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Celebrando a Lua Vermelha

Enviado em 11/10/2012 (4239 leituras)

Cada vez mais mulheres estão ressignificando seu sangue menstrual, buscando em tradições e Deusas antigas a inspiração que precisam para (re)sacralizarem seu sangue e seu ventre. Mas ainda assim, existem muitas mulheres que crescem ouvindo que seu sangue (e corpo) é sujo, impuro, profano.

O movimento cultural e espiritual de fortalecimento e reconhecimento (não gosto muito de usar o termo “resgate”) do Sagrado Feminino está se espalhando pelo mundo, felizmente, como um sussurro, um sopro da Mãe Terra nos corações de homens e, sobretudo, das mulheres. A meu ver, o movimento do Sagrado Feminino vai além de religião, ou melhor, transcende as religiões e instituições; está presente – em maior ou menor grau - em todas elas e ao mesmo tempo não se prende em nenhuma. Seja na Wicca, nas religiões da Grande Mãe, no(s) Xamanismo(s), no Druidismo, nas correntes da Nova Era e mesmo no Cristianismo (com a Teologia feminista), o Sagrado Feminino ganha cada vez mais força, e pode ser encontrado em movimentos não necessariamente religiosos, mas também sociais, como em ONGs de apoio ao parto humanizado, associações de mulheres, grupos ambientalistas etc.


Shakti, o divino feminino, esposa divina de Shiva na mitologia hindu.

O fortalecimento do Sagrado Feminino está relacionado profundamente ao movimento da Ecoespiritualidade feminina, e muitas vezes são considerados sinônimos.

Sabemos que o ciclo menstrual está intimamente ligado ao ciclo da lua, e conectar-se com esse e outros ciclos, ou melhor dizendo, com a Ciclicidade da Natureza é se conectar melhor com nossos próprios ciclos (internos e externos) e compreender mais profundamente nós mesmas, nossos sonhos, medos, anseios, desejos, intuições... Com isso nos sentiremos mais fortes, mais seguras, sábias e saudáveis.
Há muitas formas de se conectar e honrar a sua menstruação; neste texto irei propor algumas sugestões e ideias para que cada mulher celebre a sua Lua Vermelha. A intenção é que você possa desfrutar de momentos de meditação, reflexão e magia; refletir sobre o momento em que está vivendo, perceber que o seu sangue e seu corpo são sagrados, sentir-se parte da natureza, sentir que você está no coração da Mãe Terra, e que Ela está no seu coração...

• Primeiramente, procure reduzir ao máximo o uso de absorventes descartáveis, além de ser um gasto muito grande em longo prazo, são muito poluentes para a natureza. Se puder evite usa-los, opte por um coletor menstrual.

• Alguns dias antes de menstruar ou também durante a menstruação, os sonhos geralmente ficam mais intensos e significativos, por isso procure prestar atenção a eles e as mensagens que podem te trazer.

• Durante o banho, perceba seu corpo, seu ventre, seus seios, se estão inchados ou não, se algo lhe incomoda, e o porquê lhe incomoda. Perceba seu sangue, toque-o, sinta o cheiro, a textura, tenha consciência dele. Pense que todas as mulheres no mundo menstruam, é um dom que todas compartilham, todas nós estamos interligadas pelo sangue menstrual, ligadas umas com as outras, e todas com a Mãe Terra.

• Sempre que puder escute músicas que você aprecie, principalmente se falam do Feminino. Particularmente, gosto muito das músicas de Lisa Thiel, Dani Lasalvia, e algumas do Omnia (como Moon, Luna, Morrigan), mas sinta-se livre para escutar o que sua alma pedir. Músicas de dança do ventre são uma ótima ideia também, e se sentir vontade, dance e cante!

• No primeiro dia da menstruação, ou enquanto o fluxo ainda estiver forte, diante de seu cantinho especial (o altar, oratório, quintal, quarto... Enfim, um lugar em que você tenha privacidade e se sinta bem) dedique alguns minutos para meditar e celebrar seu sangue. Acenda uma chama (vela ou fogueira) e coloque água (de rio, chuva ou mineral) em um recipiente; acenda incensos também se preferir. Medite, cante, toque instrumentos (tambor xamânico, bódhran, flauta ou maracá...), ore e honre as deusas que você tem afinidade e que estão ligadas a fertilidade e ao poder femininos. Pode ser Epona, Eriu, Danu, Morrigan, Rhiannon, Aetegina, ou mesmo Afrodite, Oxum, Iacy, Pachamama, ou simplesmente o Sagrado Feminino. Acredito que em uma celebração da lua vermelha todas as Deusas se solidarizam, se interligam, assim como as mulheres menstruadas.

Peça às Deusas ou a Mãe Terra que desperte e fortaleça o Sagrado Feminino em todas as mulheres. Peça pela Paz entre os povos e todos os seres, pela Cura da Terra, e também por sua própria cura. Existe uma forma de meditação/oração que consiste primeiramente em deixar a mente livre, serena, e em seguida deixar que as palavras surjam espontaneamente em seu pensamento e então proferi-las, como um mantra, uma oração. Por exemplo:

Sangue sagrado
Sangue que cura
Sangue que transforma
Sangue que inspira
Sangue da Lua
Sangue sagrado

Corpo sagrado
Corpo que nutre
Corpo que gera
Corpo da Terra
Corpo que abraça
Corpo que ama
Corpo sagrado

Ventre sagrado
Ventre que gera
Ventre que cria
Ventre que purifica
Ventre que acolhe
Ventre fértil
Ventre sagrado

• Ofereça seu sangue menstrual para a Mãe Terra. Esse foi e ainda é um costume ancestral. Mulheres indígenas de tribos nativas dos EUA se reuniam na tenda da lua ou tenda vermelha durante o período menstrual e ofertavam seu sangue a Terra. No Brasil, em algumas tribos indígenas as mulheres se recolhem em cabanas específicas, sentam-se em círculo de cócoras e deixam seu sangue escorrer para a Terra, como uma forma de oferenda e ao mesmo tempo purificação. Caso você use absorventes, derrame um pouco de água nele e o esprema sobre a terra (ou em vasos de plantas), oferecendo à Mãe Terra e pedindo pela cura do planeta e da humanidade. Sinta-se grata pela Deusa Terra compartilhar com você Seu poder de fertilidade.

• Consulte oráculos pedindo conselhos para algum momento difícil em que esteja passando.

• Se possível, reúna-se com outras mulheres, forme um Círculo de Mulheres, troquem informações, experiências, fortaleçam-se nessa união, celebrem juntas o sangue sagrado e a alegria de ser mulher.


Um Círculo de Mulheres.

Essas ideias aqui sugeridas foram e são frutos de minha vivência pessoal. Saiba que não é necessário você realizar todas elas, pode optar por algumas e adapta-las ao seu contexto. Fique a vontade e ouça sua intuição. Espero com isso incentivar cada vez mais mulheres a celebrarem sua menstruação e fortalecerem em si o Sagrado Feminino, independentemente se seguem ou não uma religião ou espiritualidade, pois torna-se urgente o surgimento de uma nova consciência, de uma humanidade com mulheres, e também homens, conectados com a Natureza e em sintonia com os ciclos sagrados.

Por Darona Ní Brighid /|\
Sonhadora, amante de música, poesia, cultura e mitologia Celta. Nascida em terras amazônicas, na cidade à beira do rio (Belém), mas com a alma cuja raiz remonta as terras célticas, além-mar.

Nemeton Samaúma
www.nemetonsamauma.blogspot.com

E-mail:
mayrafaro@yahoo.com.br

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