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Redesconsdruir

Enviado em 09/01/2012 (1299 leituras)

Existem muitos desafios para o druidismo moderno. Um deles, ironicamente, é o próprio mundo onde vivemos. Um mundo estratificado em classes, insanamente industrializado, cheio de sistemas computadorizados e globalizado. Onde se encaixaria o druidismo nessa sociedade pós-moderna? Como o druidismo fará para se adaptar a um mundo globalizado e contemporâneo? Os druidas ainda existem? Parece que essa última pergunta não teve sentido algum. Entretanto, quando se abre o assunto druidismo, e alguém da roda de conversa já ouviu falar, surpreso, exclama essa mesma pergunta. Não somos reconhecidos, nem ao menos conhecidos!

Será que saímos de um jogo de computador. Ou quem sabe, brotamos de um livro ou filme. Não, nada disto! Existimos como druidas, uma religião que proveio da antiga Europa, reconstruída para o nosso tempo, com alguns milhares de praticantes pelo mundo, em países como o Brasil, a Inglaterra, a França, a Austrália, entre outros. E somos milhares de humanos, que tem um cotidiano comum, trabalham, estudam, se divertem, como qualquer ser social.

Por vivermos em sociedade pós-moderna, urbana, industrial e tecnológica, parece até que o eixo natural druídico foi alterado. Afinal, sejamos coniventes, muitos não vivem no campo. E mesmo aqueles que vivem, não necessitam vangloriar, pois todos estão inclusos na cultura mundial da globalização, suponho. Já parou para perguntar de onde se origina o alimento que você consome? São tantos processos até chegar a nossa mesa, que muitas esquecemos dessa ligação. Além dos druidas não serem reconhecidos, suas posições e seu paladar também não o é. Somente pelo grupo que participam.

Os druidas se comunicam através de redes sociais, sites e outros mecanismos, como esse, que venho lhes trazer esse pequeno texto. No campo ou na cidade, não há mais como fugir. Druidas, humanos e qualquer ser social da sociedade globalizada mundial, na “teia global” todos estão conectados. Ou seja, somos druidas industrializados e tecnológicos.

Quando nós dizemos que somos druidas e recebemos a resposta na forma da pergunta “e isso ainda existe?” é mais que um fato além dos mitos antigos. As pessoas estão a se perguntar se religiões de tempos passados podem ou não se adaptar a um mundo pós-moderno, numa simples questão debochada (o que acontece, normalmente). Então, faço a pergunta à comunidade druídica. Será mesmo, que nós, estamos preparados de uma forma druídica para enfrentar o mundo?

Eu acredito que sim, com entusiasmo. O druidismo se encaixa, assim como outras crenças e religiosidades, em uma nova ética que está surgindo para um mundo além do pós-moderno. Uma ética de resistência. Uma ética de transformação e carinho para com o planeta em que vivemos.

Pode parecer que não, entretanto a filosofia druídica tem muito em comum com os acontecimentos do hoje. Uma forma de ela ser escutada é justamente praticando aquilo que os ancestrais nos ensinaram: a palavra. Os druidas modernos participam de muitos movimentos pelo mundo afora, de cunho ecológico, social, político, entre outros. Criaram sua própria estrutura mundial e estão se adaptando muito bem ao mundo contemporâneo.

Em verdade, estão se readaptando. Não é a toa que os druidas estão inseridos em toda a sociedade e não formaram uma comunidade ortodoxa separatista. Além disso, suas lutas são, segundo sua visão, para reconstruir suas crenças, rituais e locais sagrados em um mundo muito diferente do que Júlio César e Plínio, o velho, experimentaram. Se a missão druídica em terra é experimentar, logo, readaptar seus valores a um mundo diferente, é uma ótima opção.

Não podemos saber mais como os rituais druídicos funcionavam a três milênios passados. Nem podemos especular, com verdade “absoluta”, quem eram os druidas. As fontes clássicas nos apontam possíveis respostas, na visão do inimigo ou do monge cristão. Os druidas modernos foram poupados de sua mudança empírica. O tempo o fez, com grande prestígio. Não necessitamos de grandes mudanças, mas de reformas. Uma reforma depende de três fatores: Reconstruir, Desconstruir e Construir. Em verdade, essa sempre foi a essência do druidismo. A transformação está nos mitos. Oras, aprendamos a ser bons metamorfos com Taliesin! O mundo gira, os costumes mudam e os bosques são outros. Se assim, proponho um velho novo verbo para a oração druida.

Posso não ser um druida experiente o bastante para entender, com exatidão, os vieses e mecanismos pelo qual o druidismo passou e ainda vai passar. Entretanto, meus olhos vêem uma multiplicidade druídica, de ordem interessante, como num caldeirão que ferve. Existem muitos elementos neste caldeirão, e eles dependem de um sentido para que trabalhem em conjunto e cozinhem o nosso alimento diário. Para isso, necessitamos de uma palavra de poder, para nos impor diante o mundo e responder a pergunta que questiona nossa existência. Se os druidas podem pensar, agir e concluir atos de honradez, além de se reviver o antigo no contemporâneo, então existimos e os desafios também.

A palavra que dá ordem ao nosso caldeirão é tripartida com poderes especiais. Ela é múltipla em ação, como o universo, a natureza e o homem. Sendo ela um viés para a consciência druídica moderna, pós-moderna e o que vier a ser, estaremos em um estágio avançado. O druidismo pode e deverá ser uma tendência ecoespiritualista para os próximos séculos, se nosso verbo agir não só através de nossas línguas. Para nos readaptar, pois esse mundo já conhecemos (afinal, já renascemos muitas vezes), precisamos do reencontro e união entre nós druidas e de três palavras de poder juntas. Elas são:

Reconstruir: Erigir de novo, reedificar o bosque, refundir a espada, renovar o campo com novas sementes, provindas de uma safra antiga. Basicamente o significado de reconstruir é tornar o que é antigo, novo. É uma reciclagem dos velhos cultos para o tempo, lugar e pensamento em que se vive. É olhar para a raiz e saber que ela alimenta as novas folhas. A árvore alimenta as folhas velhas para o seu declínio, enquanto que as novas somente crescem.

Desconstruir: Criticar, desfazer o bosque, deslocar o eixo da espada, descansar o campo para o plantio futuro. É a discussão do que está sendo feito, do que deve ser feito e do que deve ser sentido. Desconstruir é saber que nada será como antes. É simplesmente colocar a casa abaixo, para ver qual tijolo é resistente e deve ser reaproveitado. Também é revelar o druidismo para os druidas, uma forma de desapego dos vícios, ilusões, encantamentos, canalizando o verdadeiro e o profundo.

Construir: Compor um quadro, fazer um bosque, fundir uma espada, arar o campo. Basicamente são edificar novos conceitos, novos tempos, novos lugares, novos druidas. Traçar as tatuagens pelo corpo, criar o pensamento druida e dispor sem neblinas, o druidismo construído para o hoje, para o druida moderno, pós-moderno e o que vier a ser.

Sendo “druir” a origem, a essência druida, o bosque, a espada e o campo, ele nos revela a ação, o verbo em si, o poder de transformar. É a ação druida, no tempo, espaço e pensamento. Logo temos o nascimento do verbo:

Reconstruir, Desconstruir, Construir + “Druir” = Re - Des - Cons - Druir

Redesconsdruir expressa o sentimento dos druidas do nosso tempo. Uma jornada pelas questões modernas que nós, irmãos e irmãs de todos os locais, ouvimos no cotidiano. Como o druidismo poderá com o nosso tempo? Através dos três poderes, conjuntos a essência. É necessário não somente voltar, como também questionar e recompor de uma nova forma, mais suave e vivencial. Redescondruir é uma ação de todo druida. Não existem druidas exclusivos para essa ação. Todo praticante druida é por excelência um homem que 'redesconsdrói'. Assim, poderão conversar com melhor entendimento e compreensão, como a oração druidíca pede aos espíritos ancestrais. Sobrevivemos o tempo fez apagar, nosso destino é o futuro. O futuro da Terra Mãe!

Somos aptos a sim, vos digo, a praticar e vivenciar o verbo redesconsdruir. Para isso, é preciso conhecimento, comprometimento e druidismo. Assim teremos as respostas.

Conjuguemos cada um, o velho novo verbo no presente, pois sem este tempo de glória e vida, não podemos contar o passado, como bons bardos, nem constar com pretensões futuras, para as esperanças de consulentes de ovates. Os druidas devem aproveitar o presente para dizer: Vamos redesconsdruir!

/|\ Awen

Druida do Vento
Eu sou um jovem druida, andarilho de um velho caminho, que vive em um vale, entre os bosques retorcidos e pântanos mágicos. Escrevo o que é despertado pela Awen.

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