas.

Às vezes, são feitos pedidos as deidades, espíritos ou ancestrais, ainda que essa não seja a razão principal do ritual. A divinação, freqüentemente, é feita após a entrega de uma oferenda.
 
Muitos reconstrucionistas celtas consideram cada ação diária como uma forma de ritual. Alguns buscam inspiração no Carmina Gadelica, criando músicas e orações para cada etapa do seu dia. Outros fazem oferendas, quando estão colhendo ou lidando com ervas. Alguns rituais são tão importantes quanto os 4 festivais principais.

Normalmente reescrevemos nossas preces e feitiços de fontes medievais. Não acreditamos que um ritual deva ser formal, para ter efeito ou ser útil. Essas ações diárias estão alinhadas com a cultura celta, baseadas num estilo de vida tribal.

A magia é parte da prática do movimento. Reconstrucionistas não trabalham nos formatos platônicos, hermético ou de magia cerimonial.

O Ogham é um veículo comum de adivinhação, assim como, a análise de penas de um pássaro ou o observar das nuvens. O sonho e as visões são importantes fontes de inspiração e de divinação. A poesia e a música, freqüentemente, são vistos como componentes fundamentais da magia reconstrucionista.

Feitiços elaborados, a partir de feitiços encontrados no folclore celta tradicional, são constantemente usados com poemas cantados para aumentar seu poder. A reverência aos Deuses e a ajuda dos espíritos, fazem parte da magia reconstrucionista.

Fonte e créditos:

TRÊS MUNDOS - Paganismo Reconstrucionista Celta

 

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