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O Segredo do Cálice da Soberania

Enviado em 07/12/2010 (2289 leituras)

Dia novo, vida nova, novas experincias!

Tudo adquire um diferente e mgico significado quando, empoderadas e seguras de nossa Soberania, atribumos ao mundo - e nossa existncia nele, com Ele - ressignificaes e contedos inditos, distintos do molde de condicionamentos que solapam e violetam as almas bruxas que, por pressuposto, so livres.

s vezes nos esquecemos disso, mas, quando o fazemos, nada como o frescor de uma nova manh para observarmos a existncia de inmeras possibilidades na vida, prontas para serem frudas, captadas, vividas, agregadas. Essa a eternidade que se adquire na lembrana...

Depois de uma ritual auspicioso para as grandes mudanas que esto chegando sem pedir licena - fabulosa expresso de caos criador - acordei com a disposio de quem decide olhar para o azul do cu e deixar para trs todas as hordas de energias desencontradas que resolveram coexistir, por fraes infinitesimais, na trajetria mgica de experincias de vida.

Tenho aprendido silenciosamente que a luz pessoal atrai de tudo, desde "curiosos" que reificam nossas vidas no Sagrado Feminino para um simples arqutipo caricaturizado de bruxa-da-verruga, at antigos desafetos que, no satisfeitos com os bacanais de outrora, desejam, nessa existncia, finalizar os genocdios que, por pacto, levaram-nos para as fogueiras. No estamos imunes a isso porque essa exatamente a sina de uma grande bruxa: enfrentar, sem medo, as malezas de um mundo que est carente de compreenso e amor-prprio.

Diante dessa realidade, ataques psquicos so bem comuns, drenagens energticas por pessoas que esto perdidas em relao a si tambm. E ns? O que precisamos fazer?

Transmutar... O que fiz? Transmutei, transmuto. Transmutao. No me peam para fazer outra coisa... Sou fogo, gnea, venho, vou, corro, voo, transformo, transmuto...

Deixei, assim, que o fogo transmutasse o desejo escrito em rima antiga, para, leve e serena, seguir na fluidez do que me muito natural e suave: ser eu mesma, sem que nada ou ningum se apoderem de meus sentimentos, amores e dores, ressurgindo firme e sabedora da parcela de Soberania a se desenrolar bem diante dos percalos que, sem saber, insisto em colocar em meus caminhos sacerdotais. Nada escapa da Soberana regente de si quando, no aceitando os pactos velados, samos da escurido para transformar, com a centelha criadora do elemento fogo, a sombra em perfeita luz.

A gua, em sua leveza, purificou a rima devastada pelo fogo, fazendo com que aquele pedao de papel que, outrora, havia depositado sonhos desfeitos, fosse, dali em diante, apenas um pedao carcomido de cinza, p e nada. Foi-se, assim como veio, a sombra de iluso que banhava o ar de dvidas.

Ao final, confesso, no foram horas de deleite erudito nas sendas hindus a me restaurar as foras: foi a magnitude reconfortante do afago da Grande Deusa que se apoderou de minha sina e, acessada pela egrgora de fora, tornou-me mais e mais forte... Lembrar de quem sou torna-me plena em relao ao percurso que escolho, s pessoas com quem encontro em face da vibrao em consonncia.

A terra sepultou, enfim, o grande engodo, sabendo, como ningum, calar-se diante de meus atropelos para, sem proferir uma s palavra, estabilizar-me num manancial de lindas ondas faiscantes de um violcea brilhante a sair da ametista transmutadora.

E o ar, ah, o ar! Esse elevou meu pranto de gratido aos cus e aos confins do Universo, imantando cnticos de verdadeira dignificao da luz que, ao final, une cada uma de ns... Depois desse lindo passeio mgico nos mistrios dos elementos, embalei-me para dormir, imersa na felicidade do meu fluxo de fmea a escorrer de minha caudalosa entranha.

Uma gana incomum tomou conta de mim logo pela manh, quando fui buscar minha herana recm chegada da casa materna em Natal: um antigo clice sagrado, repositrio de nossa fora, temperana, passionalidade e impetuosidade. Mas, sobretudo, legado ancestral que nos une, em vida, s espirais helicoidais das grandes matriarcas brujas (ou meigas, em galego) da famlia de La Vega.

Eis o grande segredo do legado...

Um clice voluptuoso como cada uma das minhas curvas repletas de audcia e intemprie. Formas sinuosas de uma mulher moldada com ferro, fogo e veludo doce: o segredo que ningum revela, mas que professa, em palavras silenciosas que apenas os mais acautelados conseguem sentir com a alma: reside no reluzente clice a prpria Soberania do Feminino manifestando-se na ondulao das guas que se deitam no tero da Grande Me...

Eis-me presente, de corpo e alma, no clice guardado com tanta sabedoria e fora. Eis o receptculo que detm o conhecimento ancestral que se propala no tempo e atravessa espaos. Indo e vindo, absorvendo e devolvendo o grande esprito selvagem da guerreira incontida, da sacerdotisa que tudo sabe, pois tudo tem em torno de si como calmo, sereno e tranquilo.

Sim, a vida flui e no constante devir do que no ser porque j , compreendi na lio do dia que preciso me lanar no mundo para saber mais dele... Hey ho!

Por Audrey Donelle Errin
Pesquisadora do Sagrado Feminino, dentro do foco celtbero.

Citao:
"Conectada aos mistrios da ancestralidade da terra."
Sagrados Segredos da Terra
www.sagradosegredosdaterra.blogspot.com.br

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Rowena A. Senėwėen