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A Ponte e o Espelho

Enviado em 09/01/2010 (6001 leituras)

"Andarilhos entre os Mundos". Assim eram conhecidos os Druidas nos tempos antigos, provar do agridoce sabor das experincias espirituais e buscar a Inspirao onde os olhos da carne no alcanam. Tarefas to facilmente negadas por quem procura a comodidade, paz e sossego!

Porm, se sabia que a comunidade necessitava de algo mais do que os conselhos convencionais e a "medicina trivial", era preciso caminhar entre os mundos para colher as flores e os frutos das rvores que brotavam na Terra prometida e da Terra proibida, correr os perigos que nenhum outro poderia correr.

Isto buscar a verdadeira sinergia, a essncia vvida da Alma, o verdadeiro heri no oculta o seu medo, como um mero mortal feito do mesmo barro sabe ser. O medo nos adverte da "fresta" por onde sai o facho cortante da Luz fervente que nos derreteria como gelo ou que pode nos cegar e nos impedir de alcanar o objetivo final, se no o mesmo medo?

Assim trilhamos nossos caminhos arenosos, com o vento a soprar em nossos cabelos, sentindo o Sol queimando nossa pele e passando pelas fontes e nascentes, sendo levados pela gua corrente dos acontecimentos, como se a vida nos fosse dada como fardo.

Caminhar entre os mundos absorver o conhecimento oculto no doce e cortante som do Vento, sob o manto sussurrante das aveludadas estrelas, e t-las como nico alento. sentir o perfume secreto que exala dos cabelos da Alva Lua, "caminhar" com as asas de um beija-flor na ansiosa sede do doce e lquido nctar.

E acima de tudo, perceber que os portais da imortalidade esto abaixo e acima, esquerda e direita de cada um de ns. Ento, seriam os espelhos estes portais? Mostrando-nos quem, realmente, somos por mais dolorosa que possa parecer e se deparar com o que se v neles.

Espelhos so muito usados em filmes, livros e contos como portais de passagem para outros mundos e acreditar que ele seja mesmo um reflexo de nossos desejos mais ocultos, ternos ou obscuros... Escondidos e trancafiados, que nos diria quem somos e de onde viemos e quem sabe at, para onde vamos. Mas nesta dana das sombras subliminar estaramos presos dentro deste espelho por no sermos capazes de nutrir ou manter o que foi descoberto?

"Construtores de Pontes". Assim tambm eram conhecidos os mesmos Druidas que caminhavam entre os mundos, eram os pilares de sustentao que ao primeiro sinal de declnio, se inclinavam para fazer o contrapeso necessrio para que o equilbrio se restabelecesse.

Construir Pontes entre pessoas seria o mais injusto e ingrato dos afazeres, pois a discrdia e a prepotncia sempre reinaram desde o incio dos tempos, disputa, guerra, por comida, por territrio, por honra, por dinheiro. Enfim, o que se construa alm de castelos de sal? E o que se constri hoje alm desses castelos de sal? Os tempos foram se tornando escassos e ligeiros, como o vento que sopra, mas como uma cano sem nota.

Os filhos do chamado sussurrante se tornaram surdos e insensveis, a Me chama pela Alma, como o pssaro apanhando o gro, como a aranha tecendo a teia, que mil faces tm e mil nomes tambm!

Mas eis que em tempos de terrvel tormenta se ouve o bradar da compreenso, seria a voz dos Elfos, das Fadas, dos Elementais que tomam formas inesperadas, apenas para serem ouvidas? Seria o pranto da derrota inevitvel que assovia seu prprio derradeiro? Em tempos de confusos espelhos, de bifurcadas pontes ser possvel haver comunho?

Parece despertar algo que no se esperava, a mo branca da Paz se faz ao longe na neblina e quando se afasta Avalon se apresenta. Mas quem digno de colher uma de suas curadoras mas, quem no se amedronta diante da macieira aps saber sobre o conto da Serpente da sabedoria e do pecado?

Se aventurar seria abraar a morte, sem temer este abrao, mergulhar no tero da Terra onde descansa a semente e repousa a esperana renovada e talvez, no mais cega pela espiritualidade subserviente, clamaremos por essa temida sabedoria.

Espelhos e Pontes... Portais e laos!

"Eu caminho entre os mundos com os ps descalos, para sentir se a Terra sob mim est livre, se respira o mesmo ar que eu, para ouvir o calado canto que ela exala. Eu construo Pontes entre o que no se parece ou se gosta, por que o verdadeiro equilbrio est na diversidade de simplesmente ser. Eu sou um Druida por que o meu caminho se fez assim, pois na bifurcao da indagao, soube quem eu era de verdade e busquei na Ponte de Espelhos, minha verdadeira essncia vital, a minha ancestralidade."

Bnos Verdes e AWEN a todos /l\

Por ldrich Hazel Ybyrapyt
Caminhante que busca o despertar da conscincia atravs da meditao e da compaixo.

Citao:
"Somos todos folhas da mesma rvore."
ldrich, filho da Aveleira
http://eldrichazel.blogspot.com

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"Três velas que iluminam a escuridão:
Verdade, Natureza e Conhecimento." Tríade irlandesa.

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Rowena A. Senėwėen