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O Awen e a Tradição Oral dos Druidas

Enviado em 19/07/2011 (6224 leituras)

Tecnicamente, esta pequena palavra Galesa (Awen) significa “espírito que flui”, definitivamente é difícil traduzir em palavras o sentimento que ela representa no Druidismo e, consequentemente, na vida de cada um. Eu costumo imaginá-la como um Rio de águas bravias correndo e fluindo para seu desfecho em uma belíssima queda d’água, a Cachoeira que deságua em uma indescritível sincronia de micro partículas, que devido a força desta queda, formam um estonteante Arco-Íris, nesta sinergia natural, continua a “dança cíclica” novamente e novamente em um contínuo infinito fluxo de sabores e prazeres.


Sentir o Awen é deixar fluir o verdadeiro Espírito, verdadeiro Amor, é o encontro com a delicada sensação de gozo que a alma exala quando tocada pelo esplendor da Criação. Contemplar um maravilhoso nascer ou pôr do Sol, ser banhado pela luz da Lua ou sermos “capturados” por uma melodia de uma canção que nos conecta com algo inexplicável e tangível... Ter acesso ao horizonte de Tir na nÓg no Oeste, onde dormem os guerreiros/Deuses/poetas, sentir os ventos que abrem os caminhos no Leste, a transformação que vem do Fogo no Sul ou ver definidos a nossa frente os traços do Norte.

O Awen é o princípio, a criação da vida, a concepção divina que manifesta o Ser. Em uma frase de Philip Carr Gomm, líder da OBOD (Ordem de Bardos, Ovates e Druidas da Inglaterra), ao redor da fogueira após entoar o “mantra” do Awen ele diz: Awen pode ser separada em três iniciais e seus significados são: A = o princípio masculino, a força, o vigor, a virilidade; W (pronuncia-se como um “U”) = o princípio feminino, a graça, a beleza, a intuição e EN = a criança, o resultado do encontro de duas partes “distintas”, a conclusão de algo “inesperado”, ainda se formado fisicamente, passivo de uma “formação intelectual”, a semente do futuro.

Trataremos agora de uma questão muito levantada por muitos estudantes de Druidismo, o porquê do Druidismo ser uma tradição oral e não escrita, como as “mais convencionais” e deixar correr o risco de poder ser alterada, talvez não pelo discernimento de cada um, mas pelo modo como foi “repassado”, como o ouvinte entendeu e concebeu este ensinamento. Isto é relevante, pois lidamos com quase dois mil anos de "clandestinidade” de historias.

Sabe-se que o que temos relatado sobre tudo que engloba os Celtas nos foi deixado por César, uma história contada pelos “vitoriosos”, por monges copistas (Druidas “convertidos”?) e, também, pelos gregos e filósofos como Tito Lívio e Plínio “O velho”.

Os Druidas do passado acreditavam que conhecimento escrito era conhecimento morto, no sentido de perpetuar um ensinamento abdicando-o de qualquer adaptação inerente e as necessidades de cada tempo. Acredito que os Druidas foram sábios e otimistas, é claro que eles sabiam que alguma alteração grave poderia ser premeditada por interesses que nada teriam a ver com os princípios reais do Druidismo e até destruir boa parte do que foi ensinado, sua verdadeira essência, como de fato, em 1717 no “ressurgimento” do Druidismo, o irlandês John Toland em parceria com o inglês John Aubrey fundiu princípios maçônicos ao mesmo para formar então, a “primeira ordem druídica”, a Druid Order. Fato que até hoje causa certa confusão para algumas pessoas.

Creio, também, que os Druidas ancestrais acreditaram na força e no poder da tradição, na sobrevivência de algo que teria extrema utilidade no futuro, para "moldar" uma realidade distorcida dos fatos atuais. Mas, felizmente, através de um galês mais conhecido como Iolo Morgawng, o Druidismo começou a tomar sua forma verdadeira e, mais tarde, teria sua “independência” graças a uma ordem druídica inglesa chamada OBOD (Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas) fundada por Ross Nichols, liderada atualmente pelo já citado, Philip Carr Gomm.

Acho que os Druidas do passado confiaram muito neste desfecho positivo, afinal de contas, a história Celta se refugiou nos mitos para sobreviver através dos tempos, esta necessidade de resgatar as raízes perdidas que seguindo os acontecimentos seriam despertados, principalmente, os relacionados ao meio ambiente seria imprescindível para a sobrevivência de nossa espécie no planeta, digo isso, até não necessariamente como uma religião, mas como espiritualidade, uma “nova consciência” que seria despertada pela necessidade, não pelo amor... Infelizmente!

E, acredito ainda, que vai além de nossa compreensão, mas talvez, fique aqui uma forma de pensar e que ajude de certa forma, a entendermos melhor esta vasta e complexa sabedoria ancestral, e o que ela nos traz, principalmente, nos dias atuais.

Awen a todos /|\

Por Ëldrich Hazel Ybyrapytã
Caminhante que busca o despertar da consciência através da meditação e da compaixão.

Ëldrich, filho da Avelãzeira:
"Somos todos folhas da mesma Árvore"
E-mail:
eldrich@templodeavalon.com

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