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As Pedras Rúnicas

Estela RúnarAs Runas foram descritas como uma forma de escrita, que servia tanto para a comunicação como para fins memorialistas. Geralmente, inscritas em pedras num alfabeto antigo, com letras características, utilizadas pelos vikings para proteção, encanamentos e na feitura de talismãs, os métodos usados por eles são desconhecidos.

Em todas as suas variedades, as Runas podem ser consideradas como uma antiga forma de escrita da Europa do Norte. A versão escandinava que também é conhecida como Futhark, derivado das suas primeiras seis letras: 'F', 'U' 'Th', 'A', 'R', e 'K'), e a versão anglo-saxônica conhecida como Futhorc, devido a convivência entre os dois alfabetos.

As inscrições rúnicas mais antigas datam de cerca do ano 150, e o alfabeto foi substituído pelo alfabeto latino com a cristianização, por volta do século VI na Europa Central e no século XI, na Escandinávia. Conforme explica o Prof. Dr. Johnni Langer: A magia rúnica era especialmente importante, cada Runa ocupava um efeito especial de feitiço ou magia. O especialista em Runas era chamado de "Rúna - Meistari". A prática de gravar Runas foi um privilégio da elite e dos membros da aristocracia os "jarls" ou condes, com a tradição de usar as Runas para prestar homenagem aos vivos e aos mortos.

Canto Rúnico a Odin - Edda

"Encontrarás nas Runas,
Símbolos encantados,
Bons, fortes e poderosos,
Como assim quis o Senhor da Magia,
Como assim fizeram os Deuses propícios,
Como assim gravou o Príncipe dos Sábios."

Porém, as Runas não foram inventadas. O antigo poema Hávamál narra o mito onde Odin fez um auto sacrifício ao se dependurar na árvore do mundo, a Yggdrasil, para obter a sabedoria das Runas. Ele ficou pendurado, soprado ao vento por nove noites e nove dias, sem água e nem comida, além de ser ferido por sua própria lança. Quando estava prestes a morrer, foi levando ao mundo dos mortos como numa jornada xamânica. Encontrou-as debaixo da raiz da grande árvore e agarrou-as para salvar sua vida. Retornou vitorioso e trouxe consigo todo o conhecimento das Runas.

"Sei que fiquei pendurado,
Na árvore fustigada pelo vento,
Por nove dias e nove noites,
E fui espetado por uma lança
Entregue a mim mesmo...
Não me ajudaram
Nem deram-me de comer ou beber.
Olhei para baixo e apanhei as Runas,
Gritando, apanhei-as e então, caí."

Supostamente, a palavra "runa" significa "segredo" ou "mistério", na língua germânica. As Runas eram usadas, também, como talismãs para à proteção. Há vários registros arqueológicos da sua utilização, entalhadas em armas, batentes de portas, copos e chifres que eram usados como cálices.

O Futhark antigo com 24 sinais alfabéticos, ainda é o mais utilizados entre nós na forma de conselhos e como amuletos. As Runas são divididas em três grupos d e oito símbolos, chamadas aett ou aettir, no plural, e nos permitem acessar o que chamamos de "o inconsciente coletivo das possibilidades". 

1. A Criação - Aett de Fehu:

O primeiro jogo de 8 Runas representa a criação do mundo, a fertilidade e início da vida. Regido pelo Deus Freyr, diz respeito à realização material e do plano físico.

Fehu (Fêihu) - O gado, a riqueza
Posição normal: riquezas materiais e espirituais, sucesso e vitória.
Invertida: Frustrações, impasses e perda de estima pessoal.

Uruz (Úruz) - O touro bravo, a força
Posição normal: Boa sorte, amadurecimento, determinação e progresso.
Invertida: Oportunidades perdidas, influências negativas e desânimo.

Thurisaz (Thurisáz) - Os espinhos  
Posição normal: Proteção de Thor, decisão importante a tomar e entusiasmo.
Invertida: Decisões precipitados, cautela e más notícias.

Ansuz (Änsuz) - Palavras de Odin
Posição normal: Sabedoria, inspiração e conselho dado por pessoa mais velha.
Invertida: Falta de comunicação, futilidade e movimento inútil.

Raidho (Raithô) - A carruagem
Posição normal: Viagem, decisão e progressos em direção às metas da vida.
Invertida: Rompimentos, fracassos e viagens desagradáveis.

Kenaz (Kenaz) - A tocha
Posição normal: Renovação, novos começos e iluminação.
Invertida: Perda de prestígio social ou de posses valiosas, fim de um ciclo.

Gebo (Gueibo) - O presente
Posição normal: União, equilíbrio, bons negócios e amor correspondido.
Invertida: Não tem posição invertida.

Wunjo (Uúnjo) - A alegria
Posição normal: Felicidade, bem estar e transformação para melhor.
Invertida: Infelicidade emocional, crises e perdas afetivas.

2. A Necessidade - Aett de Hagal:

O segundo Aett de 8 Runas, ensina-nos a aprender com as adversidades da vida. Regido pelas forças da natureza e dos elementais, diz respeito ao plano emocional.

Hagalaz (Hagalaz) - O granizo
Posição normal: Precauções, obstáculos, limitações e adiamento dos planos.
Invertida: Essa Runa não tem posição invertida. Símbolo enigmático.

Naudhiz (Nauthis) - A necessidade
Posição normal: Paciência, limitações e cautela em seus planos.
Invertida: Evite a precipitação, controle a raiva e aprenda com a adversidade. Dependendo do material estudado não há posição invertida.

Isa (Ísa) - O gelo
Posição normal: Concentração, saiba esperar o momento oportuno.
Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

Jera (Jéra) - A colheita do ano
Posição normal: Ciclo de colheita e recompensas, alegria e satisfação.
Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

Eihwaz (Éiuaz) - O teixo
Posição normal: Proteção, final de um ciclo e começo de uma nova vida.
Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

Perdhro (Perthro) - Algo oculto
Posição normal: Ganhos inesperados, conhecimentos ocultos e espirituais.
Invertida: Desapontamentos, traições e paciência.

Algiz (Algiz) - A proteção do alce
Posição normal: Viagem, novos caminhos, alegria e progresso.
Invertida: Inquietação, vulnerabilidade e perigos vindos de fora.

Sowelo (Souelú) - O Sol
Posição normal: Auto-realização, regeneração, sucesso e vitória.
Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

3. A Humanidade - Aett de Tyr:

O terceiro Aett de 8 Runas, nos mostra como conduzir a nossa vida. Regido pelo Deus Tyr, o guerreiro que invoca a justiça e diz respeito à realização do plano espiritual.

Tiwaz (Tiuás) - O Deus Tyr
Posição normal: Vitórias, discernimento, honra e justiça.
Invertida: Problemas emocionais e força vital sendo desperdiçada.

Berkana (Bercana) - O vidoeiro
Posição normal: Renovação, nascimento de um bebê ou nova idéia.
Invertida: Confusão. Desânimo, separações e carências.

Ehwaz (Éuaz) - O cavalo
Posição normal: Movimento, mudanças, progresso e lealdade.
Invertida: Saber esperar, evitar ação e mudanças.

Mannaz (Mánaz) - O homem
Posição normal: Integração, confiança e clareza interior.
Invertida: Falta de fé, bloqueios e inimigos ocultos.

Laguz (Lagús) - A água
Posição normal: Fluidez das emoções, intuição e poderes psíquicos.
Invertida: Pensamentos confusos, enganos e fracassos.

Inguz (Ingúz) - A fertilidade
Posição normal: Realização de um sonho, gestação, amor e sexualidade.
Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

Dagaz (Dagaz) - O dia
Posição normal: Prosperidade, mudanças e transformações positivas.
Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

Othila (Ocíla) - A herança
Posição normal: Sabedoria ancestral, propriedade, heranças e notícias de longe.
Invertida: Problemas com propriedade e heranças.

Por fim, as nossas escolhas estão baseadas na fé, na vontade e na ação. Somos fruto do passado (Urd), caminhantes do presente (Verdandi), escrito no pergaminho secreto do futuro (Skuld). Somos os responsáveis pela magia de fazermos nossa vida melhor. Abençoados pelas "Norns", as Senhoras do Destino, que tecem cada novo fio de energia que emitimos.

Particularmente, não trabalho com "runas invertidas" e nem com a "runa branca", pois elas são bem específicas nas mensagens e presságios ao lançá-las. Essa é uma prática pessoal podendo ou não ser seguida.

Leia o artigo sobre os talismãs rúnicos e a sua confecção: Símbolos Rúnicos.
Prof. Dr. Johnni Langer: Sete erros históricos sobre Runas e Magia Rúnica.
Prof. Leandro Vilar e membro do NEVE: Runas e pedras rúnicas: guia visual.

Rowena A. Senėwėen ®
Todos os direitos reservados.

Referência bibliográfica:
A Magia das Runas - Ruth e Beatriz Adler
Hilda R. Ellis Davidson - Deuses e Mitos do Norte da Europa


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Rowena A. Senėwėen