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28° Dia: Caminho

Publicado por Rowena em 22/3/2012 (1597 leituras)

Um caminho, um chamado sagrado que flui pelas espirais do tempo... Uma história de vida, talvez, de muitas vidas, quem saberá ao certo? Mudanças sutis que se processam um pouco a cada dia.

O meu filho mais velho, em certa ocasião, me perguntou: "Mãe, quantos anos é preciso para se tornar um druida?" Respondi que, antigamente, esse processo acontecia em torno de 20 anos, mas hoje, com as facilidades da vida moderna, esses estudos podem ser mais rápidos e, no meu ponto de vista, levarão até uma existência inteira, pois o saber verdadeiro e o conhecimento são infinitos.

O caminho preconizado por todos aqueles que seguem o Druidismo, seja ele druidista - que se refere ao praticante que não segue o sacerdócio - ou druida, é a conexão com os Deuses, ancestrais e espíritos da natureza; que acontece por meio dos festivais celtas, da transição da natureza e os seus ciclos sazonais, ampliando a nossa percepção em relação ao universo que existe em torno e dentro de nós, ou seja, o macrocosmo refletido no microcosmo individual de cada ser.

Alguns irão dizer que este caminho é apenas filosófico, mas, para nós, ele é um caminho religioso, centrado na ética das nossas crenças pessoais. Para muitos, as duas formas caminham juntas e são vistas através da necessidade do homem em buscar uma espiritualidade voltada à Natureza ou a uma comunidade mais envolvida e comprometida com os atuais movimentos ambientalistas.

Seja qual for a escolha, é preciso estar ciente que os rótulos não importam, mas sim, a sinceridade com a qual você está disposto a se dedicar na busca da sua essência maior. O Druidismo é uma religião transformadora que, recentemente, foi reconhecida na Inglaterra e que, por extensão, mantêm seus princípios filosóficos intimamente ligados às vivências pessoais, tanto nas experiências individuais, como em grupos ou clãs tradicionais.

E, não poderíamos deixar de citar, as práticas xamânicas ou mágicas e o Ogham que estão, cada vez mais, nos dando condições de acessar informações ancestrais, além da observação do comportamento antropológico da história indo-europeia, que possibilita a inclusão de vários elementos para compor e reconstruir nosso caminho de volta para casa, sem que com isso, venhamos reinventar a roda, apenas a fazemos girar de forma mais harmônica, tornando a jornada mais clara e objetiva.

Encerro com um trecho de um artigo da Druidnetwork de Philip Shallcrass e Emma Restall Orr.

"O processo de re-inventar, no sentido de resgatar a tradição, continua nos dias de hoje através de escritores e profissionais, como o compositor e folclorista R.J. Stewart, bem como John e Caitlin Matthews que, juntamente, com Philip Shallcrass, Emma Restall Orr e tantos outros, têm sido fundamentais para a re-introdução das práticas xamânicas no druidismo moderno. Ao fazer isso, eles estão buscando restaurar o papel do Druida para algo muito próximo a sua forma antiga, a do caminhante entre dois mundos, mediando entre eles o benefício de suas comunidades. Este druidismo 'xamânico' trabalha diretamente com os espíritos do lugar, da terra, das árvores, plantas, animais e antepassados. E foi inspirado, em partes, pela descoberta das práticas 'xamânicas' descritas na literatura medieval da Irlanda e País de Gales, mas também pelo estudo, o contato com a terra e com os indígenas ancestrais da espiritualidade... Sendo assim, o Druidismo de hoje, nos inspira fortemente sobre o passado às necessidades fundamentais da época atual de encontrar harmonia pessoal e preservar o equilíbrio ecológico da nossa Mãe Terra."

Que assim seja!

Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

Website:
www.templodeavalon.com
Brumas do Tempo:
www.brumasdotempo.blogspot.com
Três Reinos Celtas:
www.tresreinosceltas.blogspot.com
E-mail:
rowena@templodeavalon.com

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O Ogham é um alfabeto oracular, de origem celta, encontrado na Irlanda e Grã-Bretanha. O nome das letras ogâmicas é "fid" (singular) e "feda" (plural) em irlandês antigo. No irlandês moderno são: "fiodh" e "feadha" - que são palavras traduzidas como "madeira" e "bosque".
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