Templo de Avalon - Caer Siddi :
Publicada por Rowena em 29/2/2012
Espaços sagrados que começam a transparecer
Tal como a névoa que se dissipa além das fronteiras,
Onde se honra os Deuses com devoção e respeito...
No bosque, nas águas e no centro do próprio ser.
Este pequeno poema nos faz refletir como a ligação entre o sagrado e o mundano é muito estreita na visão druídica, chegando a ser quase impossível separar o profano do espiritual ou o divino dos aspectos comuns da sociedade. Podemos observar também que a natureza é um fator essencial na sacralidade de um local de culto. E o que torna todo este processo sagrado são os pensamentos, palavras e ações emitidas por cada um de nós numa visão religiosa.

Sabemos que alguns locais druídicos possuem características especiais, como os montes, rochas, árvores, lagos, poços, fontes e rios, constituindo assim, uma passagem entre os mundos. Essas passagens, consequentemente, irradiam uma vibração muito forte, conhecidas como "correntes telúricas", que são correntes elétricas de baixa freqüência que se movem através do subsolo ou do mar, irradiando energias positivas que nos conectam às forças cósmicas.

Quantas vezes sentimos essa sensação boa ao entrarmos num local como esse?

Os espaços sagrados estão presentes nos gigantescos blocos de granito, em construções megalíticas como Stonehenge que, empiricamente, eram utilizados como captadores de correntes telúricas. Lembrando que os antigos druidas não construíram Stonehenge - sítio arqueológico localizado nas planícies de Salisbury, Inglaterra - eles, possivelmente, utilizaram-no para fins religiosos, para a previsão de acontecimentos e eventos astronômicos, como eclipses e mudanças das estações do ano.

Os círculos de pedras eram conhecidos como "Cromlech", considerados como locais sagrados ou santuários ao ar livre. As forças sobrenaturais, para os celtas, eram fenômenos naturais que não podiam ser ignoradas, pois toda árvore, montanha, pedra ou fonte possui seu próprio espírito divino, conhecido como "numen" ou "numina", no plural, termo em latim que significa presença divina ou força vital.

As árvores constituem o elo entre a Terra e o Céu e, conforme os relatos, os druidas oficiavam seus cultos próximos a elas, em bosques ou clareiras, chamadas de "Nemeton" que, em gaulês, significa lugar sagrado. O bosque sagrado ou "Fidnemed", em irlandês, é um local reservado à conexão com os Deuses, os antepassados e os espíritos da natureza.

Podemos dizer que os espaços sagrados não são feitos e sim encontrados intuitivamente e que nem tudo é sagrado, mas ficará impregnado de sacralidade ao nos conectarmos constantemente com a energia do local e consagrá-la a uma presença divina.

Então, reserve um local em sua casa ou, se preferir, encontre um lugar ao ar livre e crie o seu "Nemeton", altar ou santuário dedicado às divindades, ancestrais e espíritos da terra. Coloque ao redor componentes correspondentes aos Três Reinos: Céu, Terra e Mar, e faça uma pequena oferenda a eles. Quanto mais contato tiver com este espaço, mais sagrado ele se tornará.

Veja também: Altar Pagão - Ceisiwr Serith



Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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