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A Lição dos Caramujos

Enviado em 06/01/2010 (18103 leituras)

Voc j parou para observar o rastro de um Caramujo, pequenino ou grande, de cor mais escura ou mais clara?

Se ainda no, deveria, pois h uma lio muito bela em seu comportamento e em toda sua anatomia. A primeira lio est no rastro que ele deixa em seu locomover rastejante e que s revelada com a luz do Sol.

Como um portal que s se revela luz natural, que s se manifesta para queles que esto (ou so) em sintonia com a criao. Seu rastro ao ser tocado pela luz solar revela um brilho cintilante, de beleza mpar, um brilho que vai alm de ser cientificamente explicado.

Ele provm de onde no se imagina que haja luz, ofuscado no solo em tempos de nuvens carregadas ou no perodo noturno, mas quando os raios solares se projetam, sobre este rastro, o que antes era invisvel agora se torna iluminado, revelando todo um percurso... Mostrando-nos que nossos caminhos, por mais tortuosos e longos que tenham sido, podem se tornar grandes lies, se olhados com ternura e tenacidade.

Pois em nosso "rastro" que reside sabedoria e o aprendizado do que nos tornamos ao longo de nossa caminhada, aprender com o passado pode ser doloroso e de um grau de dificuldade tamanha. Mas onde estar nosso corao se no em nossas razes?

Quando aprendemos a valorizar nosso rastro, nos conectamos com a beleza existente nele e as experincias dolorosas, antes vistas como ruins e martirizantes, agora tero um novo olhar, uma nova viso. A viso da lio e do aprendizado. Aprendizado que leva ao conhecimento, conhecimento que leva a perpetuao do bem maior e do real amor atravs desta sabedoria.

O fato deste rastro s poder ser visto luz solar, tambm, remonta a virilidade, a fertilidade e a fora do Sol de Belenos/Apolo/Hrus...

Seguindo esta bela lio do Caramujo, reparamos que ele no possui "olhos", que ele "enxerga" e se guia por suas antenas que captam a umidade do ar, a direo do vento e demais fatores que lhe do uma certeza infalvel de onde est e pra onde tem de ir, isto nos remete aos nossos sentidos interiores, a voz da Alma e a nossa intuio.

Um grande Druida certa vez me ensinou que temos cinco sentidos externos e cinco sentidos internos, ou seja, os cinco sentidos da Alma, capazes de nos mostrar a verdade por trs da matria. Ento, teramos: a viso, o olfato, o tato, o paladar e a audio, mas em uma dimenso, absurdamente, mais abrangente que sentiria tudo que nosso corpo fsico no consegue captar, de modo a nos conduzir atravs dos portes do "ver alm".

A viso: premonio, enxergar a situao em todas as suas possibilidades e tudo que ela afeta ou pode afetar, abrangendo-a como um todo.

A audio: ouvir a msica do infinito, a voz que vem do mago da alma, a cano nunca antes ouvida, feita em melodias e acordes peculiares, moldados e personalizados pelo inconsciente de cada Alma, que nos traz paz e equilbrio e que nos desperta para a "nobre simplicidade".

O paladar: sentir o gosto e a textura de tudo que tocamos com o esprito, o que nos remonta aos prazeres de sentir os sabores das estaes, do orvalho que ornamenta as folhas da plantas na aurora, do doce sabor do voar das liblulas e das abelhas, na dana sagrada da busca pelo alimento.

O olfato: o instinto de "farejar", detectar uma tempestade mesmo que ela esteja a quilmetros de distncia, sentir a umidade do ar, a essncia das flores, quando se "fareja" ou invs de cheirar despertamos instintos primitivos que nos conectam com toda a harmonia e o suave equilbrio que rege a criao em sua temperana.

Por fim, o tato: quando tocamos com a Alma, "perfuramos" a espessa camada da matria, do concreto e atingimos o "abstrato" o "surreal", dando vazo ao "sentir". Ao percorrer, com as palmas das mos, o tronco de uma rvore, como o Pinho, percebendo suas nuances escamosas; ser cauteloso ao tocar uma Rosa, ao segur-la pelo caule e no ser ferido pelos espinhos e desfrutar a maciez das ptalas.

A ltima lio que o Caramujo nos ensina (pelo menos que este Druida que vos escreve conseguiu compreender) o seu "caracol", sua "morada", seu abrigo. Ele se "esconde dentro dele mesmo" quando algum perigo sentido, quando algo ainda no conquistou sua confiana, um refgio seguro e acolhedor, protege do frio e no calor, possui uma sensao trmica tambm. Nossa casa nossa Alma, no de uma maneira egosta e solitria, mas compreendendo que isto nos leva a exteriorizar estes pensamentos fazendo com que o universo pulse conosco em uma fuso de sensaes nicas e "reparadoras", que so transmitidas ao nosso eu exterior (arqutipo) e a todas as pessoas que fazem parte de nossa comunidade.

O caramujo e seu caracol nos ensinam que quando estamos perdidos em meio s perguntas sem respostas, conturbadas situaes de frustrao, num Mar em fria, cegos pela Tempestade, pela neve ou na busca da compreenso de algo a nossa volta, devemos nos voltar para dentro de ns mesmos, para o nosso "self", de modo a nos reconectarmos com nossas razes.

Se fizermos esta "viagem interior" encontraremos o que buscamos, nos tornaremos mais felizes e realizados como um todo.

Pois em nosso mago reside a "ligao ancestral" a sabedoria perdida, esquecida... E ao nos comunicar com esta sabedoria, criamos e fortalecemos o elo com o que realmente importa neste plano: o que fizemos, o que estamos fazendo e o que faremos? Esta linha de raciocnio nos conduz vida plena e ao equilbrio emocional, psquico e espiritual, seja qual for o caminho que cada um venha a trilhar.

E por fim, se observarmos este caracol, veremos que ele foi desenhado e moldado pela Me Natureza com o espiral do poder, da fora, da espiritualidade. Quando nos encontrarmos no centro de nossa espiral devemos olhar ao redor e notar que nosso caminho est a nossa volta, pois nos circunda, para que possamos enxerg-lo e compreend-lo.

Portanto, da prxima vez que cruzar com um Caramujo, agradea pela bela e sbia lio de vida!

Por ldrich Hazel Ybyrapyt
Caminhante que busca o despertar da conscincia atravs da meditao e da compaixo.

Citao:
"Somos todos folhas da mesma rvore."
ldrich, filho da Aveleira
http://eldrichazel.blogspot.com

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