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Na praia contemplativa de uma nau errante

Enviado em 23/08/2011 (1435 leituras)

Eis que desperto, vinda de um sonho confuso, que ora se apresentava desperto, ora se matinha acuado em um canto distante de um espaço lúdico que não se comunicava com minha carnalidade, minha materialidade nesse plano. Duas "pessoas" habitando o mesmo corpo...

Uma, segura de sua missão, devotada nos mistérios antigos dos ensinamentos de outras orbes espirituais. Outra, "aterrada" demais, perdida na ocisão do que a dicotomia alma-corpo traz de mais desafiador para a evolução. Quem está aqui, por agora? (um sorriso já acena a resposta): eis-me de volta, como sempre estive, pois sou UNA, por mais que tente me convencer que não...

Meu estado onírico de sonolência-em-despertar lembrou-me desta figura de Waterhouse: uma contemplativa mulher, sentada, fixa e firme, em uma rocha, contemplando uma nau à deriva. No semblante, resignação e calmaria, mesmo diante da tempestade a atordoar o cenário.


Assim foi com minha alma durante esse delicioso tempo de despertar (mais um, desperto e durmo tanto!).

Meus processos de despertar têm sido, a cada dia que passa, mais rápidos, mais interessantes, mais catalisadores de outros mais e mais processos. Uma avalanche de situações que não me são mais inimigas, vitimizadoras.

Não lamento mais a intempérie... que nada! São-me sempre bem-vindas, podem entrar e ficar até tudo se dissipar no universo akáshico - apenas estou deixando o fluxo da tempestade que testa, sempre, as naus de minha própria vida e limitações... Se adoeço é porque ainda preciso acessar esse mecanismo "autolimpante", de acordo com minha potencialidade de desenvolver, no plano físico, a programação feita há tempos. Quando escrevo... ah, quando escrevo! Acaba-se, então, mais um processo, pois a mente (danada), programa o restante.

Prosto-me, assim, diante da nau, vendo os ciclos de ondas que vêm e vão. Isso tanto foi visível que a maior parte dos meus sonhos enquanto dormia em carne envolviam mar, tsunamis e casas. Tudo meu se "ajeitando", ao final, para que pudesse cumprir mais um tópico no checklist de minha sina.

Acordei com um afã de VIDA típico dos maravilhosos inícios de ciclos: eis-me aqui sempre cheia de ciclos, lançando-me, em cada momento, na colheita sábia de meus passos deixados para trás.

Com esse ímpeto - ímpeto de minha alma, ariana alma ígnea e bombástica - sagrei-me ao meu panteão ancestral, invocando aqueles e aquelas que estão, comigo, para mim e por mim (para o MUNDO), a militar pelas hordas do AMOR, da COMPREENSÃO, da JUSTIÇA, da HONRA e da VERDADE...

Quanto júbilo pode residir em uma alma que, assim com a formosa senhora na praia, olha suas naus de ilusão dissipando-se entre as pedras que as lições pessoais apresentam?

Indescritível sinfonia de sereias que, de volta, entoam os cantos dentro da minha alma que, momentaneamente, viu-se em silêncio sombrio, imersa em seus medos e, para além deles, descobriu-se, pouco a pouco, mas muito a muito, em cada uma das benevolentes situações que o Universo conspira em me mostrar!

Como fugir de mim?

Fugir e negar a experiência é me esquivar do que, interna, emocional, física e espiritualmente tenho como certeza: apenas navegar, porque o que deverei de cumprir desenlaça-se bem à minha frente! É a certeza de erguer os braços para abraçar o Infinito desconhecido para meus "medos" pessoais de estar em carne, para me embalar na imensa fé de conspiração do espírito!

Olhar a praia...

Foi com esse "perfume" exalando de mim que meus ritos, hoje, tiveram a nuance do frescor!

A Sacralidade me dispunha num cone palaciano de eclosões acalentadas pela força da alma que, enfim, retorna para seu espaço de origem: o berço do Sagrado... pulsando num rompante a demonstrar que nada, nada pode abalar a alma, que é IMORTAL...

Tudo aqui em meu castelo está a conspirar...

O que seriam "doenças" a assolar o corpo suado e cansado são EXPURGOS agora, todas elas, pois a 'doença' é a cura, a liberação energética que usamos para produzir a limpeza interna e crescer, voar para alcançar o Infinito dentro de cada uma de nós.

O silêncio que outrora era sepulcral (o sepulcro da mina alma agrilhoada) rendeu-se, enfim, para o silêncio dourado da paz... Estou em paz.

Sem julgamentos, sem dramas ou fórmulas. Não existem fórmulas para o viver... Vive-se...e, na vivência, agregam-se sabedoria e crescimento. Como deixar isso passar em branco? Já dizia Virginia Woolf que "não se pode ter paz evitando a vida".

A vida, com tudo que existe nela - tudo, sem falar em maniqueísmo do que é bom ou ruim - tudo na vida nos encaminha para vivê-la. Estamos aqui para penetração do âmago de nossas intempéries e, segundo nossa linha de escolha dentro de nossa trajetória evolutiva, permitimo-nos... sim, sempre! Cada um sabe onde o sapato aperta e a cada um é dado o destino que é proporcional ao que sua alma pode arcar... Nada mais, nada menos.

Por Audrey Donelle Errin
Pesquisadora do Sagrado Feminino, dentro do foco celtíbero.

Sagrados Segredos da Terra:
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E-mail:
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