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Ser Pagão

As figuras divinas e os mitos pagãos que resistiam à eliminação acabaram cristianizados.
Por Mircea Eliade

Na visão moderna, ser pagão é buscar constantemente harmonizar-se com a infinita sabedoria da natureza, onde se aprende diariamente através da linguagem do Céu, da Terra e do Mar, a decifrar sinais como: o movimento do vento nas folhas das árvores, o canto dos pássaros, o cheiro das ervas e das flores, a formação das nuvens no céu, além dos ciclos lunares e das marés. Com isso, entenderemos melhor sobre o amor e o respeito à Mãe Terra, bem como o verdadeiro equilíbrio entre o caos e o cosmos em nós mesmos.

Paganismo é um nome genérico que se refere às religiões politeístas, panteístas e animistas, ou seja, religiões que respeitam a natureza como um ser divino, que possui espírito e cultuam vários Deuses e Deusas, como o Druidismo, o Reconstrucionismo Celta, o Odinismo, entre outras.

Mas, que fique bem claro, pagão não é ateu e muito menos cultua o "diabo", que álias, é uma figura que existe apenas no meio judaíco-cristão e no imaginário coletivo, criada para dominar e manipular as pessoas através do medo e da culpa. Os pagãos acreditam e prestam culto às divindades e, no nosso caso, aos Deuses celtas, que possuem diferentes funções e atributos; aos espíritos da natureza e seus ancestrais, sejam de sangue, da terra local ou da tradição.

Apesar das diversas definições sobre o Paganismo, vale ressaltar que respeitamos a natureza como um ser sagrado. Pois toda religião natural de um povo é inerente ao paganismo, como por exemplo, o Japão que tem como religião ancestral, o Xintoísmo - o paganismo japonês, e a Índia com o Hinduísmo ou o paganismo indiano. Outro exemplo contemporâneo é o paganismo lituano ou a Romuva, religião étnica tradicional dos povos bálticos.

Atualmente, aqueles que seguem o Paganismo Celta - e que são politeístas, buscam aprimorar-se além das práticas diárias, gnoses pessoais e das celebrações dos seus ritos; estudam a história, a arqueologia, a antropologia, os mitos, as lendas e, tentam resgatar a cultura céltica e até algumas línguas celtas, como o Gaélico e o Galês.

A celebração dos Festivais Celtas - conforme a sua tradição, naturalmente, reconectam o homem aos ciclos da Terra e às mudanças das estações do ano. Cada ciclo reflete diretamente toda sua influência sobre nós e a partir deste princípio, passamos a vivenciar essas mudanças no nosso dia-a-dia.

Podemos encontrar uma grande variedade de tradições dentro do paganismo contemporâneo, mas esta variedade de experiências espirituais são apenas ramos diferentes da mesma árvore e, como tal, devem ser respeitadas como a representação máxima da crença individual. Sendo que, para nós, os maiores mestres do caminho são: os Ancestrais, a Natureza e os Deuses.

Então, fuja daqueles que possuem caldeirões lotados de ego negativo. Isso não significa que ser pagão é ser "perfeito". A iluminação ou inspiração poética são objetivos da espiritualidade druídica. O "bem" e o "mal" são relativos, pois o verdadeiro pagão ou politeísta busca equilíbrio entre a luz e a sombra, com responsabilidade e bom senso. Essa é a real iniciação da alma e do coração.

Rowena A. Senėwėen ®

O Caminho do Equilíbrio

O equilíbrio é algo que se deve buscar tanto no âmbito pessoal quanto através de uma visão universal. O povo pagão busca equilíbrio dentro de seus corações, na natureza e no Universo, porque perder o equilíbrio dentro de seu próprio ser é o mesmo que perder o equilíbrio com a ordem natural e com as Divindades. O equilíbrio é uma compreensão dos mundos da natureza e da humanidade com o Todo.

Conhecer o amor é o mesmo que ser capaz de ver a luz comum que corre por toda a vida, e verdadeiramente tocar as divindades. O amor é o que nos faz reconhecer aquele aspecto dentro de cada espírito humano que pertence ao reino divino e assim, apreciar suas virtudes. É a forma que temos de contemplar as qualidades dos Deuses dentro de nós, às vezes, como um caminho que nos faz admirar e respeitar os outros caminhos também. Se você não o encontrar dentro de si, não será capaz de encontrá-lo do lado de fora, porque essa é a natureza de toda a forma de amor.

A confiança não é apenas o fundamento do amor, mas é um código de vida. Se não existe confiança, o amor e a verdade serão sempre ilusórios, porque a confiança é a base forte sobre a qual suas casas são erguidas.

As palavras de sabedoria a seguir, que foram herdadas de algumas tradições, poderão servir como uma guia que se refere ao objetivo, benefícios e aos tipos de confiança.

"Escolha com cuidado em quem sua confiança será depositada, mas se ele for digno dela, a dê sem restrições."

"Se você não pode confiar naquele que será seu mestre, não permita que seu aprendizado dependa dele e busque seus conhecimentos em outro lugar."

"Há certas coisas que devem ser aceitas com confiança, até que o tempo seja capaz de clarear o caminho para sua compreensão."

"Não se deixe iludir! Se você não acredita no que vê, descarte a possibilidade." Que assim seja!

Fonte bibliográfica:

Caminhos Pagãos - Gwydion O’Hara

Verdades e Curiosidades

A partir do século IV, o cristianismo se tornou a religião oficial em Roma. Apesar disto, muitos continuaram fiéis ao seus Deuses e Deusas. Os habitantes do campo eram chamados "paganus" e por não terem aderido ao cristianismo passaram a serem perseguidos e forçados a conversão imposta por seus direngentes.

Desde época, todo aquele que não fosse cristão era considerado "pagão". A transição da religião pagã para a religião cristã, aconteceu durante um longo período da história. Nenhum pagão tornou-se cristão do dia para a noite. Os aristocratas foram os menos resistentes, porque percebiam o poder da nova crença, mas os habitantes dos campos (do latim paganus), recusavam-se a aceitar a nova fé.

Os sacerdotes do cristianismo passaram a adaptar as festas pagãs. Alguns templos pagãos, pouco a pouco, foram usados na construço de igrejas. A igreja cristã foi se tornando uma poderosa instituição. O que ela não podé destruir da "Antiga Religião", simplesmente adaptava, transformando crenças pagãs em cristãs.

Foi assim que surgiu o Natal. Nesta época os romanos festejavam Saturnália. Com o tempo, os camponeses começaram a aceitar a doutrina que falava de Jesus, um homem que havia sido pendurado na cruz em favor dos seus fiéis, lembrando o Deus nórdico Odin que havia se pendurado numa árvore para adquirir o conhecimento e a sabedoria das Runas, na Mitologia Nórdica.

Durante um período, houve uma fé dupla: acreditavam no novo Deus cristão, mas não abandonavam suas antigas crenças. Sabe-se que muitas orações cristãs foram criadas e/ou baseadas em encantamentos pagãos, como a Carmina Gadelica, por exemplo. A influência do cristianismo faz-se sentir em várias inscrições em que se nota uma clara mistura de religiosidades.

Na verdade, a igreja cristã nunca conseguiu extinguir, de fato, as crenças classificadas por ela como "pagãs". E no final do século XIV, começou a temporada de perseguição aos pagãos, a caça às bruxas e a tudo aquilo que era contrário às crenças cristãs. Infelizmente, muitas pessoas morreram injustamente, acusadas de prática pagãs ou de bruxaria.

"O reino dos Deuses é uma dimensão esquecida do mundo que conhecemos, mas a alma do herói avaça com ousadia e descobre bruxas convertidas em Deusas e dragões em seus guardiões." Joseph Campbell.

Esse tempo é passado e de agora em diante vale ressaltar o princípio da liberdade religiosa, através da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Artigo 18, que diz o seguinte:

"Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos sagrados."

Garatindo assim o respeito mútuo e a liberdade de todas as expressões, tanto religiosa como metafísica.

Fontes bibliográficas:
- CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito. SP: Palas Athena, 1990.
- CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Ed. Cultrix Pensamento, 1997.
- ELIADE, Mircea. Mito do Eterno Retorno. São Paulo: Mercuryo, 1992.

Rowena A. Senėwėen ®

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Rowena A. Senėwėen
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