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Paganismo: antecedentes históricos

Enviado em 13/01/2008 (3683 leituras)

O movimento paganista surgiu a reboque da onda de reminiscência ocultista que emergiu no meio intelectual europeu no século XIX como uma espécie de reação a forte adesão aos valores seculares e ao moralismo pequeno-burguês que tinham como foco o Império Britânico e se propagava pelo mundo como sombra do crescimento do Capitalismo.

Contudo, em grande parte pelo fato de ser centrado em debates proferidos por uma alta-intelectualidade acabou o paganismo em seus primórdios tendo pouco apelo junto a população em geral apesar de ser justamente nas camadas mais populares onde subsistia como prática supersticiosa e devoção inculta aquilo que era objeto de estudos aprofundados por estes "arqueólogos do esotérico".

Por outro lado também um inerente senso de elitismo evoluiu francamente entre os precursores do movimento paganista na medida em que os temas tratados eram encarados como de conhecimento restrito de "iniciados", o que significa de outro modo dizer que havia uma presunção de que os portadores desta hipotética "Verdade Oculta" estavam em um nível de desenvolvimento psíquico, moral e até espiritual mais elevado do que o resto da Humanidade.

Um grande mal surgiu quando este enfoque elitista saiu do campo das idéias e do meio exclusivamente restrito das sociedades iniciáticas para servir de fonte de motivação para organização de grupos com pretensões políticas e sanha de poder no meio social como foi o caso do nazismo onde elementos de conhecimento místico foram mesclados com uma ideologia francamente deplorável. Aliás, é um desalento ver o quanto o que foi iniciado como busca pelo autoconhecimento terminou em muitos casos gerando a procura de meios e modos da defesa de interesses pessoais rasteiros por fama, fortuna e poder.

De toda forma o paganismo no inicio do Século XX, principalmente décadas de 1920 e 1930, acabou assumindo uma feição mais política em seu pior sentido, transformando muitos grupos iniciáticos em antros de tráfico de influência e favorecimento indevido entre os participantes, dando aos mestres de cada organização mais a feição de líderes mafiosos do que guias espirituais. Como resultado deste estado de coisas quando veio a Guerra Fria o movimento paganista acabou cedendo a lógica reinante de levantar frente contra o comunismo e fazer apologia do passado pré-capitalista da civilização como uma Era de Ouro perdida quando na verdade ficavam cada vez mais reacionários e conservadores no discurso e nas atitudes.

Com o movimento hippie, lá pela década de 1960, toda uma efervescência de interesses foram despertados no sentido de dar um passo adiante daquilo realizado no já distante Século XIX, por intelectuais vitorianos e outros, porém, por exageros cometidos por conta de uma visão equivocada ao papel do uso de drogas alucinógenas no processo de autoconhecimento e a conduta desregrada que levavam muitos pagaram com a vida mais adiante.

De novo uma retração no paganismo surge na década de 80 com o inicio do flagelo da AIDS e já tendo as drogas mostrando toda sua feição maléfica ceifando vidas de muitos daquele considerados como gurus da contra-cultura lá nas décadas 1960/1970, bem como a promoção de uma visão materialista e individualista pregada pelos jovens novos-ricos daquele tempo e a ascensão de movimentos políticos e religiosos de cunho ultra-conservador pelo mundo afora, criaram um terreno hostil ao ideário pagão.

Com a chegada da década de 1990 com a derrocada da URSS houve finalmente a superação da antiga polaridade entre capitalismo e socialismo, entregando a muitos para um vazio ideológico não coberto de maneira satisfatória com as religiões dominantes e tampouco figurando suficiente apenas procurar a fortuna pessoal como apregoavam os Yuppies na década de 1980. Como resultado legiões de pessoas pelo mundo todo saíram em busca de alternativas as suas crises existenciais, surgindo o paganismo como uma opção válida para muitos.

Outros ao mesmo tempo voltaram com todo vigor para reviver crenças e valores mais tradicionais dos quais fazem forte apologia enquanto dão combate sem trégua ao que desafia a ortodoxia dominante, ao ponto de constituírem um movimento que vá na contra-mão do paganismo e a quem podemos chamar até como sendo "conservadores".

Agora com o século XXI eis o quadro de uma batalha sem fronteiras e limites entre duas visões de mundo totalmente diferentes e colidentes entre si que de toda maneira olham para o passado para refletir acerca do futuro da Humanidade.

Por Ioldanach
Ioldanach se define como auto-didata e celtista amador que tem como linha de pesquisa tratar o assunto de maneira objetiva e da forma mais científica possível.

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