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Culhwch e Olwen

Publicado por Rowena em 19/11/2010 (10176 leituras)

Em "Culhwch e Olwen" o rei Arthur e seus cavaleiros aparecem num cenrio totalmente cltico da Idade do Ferro, com referncias Mabon e aos ferreiros, descrevendo uma histria envolvente, repleta de seres mticos e animais sagrados.

Logo aps o nascimento de Culhwch (Keel-hookh), sua me adoeceu gravemente e, antes de morrer, fez o marido jurar que ele no se casaria novamente, at que em sua sepultura nascesse uma roseira com dois botes. No tardou e a rainha faleceu.

Alguns anos mais tarde, a roseira floriu no sepulcro sagrado e, finalmente, o rei Celyddon casou-se com a viva do rei Doged. Esta imediatamente fez com que seu enteado, Culhwch, prometesse que se casaria apenas com Olwen, da corte de Arthur.

- "Eu ainda no estou em idade de casar", respondeu o jovem. Ento ela disse-lhe: "Declaro a ti que teu destino casar-se com Olwen, a filha de Yspaddaden Penkawr".

O que fez o jovem corar de amor pela donzela, embora nunca a tivesse visto.

Passados alguns dias, seu pai, percebendo a agitao do filho, perguntou-lhe: - "O que veio abater sobre vs, meu filho, o que tens?"

- "Minha madrasta declarou que eu nunca terei uma esposa, a no ser que eu obtenha a mo de Olwen, filha de Yspaddaden Penkawr". Disse o rapaz, cabisbaixo.

- "Isso vai ser fcil", respondeu o pai. - "Arthur seu primo. V at ele e pea a sua ajuda e sua bno tambm."

Culhwch, ento, cavalgou at a corte de Arthur, montado em seu belo cavalo cinzento, que estava adornado com uma capa de cor prpura, com uma ma dourada bordada em cada lado do tecido. O freio, a sela, os estribos e as ferraduras do cavalo eram de ouro e ele parecia flutuar sobre o solo, ao galopar. Em cada uma das suas mos, empunhava uma lana de prata, na cintura, uma espada de ouro e, caminhando ao seu lado, dois ces de caa.

Todos na corte ficaram impressionados quando o jovem adentrou o ptio a cavalo.

Arthur, ento, deu as boas-vindas ao estranho e lhe ofereceu um lugar de destaque no banquete. Culhwch agradeceu e disse: - "Senhor, no venho por comida e nem por bebida, mas para solicitar sua ajuda!"

- "Tereis qualquer coisa da terra ou do mar, que esteja abaixo do cu." Respondeu Arthur.

- "Exceto meus barcos, espada, lana, manto, escudo e minha amada Guinevere. Mas, antes se apresente, sei que vieste do meu sangue, portanto, diga-me quem s."

- "Eu te direi", disse o jovem. - "Sou Culhwch, filho de Celyddon e Goleuddydd, minha me, a filha do prncipe Anlawdd".

- "Isso verdade", disse Arthur. - "Tu s o meu primo, seja qual for o seu pedido, a beno eu lhe concedo."

- "Ento, peo-lhe Olwen, a filha de Yspaddaden."

- "Nunca ouvi falar dessa mulher, mas meus homens iro procur-la por todo o reino durante um ano e aguardar aqui como meu hspede."

Um ano depois, os homens regressaram sem obter nenhuma notcia da tal moa. Culhwch, muito triste, disse: - "Deixarei esse lugar com uma parte da vossa honra."

"Como se atreve insultar nosso rei?", gritou Kay. "Venha conosco e poder ver com seus prprios olhos que a mulher que procuras no se encontra em lugar algum."

Kay um dos grandes heris da corte de Arhur. Diz a lenda que ele sustentou a respirao durante nove dias e nove noites, para se curar de um ferimento de espada. Alm disso, podia crescer at a altura de uma rvore e acender uma fogueira apenas com o calor da palma da sua mo, se assim o quisesse.

Arthur selecionou Kay e mais alguns dos seus heris para acompanhar Culhwch em sua busca impetuosa.

Escolheu tambm Bedwyr (Bedivere), que andava sempre junto a Kay e que nenhum outro homem do reino, exceto Arhtur, poderia super-lo com a lana, pois tinha o mesmo poder de nove lanas, embora ele tivesse uma mo s, possua a fora equivalente a de trs guerreiros.

Kynddelig seria o guia da expedio, pois ele conhecia todos os lugares sem mesmo nunca ter ido a qualquer um deles antes.

Arthur chamou Gwrhyr que sabia falar todas as lnguas dos homens e dos animais; o seu sobrinho e herdeiro do trono, Gwyar (Gawain) que nunca regressava de uma misso sem cumpri-la.

E, finalmente, Menw, que podia lanar encantamentos para que o grupo ficasse invisvel aos seus inimigos.

Os heris cavalgaram pelas montanhas durante dias, at chegar a uma grande plancie, onde avistaram um magnfico castelo e seguiram em sua direo. Mas quanto mais andavam, menos se aproximavam do tal castelo, que parecia envolto numa bruma misteriosa.

Em um monte prximo do castelo havia um pastor gigante, pastoreando suas ovelhas, que pareciam se estender at o horizonte. Falaram com o pastor, que os alertou que nenhum homem jamais sara vivo daquele castelo.

Vieram, a saber, depois, que o pastor se chamava Custennin e era irmo de Yspaddaden Penkawr, pai de Olwen. Imediatamente, Culhwch ofereceu um anel de ouro a ele, como recompensa pela informao dada. Custennin, ento, convidou-os a irem at a sua cabana e levou o anel para sua esposa.

Entraram na cabana do pastor e a mulher serviu-lhes o jantar. Depois, perguntaram sobre Olwen. - "Ela vem aqui todos os sbados para lavar os cabelos, mas prometa-me que no lhe faro mal algum, pois ela a mais bela e adorvel donzela do reino." Disse a senhora.

-"Sim, ns prometemos", disseram eles. E, assim, uma mensagem foi enviada at ela.

A moa, ento, chegou ao vale com um lindo vestido de seda da cor do fogo, com uma gola de ouro avermelhado, adornado com rubis e esmeraldas. O seu cabelo era mais dourado que o amarelo do sol e sua pele mais branca que a espuma do mar. Os seus olhos brilhavam como os de um falco e flores brancas surgiam por onde ela pisava, por isso, era chamada de Olwen, que significa "Rastro Branco".

Culhwch declarou o seu amor pela moa e Olwen retribuiu-lhe o amor, mas antes de qualquer envolvimento, ele deveria executar algumas tarefas determinadas por seu pai, para merecer a sua mo. Olwen conduziu Culhwch e os seus companheiros at o castelo e apresentou-lhes o rei.

-"Saudaes do cu e dos homens a ti, Yspaddaden Penkawr", disseram eles. "Viemos pedir a mo de tua filha, Olwen, em casamento para Culhwch, filho de Celyddon." E Yspaddaden, respondeu: - "Deixe-me ver que espcie de homem deseja ser meu genro."

Quando Yspaddaden viu Culhwch, mandou o grupo embora prometendo uma resposta no dia seguinte, mas quando eles se retiraram, o velho rei lanou um dardo envenenado s suas costas. Bedwyr ouviu o sibilar do dardo e apanhando-o no ar, devolveu-o a Yspaddaden, atingindo-lhe no joelho. Aos berros ele diz: - " assim que meu genro me trata?, e continuou: "Vou coxear eternamente por causa da sua rudeza, maldita seja a bigorna do ferreiro que forjou esse dardo!"

Culhwch e os guerreiros retornaram cabana do gigante e no dia seguinte foram at Yspaddaden, para saber a sua deciso. - "Devers pedir a permisso aos quatro bisavs de Olwen.", disse o rei. E quando se viraram para sair, Yspaddaden, lanou outro dardo de ferro em suas costas, mas desta vez foi Menw quem devolveu o dardo ao dono, atingindo-o no peito. - "Uma praga eu rogo a esse genro sem corao!", e disse: - "Agora no poderei mais subir a colina por causa da dor no peito, maldita seja a bigorna do ferreiro que forjou esse dardo!"

No dia seguinte, mais uma vez, os guerreiros compareceram diante do rei, que novamente, lanou outro dardo a suas costas, ao que desta vez, Culhwch apanhou no ar e lanou no olho de Yspaddaden. - "Nunca mais enxergarei como antes, por causa da insolncia do meu genro." E disse: - "Maldita seja a bigorna do ferreiro que forjou esse dardo!"

Depois disso, todos se sentaram mesa para comer e Yspaddaden voltou-se a Culhwch, dizendo: - "Como voc realmente pretende se casar com minha filha, primeiro dever me prometer que nunca ir lhe ofender injustamente. Em segundo lugar, dever me trazer o que lhe pedir e s depois disso a minha filha ser sua."

-"Ento, faa o seu pedido, meu rei", respondeu Culhwch.

-"H anos minha barba e o meu cabelo no so cortados, porm, o nico pente e navalha que faro esse servio se encontram entre as orelhas do grande javali Twrch Trwyth. Ser impossvel ca-lo sem a ajuda de Mabon, mas antes voc dever descobrir onde ele reside agora e somente Eidoel, seu primo, poder encontr-lo."

Culhwch e os guerreiros partiram em busca de Eidoel, seguindo o conselho de uma ave encantada, o melro de Cilgwri, que com a ajuda de Gwrhyr, perguntou-lhe: "Diga-nos onde encontraremos Mabon, que foi roubado de sua me, nas trs primeiras noites de vida."

- "H muito tempo havia uma bigorna, na qual dei muitas bicadas at reduzi-la ao tamanho de uma noz e durante todo esse tempo, nunca ouvi falar de Mabon. Mas, h uma raa de animais que nasceram muito antes de mim, vou lev-los at eles."

E o melro de Cilgwri levou-os at o veado de Redynvre.

- "Viemos at aqui, grande ser sagrado, pois no h nenhum animal mais velho que voc, portanto, diga-nos onde podemos encontrar Mabon, o Caador?" Perguntou Gwrhyr.

- "H muito tempo havia uma grande plancie neste lugar, mas nela nada crescia exceto um carvalho que eu vi se transformar numa rvore enorme e, com o passar dos anos, definhou at restar apenas um toco. Durante todo esse tempo, nunca ouvi falar de Mabon. Mas, vou lev-los a uma criatura que mais velha que eu."

Ento, o veado de Redynvre levou-os coruja de Cwn Cawlwyd.

- "Diria se soubesse", disse a coruja a Gwrhyr. "Quando eu vim para essas paragens pela primeira vez, esse vale era todo arborizado, at que nasceu a raa dos homens e arrancou todas as rvores. Durante todo esse tempo nunca ouvi falar do homem que procuram. Mas, vou lev-los a um animal mais antigo do que eu, a guia de Gwern Abwy."

- "Muitas eras se passaram desde que cheguei aqui", comentou a guia com Gwrhyr. "Este rochedo era to alto que durante a noite eu podia bicar as estrelas l no cu, mas hoje ele tem apenas um palmo de altura. Durante todo esse tempo nunca ouvi falar de Mabon. Porm, h muitos anos, quando pairava por cima das guas de Llyn Llyw em busca de comida, avistei um salmo. Quando mergulhei para apanh-lo, ele me arrastou ao fundo, mas conseguiu fugir. Depois disso ficamos amigos. Ele deve ser mais velho que eu, ento, vou lev-los at o salmo de Llyn Llyw."

Chegando ao local, a guia disse ao salmo: - "Vim aqui visit-lo, velho amigo, pois esses homens so da corte do rei Arthur e esto procura de Mabon."

- "O que posso dizer que testemunhei muitos fatos, rio acima," respondeu o salmo. "Venha comigo para averiguar aquilo que eu vi." Aos pulos percorreu as guas geladas, levando-os at um castelo junto ao rio, de onde altos gritos ecoavam de uma masmorra. - "Quem chora to desoladamente, dentro dessa priso de pedra?" Perguntou Gwrhyr.

Ao que se ouviu como resposta: - "Sou eu, Mabon, filho de Modron." Imediatamente, os guerreiros voltaram corte de Arthur, que reuniu todo seu exrcito para sitiar o tal castelo de nome Cloucester. Durante a batalha, Kay e Gwrhyr, entraram na masmorra do lado do rio e libertaram Mabon, que fugiu nas costas do salmo de Llyn Llyw.

Em seguida, Arthur convocou todos seus guerreiros da ilha da Bretanha para capturarem o javali Twrch Trwyth, que agora vivia na Irlanda. A caada, ento, comeou e os ces foram soltos atrs do javali, que fugiu para o Pas de Gales, mas finalmente, na Cornualha, foi capturado por Mabon que, juntamente com Kay, apanhou a navalha e depois o pente de ouro. Twrch Trwyth - o javali - desapareceu mar adentro, para nunca mais ser visto.

Por fim, os guerreiros retornaram ao castelo de Yspaddaden e sua barba e cabelo foram cortados. Culhwch perguntou ao rei: - "Sua barba e seu cabelo esto bem feitos? " - "Sim", disse Yspaddaden, "Minha filha agora sua! Mas voc nunca a teria ganhado sem a ajuda de Arthur e eu nunca teria desistido dela por minha livre e espontnea vontade. Ento, agora eu morro ao perd-la!"

E foi assim que Culhwch casou-se com Olwen, a filha de Yspaddaden Penkawr.

Fonte Bibliogrfica:
Introduo Mitologia Cltica - David Bellingham.
Contos Nativos do Mabionogion por Charlotte Guest.

Rowena A. Senėwėen ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

Website:
www.templodeavalon.com
Brumas do Tempo:
www.brumasdotempo.blogspot.com
Trs Reinos Celtas:
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