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Tuatha Dé Danann - Mitos e lenda

Primeira Parte - Origem Mitológica do Povo Celta Irlandês

Diz as lendas, que as Tuatha Dé Danann[1] chegaram à Irlanda vindos em uma nuvem mágica, provenientes das quatro cidades de Falias, Gorias, Findias e Murias. Nestes lugares aprenderam as grandes ciências e estudaram os grandes ofícios com seus sábios. Cada cidade destas tinha um sábio como seu rei, e dessas cidades as Tuatha Dé Danann levaram quatro dons mágicos, como talismãs, para a Irlanda.

De Falias levaram uma pedra chamada Lia Fáil (a Pedra do Destino), sobre a qual os Primeiros Reis da Irlanda assentaram-se. A Lia Fáil, uma pedra oracular, mostraria sua aprovação com um estrondo, se o monarca certo fosse eleito para sua coroa. Era profetizado que onde aquela pedra estivesse um monarca reinaria. De Gorias veio a Gáe Assail ou a Lança de Assal. De Findias veio a espada mágica de Nuada e de Murias, o Grande Caldeirão de Dagda, que poderia alimentar um exército e ainda continuar cheio.

Chegaram primeiramente a Connaught ocidental, onde os Firbolg os descobriram em um acampamento fortificado. Irritado com os intrusos, o povo Firbolg mandou um guerreiro chamado Sreng para conversar com eles. As Tuatha Dé Danann enviaram Bres para encontrar-se com Sreng. Os dois homens encontraram-se e examinaram-se com cuidado.

Tuatha Dé Danann tinha lanças que eram claras e afiadas, enquanto as do Firbolg eram pesadas e sem corte. Bres propôs que a Irlanda fosse dividida igualmente entre os dois povos e para dar forma à aliança, defenderiam a terra de qualquer outro povo que tentasse se estabelecer ali. Finalmente, trocaram armas e retornaram aos seus acampamentos.

Roda Celta

Os Firbolg, entretanto não aceitaram a oferta das Tuatha Dé Danann. Na planície de Moytura, que significa "A Planície das Torres" ou monumentos sepulcrais, eles combateram. Nuada conduziu às forças das Tuatha Dé Danann, e o rei dos Firbolg, chamado Eochy MacErc, conduzido seus guerreiros. Durante a batalha, Nuada[2] foi golpeado pela espada de um soldado inimigo e seu braço foi separado do corpo. As Tuatha Dé Danann ganharam a batalha e o rei Eochy MacErc foi morto.

Após a batalha, aos Firbolg foi dada a província de Connaught, e as Tuatha Dé Danann espalharam-se pelo resto da Irlanda. Nuada seria então rei dos Dananns, mas seu corpo imperfeito não permitiu que obtivesse o título, então outro homem chamado Bres[3] foi escolhido para ser o rei. Sua mãe era Erin e o seu pai ele desconhecia.

Ainda que Bres fosse um homem forte e bonito, era um rei fraco, pois permitiu que os Fomorianos retomassem o poder na Irlanda. Cobravam altos impostos e não mostrava nenhum respeito pelos druidas, bardos e poetas.

Um dia, um poeta de nome Corpry foi até a corte de Bres. Foi levado a uma cela escura e pequena, sem nenhum calor ou conforto. A ele foi servido bolo seco, e não foi dada nenhuma bebida. Poetas possuíam poderes mágicos naquele tempo, e podiam amaldiçoar com suas palavras, e Corpry amaldiçoou a Bres com esta sátira poética:

"Sem comida a ser servida, sem o leite com o qual a criança pode crescer, sem o teto sob o qual estar na noite escura, sem os meios para entreter uma companhia barda, - que estas sejam as condições de Bres."

Estas palavras foram repetidas com prazer pelo povo da Irlanda, e Bres foi obrigado a abandonar a coroa. Neste tempo, com a mágica de Diancecht[4], Nuada substituiu seu velho braço por um de prata e, desde este dia, ficou conhecido como Nuada do Braço de Prata. Então, foi permitido que ele se tornasse rei no lugar de Bres.

Bres caiu em profundo ódio por sua mãe, Erin, a quem implorou por saber sua linhagem. Ela revelou que seu pai era Elatha, um Rei dos Fomorianos, que veio até ela numa noite, e na sua partida deu-lhe um anel. Elatha disse a Erin que não desse aquele anel a ninguém, mas ao homem em cujo dedo ele caberia. Erin colocou o anel no dedo de Bres, e ambos rumaram para o Palácio de Rei Fomoriano.

Elatha reconheceu seu anel, e deu a Bres um exército, com o qual deveria retomar seu reino na Irlanda. Disse ainda que ele devesse procurar a ajuda de outro Rei Fomoriano, chamado Balor[5]. Este era chamado de Balor do Olho da Maldade, pois poderia matar qualquer homem a quem olhasse com raiva. Era um homem velho e sua pálpebra pesava tanto sobre seu olho mortífero que necessitava dos seus homens com cordas e polias a fim de levantá-la, para que ele pudesse matar seus inimigos[6]. Contra a tirania de Balor, as Tuatha Dé Danann continuavam a lutar, mesmo sobre a liderança de Nuada, e esperavam por um salvador.

Balor ouviu uma profecia druídica, na qual ele foi advertido que seria morto por seu neto. Sua única filha era Ethlinn, e para evitar tal destino, aprisionou-a numa imensa torre em Tor Mór, na Ilha de Tory. Doze mulheres a vigiavam e tinham ordens de não permitir que ela jamais olhasse para o rosto de um homem, e neste local, Eithlinn tornou-se uma bela e jovem mulher.

Enquanto isso, na principal ilha da Irlanda, vivia três irmãos - Kian, Sawan e Goban[7]. Kian possuía uma vaca mágica, cujo leite era tão abundante que todos tinham inveja dele e desejavam sua vaca, e Balor era uma dessas pessoas.

Um dia, Kian e Sawan chegaram à casa de Goban, para que novas armas fossem forjadas. Kian dirigiu-se à forja, deixando Sawan guardando a vaca. Mas Balor apareceu, sob a forma de um pequeno garoto de cabelos vermelhos, dizendo a Sawan ter ouvido o irmão dizer que usaria o melhor aço para sua própria arma, deixando o metal comum para Sawan. Enraivecido, Sawan correu para dentro da casa, e Balor fugiu com a vaca, levando-a para a Ilha de Tory.

Kian, perturbado por sua perda, fez uma visita ao Druida de nome Biróg, que o enviou à Ilha de Tory vestido em roupas de mulher. As guardiãs de Eithlinn pensaram ser as duas serem nobres que tinham chegado à costa fugindo de um sequestrador, e ofereceram a elas abrigo. Enquanto Biróg fazia as guardiãs dormirem com um feitiço, Kian ganhou acesso à princesa Eithlinn, e ela deu a ele seu amor. Logo, as guardiãs descobriram que ela estava grávida.

Temendo a fúria de Balor, elas convenceram Eithlinn que tudo não passava de um sonho, mas no devido tempo, ela se tornou mãe de três filhos, e a notícia chegou a Balor. Enfurecido, ordenou que os três fossem afogados num dos redemoinhos da ilha. No caminho para cumprir suas ordens, um dos homens de Balor carregava os três infantes envoltos numa manta, mas no caminho uma das crianças caiu numa pequena baía. As outras duas foram realmente afogadas, e o homem de Balor disse então ter cumprido devidamente seu trabalho. A criança que caiu na baía foi resgatada por Biróg, que a devolveu ao seu pai, Kian. Este a deu a seu irmão Goban, que ensinou ao garoto sua profissão. O nome da criança era Lugh. [8]

Muitos anos mais tarde, alguém veio bater na porta do Palácio Real de Tara. Um porteiro perguntou a ele o que podia oferecer ao Rei Nuada. “Eu sou um carpinteiro”, disse Lugh. “Nós não precisamos de um carpinteiro em Luchta, filho de Luchad”, respondeu. “Eu sou um ferreiro também”, foi a resposta. “E sou um guerreiro”, disse Lugh por fim. “Não precisamos de um”, disse o porteiro, “já temos o melhor guerreiro – Ogma”[9]. “Lugh então disse a ele que era um poeta, um bardo, um homem das ciências e um médico; mas a cada vez era dito que um já residia no castelo”. “Então”, disse Lugh, “perguntei ao Rei se ele necessita dos serviços de um homem que pode fazer todas estas coisas com perfeição, se não, irei embora agora mesmo”. Após isto, a porta foi aberta e o porteiro recebeu Lugh, e ele foi chamado de Lugh Ildánach, pois era o homem de todos os dons e de todas habilidades.

Lugh trouxe com ele muitos presentes mágicos. Trouxe o barco de Manannán[10], que poderia ler o pensamento de um homem e levá-lo para onde quisesse. Trouxe o Cavalo de Manannán, que podia viajar sobre terra e mar. Trouxe ainda a espada chamada Fragarach, aquela que poderia cortar qualquer armadura. Com estas coisas, Lugh chegou à conferência onde os chefes das Tuatha Dé Danann deveriam prestar homenagem aos opressores Fomorianos, e os Dananns sentiram como se o Sol da Primavera surgisse na escuridão de inverno, e ao invés de prestarem homenagens, atacaram os Fomorianos, e todos eles foram mortos, exceto nove, que retornaram para dizer a Balor sobre o desafio dos Dananns. Balor preparou-se para a batalha e instruiu seus guerreiros que vencessem os Dananns.

Lugh também se preparou para a batalha, mas precisava de mais alguns objetos mágicos para assegurar a vitória. Kian foi mandado a Ulster para invocar os guerreiros de lá. No caminho, cruzou as planícies de Murthemney, onde conheceu três irmãos, Brian, Luchar e Lucharba. Eram todos os filhos de Turenn, que odiava Kian, pois suas famílias estavam em guerra. Kian transformou-se num porco, e juntou-se a vários outros que se encontravam na planície. No entanto, os irmãos o descobriram, e Brian o espetou-o com uma lança. Kian, sabendo que seu fim estava próximo, suplicou aos irmãos que permitissem que ele voltasse a sua forma humana, para morrer como um homem.

Brian, o mais velho, concordou. Estando em frente aos irmãos como um homem, Kian disse, “Eu retiro de vós o espírito! Pois se vós matardes um porco, devereis pagar o sangue de um porco, mas se matardes vós a um homem, devereis pagar o sangue de um homem. As armas com as quais serei morto contarão esta lenda àquele que deverá vingar-me”. “Então não deveremos matá-lo com armas”, disse Brian, e apedrejaram-no à morte e enterraram seu corpo.

Logo depois, quando Lugh passava no local, as pedras gritaram e contaram-no a história da morte de seu pai, Kian, nas mãos assassinas dos filhos de Turenn. Lugh descobriu o corpo de seu pai, e levou-o a Tara, onde contou o caso a Nuada, que permitiu que os filhos de Turenn fossem executados ou que Lugh escolhesse receber um pagamento. Lugh então, pediu o seguinte: três maçãs, a pele de um porco, uma lança, uma carruagem com dois cavalos, sete suínos, um espeto para cozinhar e, finalmente, para darem três gritos de uma colina.

Quando os filhos de Turenn sentiram algum alívio, Lugh declarou que as três maçãs seriam aquelas que crescem no Jardim do Sol; a pele do porco seria a pele mágica que cura qualquer ferida e doença se esta for colocada sobre o corpo daquele que sofre e que pertencia ao Rei da Grécia; a lança seria a lança mágica do Rei da Pérsia; os sete suínos pertenciam ao Rei Asal dos Pilares Dourados, e poderiam ser mortos e comidos todas as noites e serem encontrados inteiros no dia seguinte; o espeto pertencia a ninfa dos mares da Ilha submersa de Finchory; e os três gritos deveriam ser dados na colina de um furioso guerreiro, Mochaen, que junto com seus filhos, estava jurado a não permitir que nenhum homem elevasse sua voz sobre a colina. Para se livrarem da pena de morte, os filhos de Turenn deveriam cumprir todas as tarefas.

Eles haviam cumprindo todas as tarefas, exceto por pegar o espeto da ninfa e por dar os três gritos, quando Lugh enfeitiçou-os para que esquecessem as tarefas restantes e retornassem à Irlanda com seus prêmios. Após receber os presentes, Lugh lembrou os três irmãos das tarefas restantes.

Deprimidos, foram eles completá-las. Brian, numa roupa mágica feita de água, dirigiu-se para a Ilha submersa de Finchory, e roubou o espeto dourado das ninfas. Finalmente, eles deveriam dar os gritos na colina protegida pelos guerreiros. Após uma grande batalha contra os protetores do silêncio da Colina de Machaen, os três irmãos, caídos fatalmente feridos, elevaram as vozes e sua dívida foi paga. Eles voltaram à Irlanda, onde seu pai Turenn suplicou que Lugh usasse a pele mágica para curá-los; mas ele se recusou, e os irmãos morreram.

Agora, Lugh estava preparado para a Batalha contra os Fomorianos. A batalha voltou a acontecer em Moytura onde uma vez as Tuatha Dé Danann derrotaram os Firbolg. Goban, o Ferreiro, Crédne[11], e Luchta, reparavam as armas dos Dananns com uma rapidez mágica. Não foram necessários mais do que três batidas de martelo para que Goban fizesse de uma espada ou uma lança, enquanto Luchta fazia os punhos onde elas seriam imediatamente encaixadas, e Luchta arremessava os punhos tão rapidamente, que estes voavam para seus lugares. Todos os homens feridos eram instantaneamente curados pela pele mágica. A planície ressoou o clamor da batalha:

“Amedrontador era o trovão que caia sobre o campo de batalha; o grito dos guerreiros, a quebra dos escudos, o brilho e o confronto das espadas; a força; a música, a harmonia dos dardos voando e o canto vindo das lanças.”

Os Fomorianos trouxeram seu campeão Balor, e ante seu Olho da Maldade, Nuada e muitos outros Dananns caíram. Mas sua pálpebra caia com facilidade, e vendo esta oportunidade, Lugh aproximou-se de Balor, e quando a pálpebra começou a levantar-se, ele lançou uma enorme pedra no seu olho, que penetrou o cérebro de Balor, matando-o. A profecia havia se cumprido, e Balor tinha sido morto pelo seu neto. Os Fomorianos foram expulsos, perdendo o poder sobre a Irlanda para sempre e Lugh foi feito rei após a morte de Nuada.

Os Fomorianos fugitivos capturaram a harpa de Dagda. Dagda, Ogma e Lugh perseguiram os Fomorianos até um grande salão de banquete. Dagda chamou sua harpa cantando:

"Venha, ó doce murmúrio! Venham quatro ângulos da harmonia, venha, Verão, venha Inverno, das cordas da harpa, sacos e flautas."

Imediatamente a harpa voou para suas mãos, matando nove Fomorianos que estavam em seu caminho. Então, Dagda tocou três nobres acordes em sua harpa, que todos os grandes harpistas sabiam tocar - "O Acorde do Lamento", que fez seus ouvintes chorarem; "O Acorde do Riso", que fez com que estes rissem e festejassem e "O Acorde do Sonho", que fez todos dormirem.

E desta forma, os três Dananns escaparam dos Fomorianos.

Segunda Parte - Os Filhos da Tribo de Dana

As deidades celtas eram tribais por natureza e cada tribo deveria ter seu próprio nome para cada Deus ou Deusa particular. Isto conta para a grande diversidade de nomes que encontramos na Mitologia Celta. Nas lendas das Tuatha Dé Danann aprendemos que, estes eram divindades de sabedoria, dons mágicos, artes e profissões manuais. As três coisas que eles reverenciavam acima de tudo eram: o arado, a aveleira e o Sol, uma vez que eram Deuses de um povo que considerava as esferas da Terra, as esferas dos Mistérios do Céu e as esferas do Espírito do Mar, como sendo de igual importância.

Após serem derrotados pelos pelos Filhos de Míl ou Milesianos, os filhos de Dana retiraram-se para as colinas subterrâneas (Sídhe), sob a Terra. Bodb Dearg (Bodb, O Vermelho) foi escolhido como rei, pois era o filho mais velho de Dagda. É dito que Bodb era iniciado em todos os mistérios e encantamentos. Ajudou Angus a encontrar a donzela de seus sonhos[12]. Ele ainda transformou Aoife em um 'demônio do ar', após ela trair o filho de Lir[13]. Ele tinha duas filhas, Scathniamh, que deu seu amor a Caoilte guerreiro dos Fianna, e Sabd, a mulher-cervo que amava Fionn.

Alguns dos Deuses se opuseram ao reinado de Bodb, especialmente Midir, outro filho de Dagda. Midir, o orgulhoso Senhor dos Sídhe. Ele mantinha três vacas mágicas e um caldeirão mágico. Ele é descrito nas lendas como um nobre príncipe de grande esplendor e beleza. Foi Midir que levou a amável Etaine para o Outro Mundo.

Os filhos de Dana são conhecidos como "Os Que Sempre Vivem", pois conhecem o segredo da imortalidade. Eles possuem o Banquete da Idade, assim, ninguém envelhece, pois são sustentados pelos porcos mágicos de Manannán e a cerveja de Goban, o Ferreiro. A arte do ferreiro é tida com muita estima pelos Deuses. As armas feitas da forja divina de Goban nunca perdem o seu fio. Goban sobrevive nas lendas irlandesas como "Goban Saor" o arquiteto lendário e o construtor de pontes da Irlanda.

Os filhos de Dana ainda possuem um médico muito especial, Diancecht. Ele era o guardião da fonte da saúde, juntamente com sua filha Diarmaid. Qualquer um que fosse morto ou ferido deveria ser colocado na fonte para viver e estar bem, novamente. Foi Miach, filho de Diancecht, que fez um braço de prata para Nuada, mas Diancecht em seu ciúme matou-o. A irmã Airmid plantou 365 ervas em sua horta e arranjou todas conforme suas propriedades, mas Diancecht tirou todas por sua ordem. Podemos ver que apesar de ser o Deus da Medicina, Diancecht tinha aspectos destrutivos. Existem horas em que a destruição é necessária para a preservação da vida.

Diancecht uma vez salvou a Irlanda; isto aconteceu desta forma: Morrighan deu a luz a uma criança tão terrível que Diancecht advertiu que ela deveria ser destruída. Dentro de seu coração encontraram três serpentes que, se tivessem sido deixadas vivas, destruiriam a Irlanda. Ele então, queimou as serpentes e depositou suas cinzas no rio mais próximo, que ferveu até secar.

Diancecht tinha outro filho, Kian, como vimos anteriormente foi pai de Lugh Lamhfada. Kian tinha uma vaca mágica que o Rei fomoriano, Balor, roubou. Determinado a vingar-se, Kian ouviu o conselho da Druidisa Biróg, que lhe disse sobre a profecia, onde Balor deveria ser morto por seu neto. Por esta razão Balor mantinha sua filha, Ethlinn presa numa torre. Com a ajuda de Biróg, Kian ganhou acesso à torre, e a bela Ethlinn deu a ele o seu amor. Deste amor três filhos nasceram mas somente Lugh sobreviveu, que foi dado à adoção para Tailltu, a Rainha Firbolg.

Os dois grandes rios da Irlanda, o Boyne e o Shannon, têm esses nomes graças a duas Deusas, Boann e Sinend. Bonnan é a Deusa da Fertilidade, cujo totem sagrado é a vaca. Ela era esposa de Nechtan, uma deidade da água, no entanto, o pai de seu filho Aengus não era nenhum além de Dagda. Para esconder sua união de Nechtan, Bonann e Dagda fizeram o Sol parar por nove meses, de forma que Aengus foi concebido e nascido no mesmo dia.

As águas do poço subiram a afogaram-na, e então o rio Shannon nasceu. O que nos é mostrado aqui é que não é preciso procurar o saber para satisfazer a mera curiosidade, ou alimentar o ego, pois tal conhecimento sobrepujará aquele que não está preparado. Procurando de forma diferente, no então, Shinend foi aceita pelo guardião do poço, mas foi obrigada a sacrificar seu ego e identidade para o bem de algo maior.

Outra Deusa celta fortemente associada com a água é Cliodna (Cleedna) dos cabelos de fogo, ela é considerada a contrapartida de Áine, filha de Manannán. A onda de Cliodna é uma dos três grandes tipos de ondas que ocorrem na Irlanda. Ela deixou os domínios de Manannán uma vez, acompanhada por seu amante, Ciabhan (Keevan), mas Manannán chamou por ela e a trouxe de volta à terra das fadas. Ela continua a ser lembrada como uma Grande e Justa Rainha dos Sídhe.

Há ainda muitas outras Deusas associadas com o reinado da Irlanda. Na época da chegada dos galeses, a Deusa da terra era representada por três grandes divindades regentes, conhecidas como Erin, Banda e Fodhla. Essas rainhas tinham dado seus nomes à Irlanda e Erin, o nome moderno da Irlanda, Eire. É interessante notar que essa Deusa apareceria em um momento como uma bela rainha, e na forma de um corvo, uma vez que ela não é ninguém além de Morrighan, a Deusa Irlandesa mais antiga de todas.

E os mitos continuam a ser encontrados nas florestas e em nas terras da sabedoris por buscadores sinceros. Esperamos, sinceramente, que você também possa ser capaz de encontrar um caminho para estar mais perto daqueles "Que Vivem Para Sempre"... Slàn!

Glossário do texto:

[1] Tuatha Dé Danann - Filhos da tribo de Dana, Deusa que deu origem a tudo. Identificada com a cor verde da vegetação da Irlanda.

[2] Nuada - rei das Tuatha Dé Danann; perdeu a mão na primeira batalha de Mag Tuireadh (Moytura) e, assim, precisou abdicar do trono porque os reis celtas tinham que ser absolutamente perfeitos; no entanto, Miach e a irmã Airmid fizeram uma mão de prata para ele, que recuperou o trono e passou a ser conhecido como Argetlamh, ou o Mão de Prata.

[3] Bres - filho de pai fomoriano e mãe Tuatha Dé Danann; casou-se com Brighid (Brig), filha de Dagda (O Bom Deus), devido a uma aliança entre dinastias. Tornou-se rei dos Tuatha, mas não tinha a generosidade necessária e perdeu o título quando foi satirizado pelo bardo Cairbre ou Corpry que ficou com o rosto cheio de bolhas e acabou restaurando o trono à Nuada. Isso levou a uma nova guerra entre os Fomorianos e as Tuatha e à consequente vitória destes, na Segunda Batalha de Magh Tuireadh (Moytura).

[4] Diancecht - o Deus praticante da cura das Tuatha Dé Danann. Tinha um filho (Miach) e uma filha (Airmid), que fizeram a Mão de Prata, substituindo a que Nuada tinha perdido na Primeira Batalha de Maigh Tuireadh (Moytura).

[5] Balor - o velho guerreiro que aparece nas lendas como rei dos Fomorianos. Esposo de Ceithlenn; pai de Eithne, portanto, avô de Lugh, o jovem Deus brilhante que o suplantou. Possuía um olhar mortal; nas lutas, havia a necessidade de quatro homens para levantar a pálpebra de Balor. Na Segunda Batalha de Magh Tuireadh (Moytura), Lugh matou Balor utilizando-se de uma funda para atirar uma pedra naquele enorme olho. O equivalente galês é Beli.

[6] Balor também é conhecido como "Olho do Mal", porque o olhar de seu único olho podia matar, como um raio, aqueles a quem ele olhava com raiva.

[7] Goban - ferreiro das Tuatha Dé Danann; com Credne e Luchtain formavam o "Trí Dé Dana"; fez as armas que as Tuatha usaram para derrotar os Fomorianos. Equivalente a Goibniu e Govannon (galês).

[8] Lugh - filho de Cian (Kian) das Tuatha Dé Danann e Eithne (também Etaine), filha de Balor (rei dos Fomorianos). Comandou as forças das Tuatha na vitoriosa Segunda Batalha de Mag Tuireadh (Moytura) contra os Fomorianos, na qual matou o avô Balor. É a figura extraordinária do Deus jovem irlandês que suplanta o Deus Velho; está associado à habilidade e à técnica; é conhecido como Lugh Samhioldanach (de muitas artes) e Lugh Lámhfhada (de mão comprida). Raiz da palavra gaélica que significa Agosto (Lúnasa), isto é, Lughnasadh (festa de Lugh). Corresponde ao Lleu Llaw Gyffes galês.

[9] Oghma - Grianaineach (Aquele que tem o semblante do Sol), Deus da sabedoria dos irlandeses, um das Tuatha Dé Danann filho de Dagda, inventou a escrita oracular ogâmica (Ogham). Essa escrita apareceu por volta do século IV d.C. Oghma não era nenhum erudito enclausurado, traço característico de uma sociedade guerreira para a qual a ousadia e a agilidade de pensamento nos assuntos de guerra eram de máxima importância. Oghma também era vencedor de batalhas, como seu equivalente galês Ógmios.

[10] Manannán Mac Lir - é o filho do Deus do mar, deu nome à ilha de Man, onde é cultuado. Filho de Llyr. Tinha um barco puxado por um cavalo chamado Enbharr, que significa "Espuma de água". Possuía um caldeirão mágico que lhe foi roubado por Cuchulain. O equivalente galês é Manawyddan.

[11] Crédne - um, das Tuatha Dé Danann que trabalhava com bronze; com o ferreiro Goibnu e o entalhador Luchtaine, fez as armas com que as Tuatha derrotaram os Fomorianos.

[12] Aengus Mac Óg - Jovem Deus do amor, filho de Dagda e de Boann, Deusa do Rio Boyne, "Mac Óg" significa "filho da virgem", no antigo sentido de Deusa ou mulher livre cuja posição depende de si mesma, e não de um simples consorte. Com um estratagema, Aengus conseguiu que o pai lhe desse Brugh na Boinne (Newgrange). Muitas vezes Aengus ajudou Diarmaid e Gráinne a fugirem da vingança de Fionn Mac Cumhal. Raptou Etain, mulher de Midir. Aengus Óg conheceu uma mulher de sonhos na Terra das Fadas. Durante um ano ela apareceu em seus sonhos tocando um instrumento de cordas mágico que o fazia cair no mais profundo dos sonhos. Querendo encontrar sua fada durante o dia, ele ficou doente de paixão, sem saber aonde ela ia ao amanhecer. Por fim, soube que, uma vez a cada dois anos, sua amada adquiria a forma de um cisne branco, num determinado lago. No dia 31 de outubro, dia consagrado à Samhain, ele dirigiu-se até o lago e chamou a sua amada, prometendo ficar com ela. Ela se aproximou e imediatamente o Deus foi transformado num cisne.

[13] Llyr - na mitologia galesa é o Deus do Mar, equivalente a Lir, o Senhor irlandês do mar. Llyr era pai de Bran, Branwen e Manawydan.

Referências bibliográficas:

Compêndios da Sociedade Irlandesa de Estudos Celtas
Primeira parte: Manuscritos da Biblioteca da Universidade de Dublin
Segunda Parte: Sociedade Irlandesa de Estudos Celtas
Autoria desconhecida - Revisão e adaptação: Rowena A. Seneween

Fonte de pesquisa: Internet Sacred Texts
Pronúncia em irlandês: Tionscadal Abair.ie
Créditos da imagem: Jen Delyth

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