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Tecemos a nossa Essência

Enviado em 17/01/2012 (3872 leituras)

Tecer durante o dia que nasce;
Uma tarde que se transforma;
Uma noite que se prepara para chegar...
A Lua que sempre muda de fases.
Tecemos a nossa linha do equilbrio
E saudamos a sabedoria dos nossos ancestrais.
Tecer o que foi perdido e agora mais do que nunca encontrado.
Tecemos a jornada da alma,
Para nos sentirmos eternamente plenos.
Tecer... Tecemos e continuaremos a tecer.
As buscas nos movimentos,
Assim como em nossas formas...
Hoje sou uma Lebre,
Amanh um Lobo e Aranha por uma vida inteira.
Corujas sbias...
A Donzela que est em meu corao,
A Me que se encontra no meu ventre,
A Anci que est na sabedoria da mente.
Procuramos a fora da gua em nosso corpo
Que encontramos em nosso sangue e saliva;
O fogo, o calor do nosso corpo...
Assim quando juntamos as nossas mos e as aquecemos;
A terra, nosso corpo fsico, ao abraar as rvores,
Sentir a grama sob os nossos ps;
O Ar, nossa respirao, o sopro da inspirao.
Tecemos o nosso dia e buscamos a totalidade...
Assim danamos com a nossa vida,
Com os sentires, com a nossa intuio.
Danamos como mulheres Aranhas...
Com os fios que tecem...
Com a energia em movimento...
Com os nossos ciclos.
Tecer todo dia um novo fio...
As descobertas que brilham em nossa alma
E se transformam em essncia.
Ao danar cada fio que tecemos!

Todos os direitos reservados.

Saberes da Aranha

A tecel do Universo est entre o cu e a terra, o seu poder infinito. Ela constri, desfaz, fia, captura e renova a sua teia. Por isso, ela um smbolo das foras que mantm a estabilidade csmica. Inspira a viso e ns d coragem para transformar os nossos sonhos em realidade, ao tecer os nossos desejos.

A Aranha apareceu no sonho do xam para explicar-lhe sobre a composio do que hoje chamamos de filtro dos sonhos (dreamcatcher), que nada mais do que um condutor do subconsciente manifestando a proteo e auxiliando na percepo espiritual. E nas palavras de K. G. Jung que diz: a aranha como smbolo representativo do Self, trata-se da fora interior que emana de quem realmente somos, sombra e luz, claro e escuro, dia e noite.

Assimiladas ao tecer das aranhas, temos as tecels que ao longo dos tempos utilizam desse poder ancestral ao fiar as infinitas possibilidades, restabelecendo a ordem no caos, dando forma aos seus anseios, saberes e sabores femininos que apenas foram sufocados com a chegada da revoluo industrial (uma das muitas mazelas do patriarcado).

Manuseando um tear, as tecels esto frente sua inspirao e se entregam totalmente ao trabalho e a arte, tranando todas as suas vontades e transformando-as em realidade palpvel.

Mulheres de antigas tribos untavam de sangue menstrual o fuso da mquina de tear para invocar a proteo das Deusas. As mulheres tambm se reuniam em cavernas durante o inverno para fiar, cantar e danar, o uso do fuso para fiar era como um pressgio de concluses de guerras. Por exemplo, as videntes da Irlanda usavam pequenas tbuas furadas no meio e giravam com as mos, um mtodo de tecer para prever os resultados das batalhas e dos cataclismos naturais.

Os cintos de tear so decorados e utilizados como objetivos mgicos, citados no decorrer da histria. Longos cintos de l vermelha e com franjas nas extremidades (chamados Zostra), so heranas preciosas das mulheres europeias e que eram passados de mes para as filhas, usados em partos difceis ou colocados nos ventres das parturientes. Assim como era feito na confeco do cinto mgico da Deusa Brigid (conhecido como Brat), que facilitava a concepo e abenoava o parto.

Ecos das Deusas tecels existem no cristianismo, vistas nas cenas da anunciao de vrios afrescos, onde Maria aparece segurando um fuso e o fio que passa iluminado acima da cabea de Jesus, enfatizando a ligao entre o ato de fiar com o smbolo do destino, da vida e do nascimento da criana divina.

Fontes do folclore e dos mitos, descreviam algumas Deusas como Tecel e Senhora do Destino, enquanto as brumas se deslocavam nas noites de Lua Cheia. Elas carregavam os fusos, predizendo a sorte ou dando mensagens s mulheres reunidas em crculos de menires ou em locais de poder telrico. As camponesas europeias deixavam meadas de l ou linho nestes lugares, junto com oferendas de po e manteiga, na manh seguinte o po desaparecia e os fios surgiam tecidos.

Existem monumentos megalticos em alguns lugares da Europa, como na Inglaterra e Irlanda, onde acreditava-se que Fadas gigantes carregavam as pedras em suas cabeas enquanto fiavam e cantavam. Na Irlanda conta-se que as colinas, montes e rochedos foram criados pela Deusa Cailleach, que levava vrias pedras no seu avental e as espalhava pela terra.

Outra semelhana que existe, referente ao ato de fiar das tecels, a ligao do cordo umbilical que deve ser cortado para dar continuidade a uma nova vida, quando se corta o fio no fuso de tear, simbolicamente tambm estamos fazendo o mesmo.

Bnos de Inspirao!

Por Lunna Alssah
Poetisa, Vocalista, Sacerdotisa da Terra e Danarina do Ventre.

Citao:
"A Mulher o Poder da Criao."
Alssah, Sacerdotisa da Terra
www.alessahceltic.blogspot.com

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Verdade, Natureza e Conhecimento." Tríade irlandesa.

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Rowena A. Senėwėen