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A Virtude da Água

Enviado em 20/07/2012 (2398 leituras)

Toda jornada cltica de confluncia a uma ordem natural de venerao Natureza percorre o imprescindvel caminho de compreenso do elemento gua, a segunda Grande Dama da roda dos elementos primordiais que fazem parte da teia da vida!

Mais do que se saber a respeito da Nobre Dama, a senda do autoconhecimento demanda a experincia de acolher a gua em nossa vivncia, para, a partir do entrelaamento com o mundo de ludicidade trazido para nosso prprio organismo, possamos, enfim, sorver, no que se plasma no plano fsico, as lies inefveis do que se perfaz de etreo na sensibilidade da gua.

Quer seja na habitualidade do bom banho em um chuveiro gostoso, na pasmaceira de uma clida banheira ritualstica, ou, ainda, na imerso em uma linda cachoeira reluzente, a gua nos remete calmaria do esprito, bem como, para os antigos celtas, ao portal de comunicao entre os mundos.

Lquido divinal presente no grandioso e benevolente caldeiro, a nobre e cristalina gua sempre esteve relacionada, para os antigos, aos preceitos da fluidez, lembrando-nos da impermanncia que nos liga, em rede, aos fluxos e refluxos do movimento plstico e sinfnico do inconsciente sagrado.

gua da emotividade, presena do ldico em nossas vidas, purifica e revigora os coraes cansados das viagens constantes pelos ciclos de idas e vindas em todas as nossas existncias que se sucedem no tempo e no espao. A gua est conectada ao movimento visvel, pois, no transcurso do lquido benfazejo e transparente, podemos ver refletido cada raio de Sol que ousa nesse vasto mundo penetrar.

Sim!!!

Eis que brota das entranhas da Terra seu puro e nobre sangue, benesse dos deuses para com nossa estirpe... gua sempre presente, aqui e l... Fora e dentro, ao alimentar o planeta e, ao mesmo tempo, perfazer cada clula de nossos corpos, quedando, ainda, da fronte de nossos olhos marejados, para mostrar que a unidade , por fim, a derradeira forma de se conceber a perfeio do Infinito!

gua que corta vales com sua insistncia singela, ao mesmo tempo em que, avassaladora - na fora de um turbilho insistente - molda as formas, por onde quer que passe, repisando na histria a lembrana de ser possvel mudar o mundo e a Natureza com a mera sinfonia da plasticidade que ela representa.

De ponto a ponto, dia aps dia, as gotculas descompromissadas vertem beijos tmidos na terra, amalgamando-se no compromisso de se intensificar, sob o manto sagrado da conexo difana entre todos os elementos que, sob sua transcendncia mtica, comungam votos da mais pura felicidade.

gua que forma meu corpo e reverte em mim a emotividade que usualmente se pretende formar em um copo - ora, que grande pretenso! -, glorificando na certeza de ser incontvel quando instada em furor.

Muito antes das lendas arturianas fazerem meno verso romanceada da Dama do Lago - honrada guardi da espada mgica Excalibur - os antigos guerreiros e guerreiras celtas tinham por hbito - quando no enterravam as espadas dos nobres colegas mortos em batalhas com os corpos desses gloriosos soldados - depositar s margens de lagos e rios, ou, ainda, lanar ao meio deles, as espadas utilizadas pelos falecidos em combate, pois a gua, para eles, alm de elemento purificador do corpo e do esprito, era um portal conectivo, liame potico entre o mundo terreno e o Outro Mundo.

Avalon, a sagrada morada dedica das lendas de Arthur, est cercada por gua, domnio integral do vu que separa os mundos. O acesso, como no poderia deixar de ser, no aberto a qualquer pessoa, mas apenas quelas que se debruam na experienciao da vida mgica em seus caminhos, pois, para os desapercebidos da magnitude desse mundo de intensa magia, so os sinos eclesisticos de Glastonbury a nica sonoridade invulgar que se pode acessar pela sensibilidade ao elemento gua, nada mais...

As brumas, por seu turno, despontam concebidas amorosamente do bal orgstico entre a grande dama transparente e o esfuziante Ar que, juntos, amando-se, promovem uma linda musselina de elementos, cujo resultado nos acolhe em um manto fino de regozijo perptuo.

A gua ousa, sim, por certo, abrindo caminhos por onde quer que passa e, com o ir e vir de sua graa, remonta ideia de nos abraarmos, uma a uma, um a um, no cabedal de emoes que compem a nossa alma. Com a gua aprendemos a gratido na acolhida de nossa intuio, respeitando nosso lado emocional que, por tantas vezes, insistimos em sufocar, no descompasso que o mundo insano provoca em nossos espritos.

Quer seja no gole gracioso do lquido transparente a aplacar nossa sede de viver, ou, ainda, na fuso de ervas que se interpolam na gua para pacificar nossos nimos, essa bela dama transparentemente prateada nos convida ao ingresso em nosso prprio universo emocional, cultivando, assim, a percepo intuitiva que, trabalhada, coliga-nos ao relevo de um lindo mundo onrico, acalentado bem prximo ao nosso corao.

Por Audrey Donelle Errin
Pesquisadora do Sagrado Feminino, dentro do foco celtbero.

Citao:
"Conectada aos mistrios da ancestralidade da terra."
Sagrados Segredos da Terra
www.sagradosegredosdaterra.blogspot.com.br

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"Três velas que iluminam a escuridão:
Verdade, Natureza e Conhecimento." Tríade irlandesa.

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Rowena A. Senėwėen