Ser Pagão

Ser pagão é buscar constantemente harmonizar-se com a infinita sabedoria da natureza, onde se aprende diariamente através da linguagem da Terra e da Lua, das folhas das árvores, da beleza do canto dos pássaros, do cheiro das ervas e das flores, a conhecer o valor do respeito, do amor e do equilíbrio.
Paganismo, seria o nome dado para as pessoas que seguem as religiões politeísta, panteísta e animista, que respeitam a natureza e cultuam Deuses e Deusas, como por exemplo: Druidismo, Xamanismo e Reconstrucionismo Celta.
Mas, que fique bem claro, que pagão não é ateu e muito menos cultua o "diabo", que álias, é uma figura existente apenas no meio cristão, criada para dominar as pessoas através do medo e da culpa!
Pagãos acreditam e prestam culto às divindades pagãs centradas na verdade, no bem e no belo, aos espíritos da natureza e aos seus ancestrais. Apesar das diversas definições sobre o paganismo, é importante ressaltar que todo pagão é politeísta e respeita todas as formas de vida, assim como a própria natureza, que lhes é sagrada, tirando partido dela sem que assim venha destruí-la.
Atualmente, aqueles que seguem o paganismo celta, buscam aprimorar-se além das práticas diárias e sazonais, estudam a história, a arqueologia, os mitos, as lendas e o resgate das línguas celtas, principalmente o gaélico.
A celebração dos festivais solares automaticamente religa o homem aos ciclos naturais da Terra e às mudanças das estações. Cada ciclo reflete diretamente toda sua influência sobre nós e a partir deste princípio, passamos a vivenciar e a compreender melhor essas mudanças, além de todos os ciclos lunares.
Podemos encontrar uma grande variedade de tradições dentro do paganismo, mas esta variedade de experiências espirituais são apenas ramos diferentes da mesma árvore e, como tal, deve ser respeitada como a representação máxima da unidade divina. Nossos maiores mestres são a própria natureza e os Deuses.
Enfim, fuja daqueles que possuem caldeirões lotados de ego negativo. Isso não quer dizer que ser pagão é ser "perfeito". A perfeição é um dos objetivos do nosso caminho e, de modo geral, de todas as pessoas. O "bem" e o "mal" são relativos, pois o verdadeiro pagão busca o equilíbrio entre a luz e a sombra, com responsabilidade e bom senso. Essa é a real iniciação da alma e do coração. Que assim seja!
Rowena Arnehoy Seneween ®
O Caminho do Equilíbrio
O equilíbrio é algo que se deve buscar tanto no âmbito pessoal quanto através de uma visão universal. O povo pagão busca equilíbrio dentro de seus corações, na natureza e no Universo, porque perder o equilíbrio dentro de seu próprio ser é o mesmo que perder o equilíbrio com a ordem natural e com as Divindades. O equilíbrio é uma compreensão dos mundos da natureza e da humanidade com o Todo.
Conhecer o amor é o mesmo que ser capaz de ver a luz comum que corre por toda a vida, e verdadeiramente tocar as divindades. O amor é o que nos faz reconhecer aquele aspecto dentro de cada espírito humano que pertence ao reino divino e assim, apreciar sua virtude. É a forma que temos de contemplar as qualidades dos Deuses dentro de nós, às vezes como um caminho que nos faz admirar nossos irmãos.
Se você não o encontrar dentro de si, não será capaz de encontrá-lo do lado de fora, porque essa é a natureza de toda a forma de amor. A confiança não é apenas o fundamento do amor, mas é um código de vida. Se não existe confiança, o amor e a verdade serão sempre ilusórios, porque a confiança é a base forte sobre a qual suas casas são erguidas.
As palavras de sabedoria a seguir, que foram herdadas de algumas tradições, poderão servir como um guia que se refere ao objetivo, benefícios e aos tipos de confiança.
"Escolha com cuidado em quem sua confiança será depositada, mas se ele for digno dela, a dê sem restrições."
"Se você não pode confiar naquele que será seu mestre, não permita que seu aprendizado dependa dele e busque seus conhecimentos em outro lugar."
"Há certas coisas que devem ser aceitas com confiança, até que o tempo seja capaz de clarear o caminho para sua compreensão."
"Não se deixe iludir! Se você não acredita no que vê, descarte a possibilidade."
Fonte bibliográfica:
Caminhos Pagãos - Gwydion O’Hara
Verdades e Curiosidades
"A partir do século IV, o cristianismo se tornou a religião oficial em Roma. Apesar disto, muitos continuaram fiéis ao seus Deuses e Deusas. Os habitantes do campo eram chamados "paganus" e por não terem aderido ao cristianismo passaram a serem perseguidos e forçados a conversão.
A partir desta época todo aquele que não fosse cristão era considerado "pagão". A transição da Antiga Religião Pagã para a Religião Cristã, aconteceu durante um longo período. Nenhum pagão tornou-se cristão do dia para a noite. Os aristocratas foram menos resistentes, porque percebiam o poder da nova crença, mas os habitantes dos campos (paganus), recusaram-se a aceitar a nova fé.
Os sacerdotes do cristianismo passaram a adaptar as festas pagãs. Alguns templos pagãos, pouco a pouco, foram usados pela Igreja. A Igreja Cristã foi se tornando uma poderosa instituição. O que ela não podia destruir da Antiga Religião ela adaptava, transformando crenças pagãs em cristãs.
Foi assim, por exemplo, o que a Igreja fez com o Natal. Nesta época os Romanos festejavam Saturno. Com o tempo, os camponeses começaram a aceitar a doutrina que falava de Jesus, um homem que havia se pendurado numa cruz em favor de seus fiéis, lembrando Deus Odin que havia se pendurado uma árvore para adquirir a sabedoria das Runas Sagradas.
Com o tempo passaram a associar Maria, mãe de Jesus à Mãe Terra. Durante um período, houve uma fé dupla: acreditavam no novo Deus cristão, mas não abandonavam suas crenças. Sabe-se que muitas orações cristãs foram criadas, baseadas em encantamentos pagãos...
A influência do cristianismo faz-se sentir nas inscrições em que se nota uma clara mistura das duas crenças quando lemos em uma mesma pedra a invocação de proteção ao Deus Thor e ao mesmo tempo, ao Deus cristão.
Na verdade, a Igreja Cristã nunca conseguiu extinguir, de fato, as crenças classificadas por ela como pagãs.
No final do século XIV, começou a temporada da perseguição aos pagãos, às bruxas e a tudo que era contrário às crenças cristãs. Infelizmente, durante quase 400 anos, muitas pessoas morreram acusadas de prática da bruxaria." (Fonte: Wikipédia)
Esse tempo é passado e de agora em diante vale ressaltar o princípio da liberdade religiosa, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Artigo 18, que diz o seguinte:
"Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos."
Garatindo acima de tudo o respeito mútuo e a nossa liberdade de expressão religiosa!
Rowena Arnehoy Seneween ®
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