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A Beleza dos Mitos Celtas

Enviado em 11/10/2008 (6057 leituras)

As primeiras referências que temos dos povos Celtas encontram-se na literatura grega datada por volta de 500 a.C. Eles habitavam uma vasta área geográfica, que incluía a França, a Espanha e se estendia até o Danúbio superior, na Europa Oriental. Alguns arqueólogos defendem a existência espalhada e gradual da celtização de culturas na Europa Setentrional e Meridional por volta de 1500 anos a.C., indo desde a Bretanha céltica às terras verdes da Irlanda. A palavra celta é derivada de “keltoi” e que os antigos gregos usavam para denominar as tribos européias do norte.

O termo céltico é uma descrição cultural e seus laços são definidos principalmente pelo idioma, que se dividiram em dois ramos indo-europeus, conhecidas como: Celta-Q (goidélico), ramo mais antigo, do qual derivam o Gaélico Irlandês, o Gaélico Escocês e a Língua Manx ou Manquês, da Ilha de Man; e o Celta-P (galo-britânico), falado pelos gauleses e habitantes da Bretanha, cujos descendentes modernos são os galeses do País de Gales e os bretões na Bretanha, França.

Os celtas introduziram a metalurgia do ferro na Europa, dando origem    à Idade do Ferro, através das culturas de Hallstatt (800-450 a.C.) e La Tène (de 450 a.C. até à conquista romana), por isto eram considerados grandes guerreiros. Apesar de nunca terem construído um império, sua cultura foi preservada e transmitida pela tradição oral através dos mitos e das lendas, principalmente os irlandeses.

Observamos que em todos os mitos é evidente a paixão e a valorização da beleza, seja no preparo do corpo para os combates, passando pelos ornamentos de uma rica joalheria, que tinham por objetivo transmitir poderosos sinais visuais de religiosidade e poder, conservando, até os dias de hoje, uma identidade cultural céltica bem definida.

As lendas arturianas de outrora prometem a volta do Rei Arthur e a restauração dos Celtas através do Romantismo e do Medievalismo, retratando o drama humano, os amores trágicos e os símbolos místicos. Os contos do mundo céltico são na maioria, do Ciclo de Ulster - antigo Ulaid na Irlanda - e estão graficamente preservados em vários textos, bem como, no Mabinogion, que é uma coletânea de manuscritos escritos em prosa, no galês medieval, e nos costumes dos primeiros contadores de histórias, conhecidos como bardos, na tradição druídica.

Estas histórias serviam como elemento de educação para os jovens da nobreza céltica, pois seus personagens heróicos forneciam um modelo de comportamento guerreiro, próprio para juventude da época. Contudo, os mitos também forneciam representações lendárias de personagens reais, cujos atos são tão marcantes que foram preservados tanto na poesia bárdica como na memória popular.

Os personagens que mais se destacaram no Ciclo Arturiano são:

- Rei Arthur: o lendário rei da Bretanha que unificou todo o reino. Em torno de seu reinado gira toda a trama do ciclo arturiano.

- Morgana: a meia-irmã de Arthur representa na lenda arturiana, a figura da Deusa Morrighan e a tríplice função, a Senhora da vida, àquela que leva Arthur de volta para Avalon, após o seu último combate.

- Merlin: o grande feiticeiro, inspirado na mitologia galesa durante o Ciclo Arthuriano, que tinha grande habilidade para mudar de forma. Merlin era o senhor da ilusão, da profecia, da adivinhação, das previsões e dos ferreiros.

- Guinevere: a linda esposa do rei Arthur, conhecida, sobretudo, por seu amor a Lancelot, causando a rivalidade entre ele e Arthur.

- Lancelot: o mais famoso cavaleiro do rei Arthur, apaixonado por Guinevere, é pai de Galahad, cavaleiro que encontra o Santo Graal.

- Viviane: a Senhora do Lago em Avalon.

- Uther Pendragon: o pai de Arthur e rei antes dele.

- Igraine: a mãe do rei Arthur e de Morgana.

- Mordred: filho de Arthur e Morgana. Representa as forças das trevas quando duela com o próprio pai.

Toda a beleza dos mitos arthurianos e das lendas celtas se destacam na magia e na renovação de ideais há muito perdidos, mas jamais esquecidos dentro de nós... A verdade, a honra, a justiça, a lealdade, o bem e o belo, princípios que todo o ser humano deve buscar em sua jornada espiritual, para viver num mundo mais pleno e equilibrado. Que assim seja!

Referências bibliográficas:
GUEST, Lady Charlotte - The Mabinogion - Ed. Kinkley, 1887.
BELLINGHAM, David - Introdução à Mitologia Céltica - Ed. Estampa, 1999.

Detalhes da imagem:
Jóias em ferro do período La Tène Rheinisches Landesmuseum, Trier na Alemanha.
Torque em ouro do período Hallstatt Museu de Arqueologia Châtillon-sur-Seine, França.

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

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E-mail:
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