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Sugestão de Liturgia Ritual Druídica

Enviado em 27/09/2012 (2996 leituras)

Muitas pessoas quando ingressam no Druidismo encontram uma certa dificuldade em relao a maneira certa ou mais drudica possvel de realizar um ritual. Eu fui uma dessas pessoas. Lendo livros, sites sobre druidismo e cultura celta e conversando com pessoas que j trilhavam o caminho drudico h mais tempo, pude me basear e criar uma liturgia ritual drudica que funciona tanto em ritos individuais quanto grupais.

Obviamente que uma sugesto, e cada um que ler pode fazer suas alteraes e adaptaes, ainda mais porque vos ser apresentado um esqueleto, com as etapas de uma celebrao cltica, e a cabe a sua inspirao e conhecimento criar o corpo e os detalhes.

O intuito com esse texto sugerindo uma liturgia ritual cltica justamente ajudar e inspirar a essas pessoas que encontram dificuldade em realizar ou elaborar um rito drudico, sem saber por onde e como comear e o que fazer. Novamente, essa uma sugesto, no uma cartilha ou modelo a ser seguido. O mais importante no fazer um rito pomposo, com falas e invocaes extensas, seriedade exagerada etc. A leveza e o poder, a fluidez e a firmeza, a espontaneidade e a preparao prvia, devem estar juntas em um ritual para que ocorra a contento dos Deuses, dos espritos e de ns mesmos. No mais, leia bastante, estude as culturas celtas e oua sua intuio. Voc saber o que fazer.

Etapas de uma celebrao drudica:

1. Separe todos os objetos e materiais que sero necessrios ao rito.

2. Prepare-se fsico, emocional e espiritualmente para o momento. Esteja calmo, sereno, descansado e limpo. Prepare tambm o espao onde ser realizada a cerimnia. Organize o centro ou altar com os objetos sagrados.

3. Oferenda aos Forasteiros. Os forasteiros so energias e seres (visveis ou no) que podem se apresentar hostis ao ritual e as pessoas. necessrio fazer uma oferenda, a ser feita depois de uma prece pedindo por paz e trgua a todos que so contrrios ao seu caminho. A oferenda podem ser trs moedas douradas (lanando-as para fora do espao do ritual) ou uma libao na terra de vinho ou suco de uva. Feito isso, consulte um orculo para saber se a oferenda foi aceita e se o ritual pode ser transcorrido em paz.

4. Explicao do ritual, sobre o que se trata os mitos e smbolos associados.

5. Concentrao dos participantes. Faa alguma meditao/visualizao. Sugiro a meditao da rvore e em seguida a dos Trs Mundos, estabelecendo assim a sua ligao com o eixo vertical (Cu-Terra/Acima-Abaixo) e horizontal (Mar-Terra-Cu), representada pelo smbolo da Cruz Celta.

5.1. Meditao da rvore: Relaxe e comece a respirar lenta e profundamente. Imagine que abaixo de voc, nos mundos inferiores, h um grande lago de energia negra e fria. a fonte da intuio e da fertilidade. Imagine que voc pode ver e sentir a energia se movendo. Agora imagine sobre voc, no mundo celestial, que j um grande lago de energia dourada quente. a fonte do intelecto e da ambio. Imagine que voc pode ver e sentir a energia se movendo. Levante as suas mos aos cus e imagine que voc a grande bile - o ponto de ligao entre o nosso mundo e os outros. Sinta estas duas energias comeando a fluir atravs de voc - a energia dourada atravs das suas folhas e ramos - a energia negra atravs das suas razes. Elas se encontram e se unem no seu corao igual a uma espiral celta com dois braos.

5.2. Sintonia com os Trs Mundos: Visualize a Terra, verde, pulsante, frtil, suas florestas, bosques, campos, colinas, cavernas profundas... Sinta a Terra sob os ps. Diga:

A terra que me sustenta
A terra em mim
A terra que me rodeia,
an Talamh.

Visualize o Mar, em tons de azul e verde, ouvir o barulho das ondas, como se fosse uma respirao, a respirao de Manannan mac Lir, sentir a brisa marinha acariciando seu rosto, seu cabelo... Sinta-se mergulhando no Mar, em guas sagradas. Diga

O mar que me cerca
O mar em mim
O mar que me rodeia,
an Muir.

Visualize o Cu, a luz do sol iluminando toda a extenso da terra, ver as nuvens, sinta o vento, veja a profuso de cores que pintam o cu... veja a lua, as estrelas, sinta-se banhado pelo luar e pela fresca e perfumada brisa da noite. Diga:

O cu que me coroa
O cu em mim
O cu que me rodeia,
an Neamh.

6. Consagrao da gua (da chuva, rio ou mineral). Em um recipiente com gua diga ou mentalize palavras de poder, de cura e purificao.

7. Consagrao do fogo. Acenda uma vela, fogueira ou chama proferindo uma orao ao fogo ou palavras de proteo e poder.

8. Circunde o local trs vezes em sentido horrio aspergindo a gua e caminhando com uma chama acesa por esse fogo (uma vela), enquanto profere palavras de purificao, proteo e luz.

9. Chamando por Manannan Mac Lir. Pea ao Deus dos Mares e senhor das Ilhas Abenoadas que abra os portais do Outro Mundo, guiando-os e protegendo-os durante todo o rito. Faa uma oferenda a ele (exemplo: ma, ou alimento feito com ma, incenso).

10. Chamando pelas ddivas das quatro direes. Pea ao Oeste que lhe traga sabedoria, conhecimento, beleza, abundncia. Ao Norte, coragem, fora e proteo. Ao Leste, prosperidade, hospitalidade e dignidade. Ao Sul, inspirao, msica e fertilidade. E ao Centro, honra, nobreza, firmeza, sabedoria e justia.

11. Chamado e oferenda s Trs Famlias: Ancestrais da Terra, Antepassados e Deuses. Ao final das oferendas, consulte um orculo para saber se foram bem aceitas e caso sim, prossiga com o ritual.

12. Invocao aos Deuses da ocasio (deidades relacionadas ao festival celta, solstcio ou equincio).

13. Passagem da tradio. Momento para leitura de mitos e poemas relacionados ao festival. Apresentao de msicas e/ou canes, danas sagradas. Meditaes relacionadas ao significado do ritual. Consulta a orculos (Ogham, Runas, Tarot...).

14. Agradecimentos. Finalize o ritual agradecendo, voltando passo a passo at o ponto de partida. Agradea aos Deuses da ocasio; s Trs Famlias; s direes; aos Trs Mundos; Manannan Mac Lir, pedindo que os guie de volta a este mundo, fechando as brumas e o portal do Outro Mundo.

15. Encerramento. Declare a inteno de finalizao do rito, agradea aos participantes. Faam o terramento, que consiste no ato de todos se sentarem ou deitarem tocando o solo e buscando equilibrar suas energias, para que ningum saia sobrecarregado ou deficiente de energia do ritual.

16. Confraternizao: momento do banquete, danas, msicas e conversas so bem-vindas.

Obs.: Esta liturgia utilizada pelo Nemeton Samama e foi elaborada com base na liturgia ritual de Fine na Dairbre (PR), do grupo Ramo de Carvalho (SP), e na liturgia elaborada por Robert Kaucher (da extinta ODB). A invocao s direes baseada no mito da Diviso das Terras de Tara (Suidigud Tellaig Temra), disponvel no site Keltia Brasil.

Por Mayra n Brighid
Sonhadora, amante de msica, poesia, cultura e mitologia Celta. Nascida em terras amaznicas, na cidade beira do rio (Belm), mas com a alma cuja raiz remonta as terras clticas, alm-mar.

Citao:
"Druidismo, cultura celta e espiritualidade feminina."
O EnCanto do Cisne
http://encantodocisne.blogspot.com

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