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A virtude da Água

Enviado em 20/07/2012 (1511 leituras)

Toda jornada céltica de confluência a uma ordem natural de veneração à Natureza percorre o imprescindível caminho de compreensão do elemento Água, a segunda Grande Dama da roda dos elementos primordiais que fazem parte da teia da vida!

Mais do que se saber a respeito da Nobre Dama, a senda do autoconhecimento demanda a experiência de acolher a água em nossa vivência, para, a partir do entrelaçamento com o mundo de ludicidade trazido para nosso próprio organismo, possamos, enfim, sorver, no que se plasma no plano físico, as lições inefáveis do que se perfaz de etéreo na sensibilidade da água.

Quer seja na habitualidade do bom banho em um chuveiro gostoso, na pasmaceira de uma cálida banheira ritualística, ou, ainda, na imersão em uma linda cachoeira reluzente, a água nos remete à calmaria do espírito, bem como, para os antigos celtas, ao portal de comunicação entre os mundos.

Líquido divinal presente no grandioso e benevolente caldeirão, a nobre e cristalina água sempre esteve relacionada, para os antigos, aos preceitos da fluidez, lembrando-nos da impermanência que nos liga, em rede, aos fluxos e refluxos do movimento plástico e sinfônico do inconsciente sagrado.

Água da emotividade, presença do lúdico em nossas vidas, purifica e revigora os corações cansados das viagens constantes pelos ciclos de idas e vindas em todas as nossas existências que se sucedem no tempo e no espaço. A água está conectada ao movimento visível, pois, no transcurso do líquido benfazejo e transparente, podemos ver refletido cada raio de Sol que ousa nesse vasto mundo penetrar.

Sim!!!

Eis que brota das entranhas da Terra seu puro e nobre sangue, benesse dos deuses para com nossa estirpe... Água sempre presente, aqui e lá... Fora e dentro, ao alimentar o planeta e, ao mesmo tempo, perfazer cada célula de nossos corpos, quedando, ainda, da fronte de nossos olhos marejados, para mostrar que a unidade é, por fim, a derradeira forma de se conceber a perfeição do Infinito!

Água que corta vales com sua insistência singela, ao mesmo tempo em que, avassaladora - na força de um turbilhão insistente - molda as formas, por onde quer que passe, repisando na história a lembrança de ser possível mudar o mundo e a Natureza com a mera sinfonia da plasticidade que ela representa.

De ponto a ponto, dia após dia, as gotículas descompromissadas vertem beijos tímidos na terra, amalgamando-se no compromisso de se intensificar, sob o manto sagrado da conexão diáfana entre todos os elementos que, sob sua transcendência mítica, comungam votos da mais pura felicidade.

Água que forma meu corpo e reverte em mim a emotividade que usualmente se pretende formar em um copo - ora, que grande pretensão! -, glorificando na certeza de ser incontível quando instada em furor.

Muito antes das lendas arturianas fazerem menção à versão romanceada da Dama do Lago - honrada guardiã da espada mágica Excalibur - os antigos guerreiros e guerreiras celtas tinham por hábito - quando não enterravam as espadas dos nobres colegas mortos em batalhas com os corpos desses gloriosos soldados - depositar às margens de lagos e rios, ou, ainda, lançar ao meio deles, as espadas utilizadas pelos falecidos em combate, pois a água, para eles, além de elemento purificador do corpo e do espírito, era um portal conectivo, liame poético entre o mundo terreno e o Outro Mundo.

Avalon, a sagrada morada deídica das lendas de Arthur, está cercada por água, domínio integral do véu que separa os mundos. O acesso, como não poderia deixar de ser, não é aberto a qualquer pessoa, mas apenas àquelas que se debruçam na experienciação da vida mágica em seus caminhos, pois, para os desapercebidos da magnitude desse mundo de intensa magia, são os sinos eclesiásticos de Glastonbury a única sonoridade invulgar que se pode acessar pela sensibilidade ao elemento água, nada mais...

As brumas, por seu turno, despontam concebidas amorosamente do balé orgástico entre a grande dama transparente e o esfuziante Ar que, juntos, amando-se, promovem uma linda musselina de elementos, cujo resultado nos acolhe em um manto fino de regozijo perpétuo.

A água ousa, sim, por certo, abrindo caminhos por onde quer que passa e, com o ir e vir de sua graça, remonta à ideia de nos abraçarmos, uma a uma, um a um, no cabedal de emoções que compõem a nossa alma. Com a água aprendemos a gratidão na acolhida de nossa intuição, respeitando nosso lado emocional que, por tantas vezes, insistimos em sufocar, no descompasso que o mundo insano provoca em nossos espíritos.

Quer seja no gole gracioso do líquido transparente a aplacar nossa sede de viver, ou, ainda, na fusão de ervas que se interpolam na água para pacificar nossos ânimos, essa bela dama transparentemente prateada nos convida ao ingresso em nosso próprio universo emocional, cultivando, assim, a percepção intuitiva que, trabalhada, coliga-nos ao relevo de um lindo mundo onírico, acalentado bem próximo ao nosso coração.

Por Audrey Donelle Errin
Pesquisadora do Sagrado Feminino, dentro do foco celtíbero.

Sagrados Segredos da Terra:
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E-mail:
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