Início Login     

Na praia contemplativa de uma nau errante

Enviado em 23/08/2011 (2202 leituras)

Eis que desperto, vinda de um sonho confuso, que ora se apresentava desperto, ora se matinha acuado em um canto distante de um espao ldico que no se comunicava com minha carnalidade, minha materialidade nesse plano. Duas "pessoas" habitando o mesmo corpo...

Uma, segura de sua misso, devotada nos mistrios antigos dos ensinamentos de outras orbes espirituais. Outra, "aterrada" demais, perdida na ociso do que a dicotomia alma-corpo traz de mais desafiador para a evoluo. Quem est aqui, por agora? (um sorriso j acena a resposta): eis-me de volta, como sempre estive, pois sou UNA, por mais que tente me convencer que no...

Meu estado onrico de sonolncia-em-despertar lembrou-me desta figura de Waterhouse: uma contemplativa mulher, sentada, fixa e firme, em uma rocha, contemplando uma nau deriva. No semblante, resignao e calmaria, mesmo diante da tempestade a atordoar o cenrio.


Assim foi com minha alma durante esse delicioso tempo de despertar (mais um, desperto e durmo tanto!).

Meus processos de despertar tm sido, a cada dia que passa, mais rpidos, mais interessantes, mais catalisadores de outros mais e mais processos. Uma avalanche de situaes que no me so mais inimigas, vitimizadoras.

No lamento mais a intemprie... que nada! So-me sempre bem-vindas, podem entrar e ficar at tudo se dissipar no universo akshico - apenas estou deixando o fluxo da tempestade que testa, sempre, as naus de minha prpria vida e limitaes... Se adoeo porque ainda preciso acessar esse mecanismo "autolimpante", de acordo com minha potencialidade de desenvolver, no plano fsico, a programao feita h tempos. Quando escrevo... ah, quando escrevo! Acaba-se, ento, mais um processo, pois a mente (danada), programa o restante.

Prosto-me, assim, diante da nau, vendo os ciclos de ondas que vm e vo. Isso tanto foi visvel que a maior parte dos meus sonhos enquanto dormia em carne envolviam mar, tsunamis e casas. Tudo meu se "ajeitando", ao final, para que pudesse cumprir mais um tpico no checklist de minha sina.

Acordei com um af de VIDA tpico dos maravilhosos incios de ciclos: eis-me aqui sempre cheia de ciclos, lanando-me, em cada momento, na colheita sbia de meus passos deixados para trs.

Com esse mpeto - mpeto de minha alma, ariana alma gnea e bombstica - sagrei-me ao meu panteo ancestral, invocando aqueles e aquelas que esto, comigo, para mim e por mim (para o MUNDO), a militar pelas hordas do AMOR, da COMPREENSO, da JUSTIA, da HONRA e da VERDADE...

Quanto jbilo pode residir em uma alma que, assim com a formosa senhora na praia, olha suas naus de iluso dissipando-se entre as pedras que as lies pessoais apresentam?

Indescritvel sinfonia de sereias que, de volta, entoam os cantos dentro da minha alma que, momentaneamente, viu-se em silncio sombrio, imersa em seus medos e, para alm deles, descobriu-se, pouco a pouco, mas muito a muito, em cada uma das benevolentes situaes que o Universo conspira em me mostrar!

Como fugir de mim?

Fugir e negar a experincia me esquivar do que, interna, emocional, fsica e espiritualmente tenho como certeza: apenas navegar, porque o que deverei de cumprir desenlaa-se bem minha frente! a certeza de erguer os braos para abraar o Infinito desconhecido para meus "medos" pessoais de estar em carne, para me embalar na imensa f de conspirao do esprito!

Olhar a praia...

Foi com esse "perfume" exalando de mim que meus ritos, hoje, tiveram a nuance do frescor!

A Sacralidade me dispunha num cone palaciano de ecloses acalentadas pela fora da alma que, enfim, retorna para seu espao de origem: o bero do Sagrado... pulsando num rompante a demonstrar que nada, nada pode abalar a alma, que IMORTAL...

Tudo aqui em meu castelo est a conspirar...

O que seriam "doenas" a assolar o corpo suado e cansado so EXPURGOS agora, todas elas, pois a 'doena' a cura, a liberao energtica que usamos para produzir a limpeza interna e crescer, voar para alcanar o Infinito dentro de cada uma de ns.

O silncio que outrora era sepulcral (o sepulcro da mina alma agrilhoada) rendeu-se, enfim, para o silncio dourado da paz... Estou em paz.

Sem julgamentos, sem dramas ou frmulas. No existem frmulas para o viver... Vive-se...e, na vivncia, agregam-se sabedoria e crescimento. Como deixar isso passar em branco? J dizia Virginia Woolf que "no se pode ter paz evitando a vida".

A vida, com tudo que existe nela - tudo, sem falar em maniquesmo do que bom ou ruim - tudo na vida nos encaminha para viv-la. Estamos aqui para penetrao do mago de nossas intempries e, segundo nossa linha de escolha dentro de nossa trajetria evolutiva, permitimo-nos... sim, sempre! Cada um sabe onde o sapato aperta e a cada um dado o destino que proporcional ao que sua alma pode arcar... Nada mais, nada menos.

Por Audrey Donelle Errin
Pesquisadora do Sagrado Feminino, dentro do foco celtbero.

Citao:
"Conectada aos mistrios da ancestralidade da terra."
Sagrados Segredos da Terra
www.sagradosegredosdaterra.blogspot.com.br

Para ler os artigos de Audrey Donelle Errin, clique aqui.
Direitos Autorais

A violao de direitos autorais crime: Lei Federal n 9.610, de 19.02.98. Ao compartilhar um artigo, cite a fonte e o autor. Todos os direitos reservados ao site Templo de Avalon : Caer Siddi e seus autores. Referncias bibliogrficas e endereos de sites consultados na pesquisa, clique aqui.

"Três velas que iluminam a escuridão:
Verdade, Natureza e Conhecimento." Tríade irlandesa.

Go raibh maith agat... Obrigada!
Rowena A. Senėwėen