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A soberania de Macha e o resgate do feminino em nós

Enviado em 24/01/2009 (3657 leituras)

Começarei minha vivência de 2009 compartilhando um pequeno segredo. Talvez vocês possam se identificar com ele, ou não. Quem sabe? Afinal, num mundo repleto de possibilidades, um caminho é sempre uma opção, a escolha que, eliminando temporariamente as demais, sela uma trajetória sem esgotar a integralidade da vida. Eis um princípio básico – para alguns – da movimentação “quântica” do Universo cambiante: a liberdade no “achar”, opinar, sentir e falar...

Pois bem, vamos ao segredo guardado a sete chaves. Quando iniciei os passeios mitológicos na sacralidade celta, a história de Macha não despertou em mim – ao menos naquele momento, há mais de dez anos – a contundente atenção uterina com que hoje vivencio a lição de Soberania fortemente presente no arquétipo e no mito da Deusa-cavalo.

Tempos atrás, eu estava mais focada no estudo do elemento fogo predominante nas egrégoras de Brighit e Cerridwen, deusas relacionadas - direta ou indiretamente - ao hermetismo presente naquele elemento. Julgava - erroneamente - que a Soberania era um atributo intrinsecamente presente em mim, sem que pudesse ou devesse fazer algum esforço para sua percepção e manifestação. Afinal, já me considerava Soberana pelo simples fato de ter nascido mulher, acreditando, com todas as minhas forças, que isso poderia ser o bastante para manter intacta a fé no Sagrado que habitava em mim.

Hoje sinto que existe uma diferença enorme e substancial entre “conhecer um caminho” e “percorrer um caminho”, assim como existe um abismo entre reconhecer a Soberania intrínseca e vivenciar essa energia em cada momento de nossas existências nesse plano dimensional.

Sem medo ou constrangimento em falar o que sinto, posso afirmar ter construído em minha volta – àquela época - uma grandiosa torre de marfim, erguida por blocos de ignorância que foram cuidadosamente amalgamados no cimento da arrogância com a qual menosprezei e negligenciei a verdadeira vivência da Soberania. Contentei-me apenas com a superfície do discurso de plenitude, sem mergulhar nas profundezas da minha essência divinal, local de onde flui a chama da autodeterminação.

Minha vivência, nessa confusão toda, estava sedimentada nas razões erradas, pois experienciava essa arrogância no lugar de uma Soberania na qual julgava acreditar, apesar de, no fundo, não sentir um só filete de seu poder... E, dentro disso, um padrão bem curioso: quanto mais me mostrava como firme, forte, poderosa e plena (o “mantra” pessoal que aprecio compartilhar com minhas irmãs na bruxaria e na vida), mais sofria uma síndrome do “não-ser” firme, forte, poderosa ou plena.

Quedava frágil e vulnerável ao menor sinal de tempestade no horizonte dos caminhos que escolhia! Aliás, as escolhas eram, em si, a concretização do puro sofrimento, pois se baseavam na falsa sensação de poder, que encobria a total e completa ignorância aos anseios da minha alma!

Foi curiosamente num dos últimos relacionamentos que isso tudo veio à tona, como acontece num daqueles antigos filmes que se desvencilham de seus rolos para as brancas telas de pano. Enquanto contava para um namorado totalmente desinteressado a história de Macha, senti em cada palavra uma nova realidade se esquadrinhando bem diante dos olhos, materializada nos vocábulos que ardiam em minha garganta.

Os chackras cardíaco e laríngeo[1] - bastante aquecidos pela transmutação do ar no fogo avassalador codificado em fonemas - apontavam contundentemente o que eu recusava enxergar: no fundo de minha alma, não reconhecia em mim a Soberania de Macha e, por não enxergá-la, passei a acreditar que dela estava plena, tentando me convencer que isso já seria o bastante para me fortalecer! Tentei me convencer que não precisava fitá-la, observá-la, vivenciá-la! Como os cientistas gostam de dizer, eu não precisava focar a Soberania porque ela “era pressuposto de estudo” ou, ainda, “dado apriorístico[2]”. Hahahaha...

Como se isso já não fosse o bastante, comecei a prestar atenção no semblante do moço, que se desfazia na mescla de espanto, raiva, curiosidade, mas, acima de tudo, desrespeito. Sim, o desrespeito selou definitivamente minha compreensão em relação ao engano com que até então seguia, errante, na busca dos segredos herméticos do elemento fogo.

Não poderia acessar conhecimento externo algum sobre o fogo (nem de uma receita de ovo frito) se, no fundo da alma, não sabia quem eu era. Pior, se não tinha a menor consciência dos processos internos de auto-engano com os quais construía meu caminho até aquele derradeiro momento. Percebi ali que precisava – além de terminar o relacionamento, claro - retornar ao mais profundo lugar abscôndito na imensidão da essência, vivenciar o sentido da Soberania da Deusa-cavalo, para, depois, seguir adiante na trilha do conhecimento.

Depois dessa experiência, passei a perceber e sentir a egrégora de Macha de outra maneira. Hoje compreendo na bela e sofrida história da Deusa um verdadeiro convite à reflexão sobre a manifestação do Sagrado Feminino em nossa essência, bem como sobre a materialização disso, quando relacionamos com alguém.

Não se trata, contudo, de vivenciar o sagrado “para o relacionamento com outro”: esse é o auto-engano, o elemento sabotador dentro de nós e que precisa ser conhecido, compreendido e administrado. A vivência a que me refiro diz respeito ao sagrado enquanto elemento integrante de nossa essência, expressão verdadeira da nossa alma, independentemente de nos relacionarmos ou não com outra pessoa.

O foco da egrégora de Macha não advém da construção do relacionamento ou do posicionamento do “eu” na relação, mas, antes, surge do movimento oposto: da compreensão do eu e da Soberania nele contida para, a partir daí, o mundo ser construído segundo a expressão de tal poder. Foi a partir dessa compreensão que meu mundo adquiriu nova dimensão... Eis o que descobri graças a Macha, minha deusa-madrinha.

A Soberania é o elemento-chave da essência de Macha. Como deusa protetora dos cavalos, reúne em seu aspecto antropomórfico o simbolismo representativo da principal característica eqüina: a liberdade transcendida a cada momento em que o animal melodiosamente flui no trote macio da pradaria do viver.

As quatro patas em contato com a relva nos lembram a fixação estável no elemento terra, a partir dos pontos dispostos num perfeito quadrilátero, geometria sagrada anímica que revela a pureza em estado bruto daquele animal.

Ao mesmo tempo em que a terra e a matéria são marcas de maior visibilidade no cavalo – além da sexualidade a ela relacionada no aspecto mais ancestral – nunca é demais lembrar a transmutação fortemente presente, pois a busca pela liberdade do espírito traz a velocidade presente no deslocamento e, portanto, os domínios do elemento ar. Aliás, que outro elemento nos lembraria o igualitarismo presente no ar? Afinal, ele expande, tende a ocupar todo o espaço ao seu redor, ampliando sua zona de alcance sem qualquer outra condição que não seja o fluir.

Sem deixar de mencionar a intemperança do elemento fogo, resultado direto do aquecimento produzido pela transformação da energia cinética em térmica ou, para sermos mais poéticas, transmutando, a todo tempo, a junção terra-ar para o afã do fogo que alimenta o espírito: eis a síntese da perfeição eqüina, em sua forma mais bruta! Todos esses elementos formam, portanto, a partir da sacralidade do cavalo, o substrato do mito em Macha.

Toda essa energia imanente da Soberania de Macha é percebida, de imediato, pelo simples fato de Crunniuc não ousar questionar a identidade da mulher que adentra seu lar. O silêncio é a marca devocional que traz ao viúvo a certeza de estar ali com uma deusa, pois Crunniuc a observa, extasiado, entrar na casa, arrumar o local, preparar um jantar e, ao final, levá-lo até o quarto, para selar o encontro sagrado, algo que, para aquela cultura, era cercado de seriedade e ritualismo[3].

Macha não revela ao viúvo sua identidade, assim como por Crunniuc sequer é questionada em relação aos seus intentos: eis a primeira percepção sobre a Soberania, manifestada na autodeterminação presente na construção de uma subjetividade deídica na cultura e mitologia celta.

A Deusa-cavalo é soberana pelo simples fato de exprimir sua deidade sem a menor submissão a outro ser, pois, realiza suas vontades sem obstáculos ou limites. Ela não se esquece, porém, da mortandade, porque o respeito de Crunniuc àquela figura etérea catalisa a energia de Macha, que gera, com seu calor, tudo aquilo que estava faltando no lar do viúvo: lavoura, gado, lar.

Outro aspecto interessante em relação à expressão de plenitude diz respeito ao silêncio: Macha não revela, em momento algum de sua convivência com Crunniuc, sua identidade. Chega do horizonte – morada dos deuses e limiar entre-mundos – de maneira avassaladora e exuberante e se estabelece adentrando a morada de Crunniuc: para ele, pouco importava a origem daquele formosa mulher porque passou a sentir-se, com ela, mais completo.

Aliás, Deusa apenas se revela ao final, quando, humilhada pelo séquito de Conchobar, rompe o ciclo de convivência com a mortandade. A partir daquele momento, Macha não mais estaria presente entre os homens: o pano de fundo, aqui, refere-se à apropriação da soberania. Como condicionar ou compartimentar a plenitude do ser? A partir do momento que a verdade é revelada, fatalmente viria à tona a cupidez e a ganância humana em relação à usurpação da Soberania, uma possibilidade que não poderia ser suportada pela deusa[4].

Outro detalhe peculiar presente na mitologia celta (como em quase todas as historiografias que se sedimentam na polarização de princípios): o princípio feminino é criador, porém, dissociado do sentido de construção social de um papel supostamente atribuído à mulher em vários níveis: os assuntos domésticos, coisificação, reificação, docilização[5], etc.

A criação soberana do elemento fogo transmutado está presente no mito tanto na fecundidade que cerca o cavalo, como expressão libertária do ser errante, que, ao mesmo tempo em que se encontra aterrado, transcende a estagnação e alcança vôos nas pradarias da cadência da vida.

A Soberania, assim, não se vincula a um status inflexível, baseado em fragilização e vulnerabilidade da mulher, mas, antes, a um estado livre de ser, na plenitude de nossa expressão como Deusas. Limpar a casa e dar comida aos bois nada tem de opressão, porque, dentro da estrutura celta, o matriarcado revela a primazia da atividade criativa ao princípio feminino (e não necessariamente à mulher: eis a distinção entre sexo e gênero).

Detalhe: Macha, tal qual Morrighu, é apresentada por muitos historiadores, estudiosos e pesquisadores (sim, homens) como detentora de um apetite sexual “voraz”, em contraponto à concepção judaico-cristã de castidade (que sempre embala o pensamento, ainda que inconscientemente)... Essa percepção, apesar de bastante misógina (se for atribuído um sentido de diferenciação de “papéis sexuais” a homens e mulheres) é compreensível ante o movimento histórico de desrespeito, reificação e coisificação do feminino na mulher: daí o resgate da valiosa compreensão de soberania com que vivencio meus ciclos sagrados.

Por que reduzir a beleza do mito a uma questão de “voracidade” separatista, que segrega o chamado “mundano” do que existe de mais etéreo além-mundo? O que é definido como voracidade em termos de expressão de sexualidade? Entendo que atribuir um mero juízo de “voracidade” retira o que existe de mais belo na história das mulheres e deusas celtas: a sexualidade como concretização, no plano físico, do encontro pleno de almas que se realizam na livre expressão de sua essência.

A livre expressão contida na essência primordial da sexualidade celta é ingrediente incomum em qualquer outra referência mitológica que forma o tronco indo-europeu romano-germânico do qual fazemos parte. Encontramos esse ingrediente em Macha, Morrighu e Maeve, deusas- rainhas plenas em si e, dentro disso, em suas expressões de sexualidade. Nunca é demais lembrar que Morrighu, inclusive, veio a ter com Dagda em pleno rio, prometendo-lhe, dali, a vitória em batalha.

Mais interessante ainda é vincular tal expressão de plenitude à prosperidade que cerca a casa e a vida de Crunniuc, pois, com Macha satisfeita, a fecundidade no lar de Crunniuc retorna. A lavoura – representativo da fartura - é restabelecida: o gado volta a se reproduzir; a casa, ambiente mais importante para o celta – coração de sua alma e centro irradiador do conforto e da segurança - volta a reluzir, saindo da escuridão.

Enquanto ambos estão em sintonia em suas expressões de polaridade e complementaridade de princípios, tudo é harmônico no local. Um elemento desestabilizador, contudo, ameaça aquela paz: a festividade de um rei que, no auge de sua egolatria, não somente duvida de Crunniuc, como, também expõe Macha em um momento tão sublime e soberano, como o caso do parto iminente.

Em certa medida, mesmo sem saber, o egoísta Conchobar indispõe-se com a própria deusa, apregoando que seus cavalos são mais velozes: a comparação, pois, é estabelecida por um rei (mortal, homem) em relação à Deusa-cavalo, Senhora de todos os eqüinos e detentora da supremacia em relação a eles.

Macha, ainda na sabedoria que lhe é peculiar (e que não faz parte, como muitos acham, de um rol de atributos “masculinos”, como se sabedoria estivesse relacionada à primazia do princípio masculino, da razão e da lógica), ainda tenta argumentar com o rei, chamando a atenção para seu estado, com a finalidade de evitar o inevitável: o fim do ciclo de convivência com os homens.

Assim, mesmo sendo uma deusa, prostra-se diante do rei com humildade, pedindo clemência. Ela tenta evitar explosão de sua deidade e a revelação da identidade, malogrando êxito, pois o beberrão monarca, indiferente ao apelo e escarnecendo de Macha e de seu ventre proeminente, ameaça matar Crunniuc se a mulher não correr contra os cavalos.

Não existe corrida. É impossível aos subservientes eqüinos afrontar a deusa que lhes amadrinha. Logo, logo, Macha lança-se à frente, não tendo a menor dificuldade em chegar ao final da corrida como vencedora. Sela, ali, o fim de seu matrimônio com Crunniuc, que traiu a confiança depositada por Macha.

Em virtude do egoísmo, da vaidade e da traição dos homens, a Deusa sente as dores do parto intensificadas em função do que sofrera, pois a conduta imatura e desrespeitosa do rei Conchobar maximizou a dor que a deusa poderia sentir.

A linha de chegada sela o urro de dor e a propalação da maldição direcionada aos homens do Ulster. O simbolismo do número nove aqui aparece, quando a Deusa afirma que nove gerações de guerreiros sentiriam, doravante, a latente dor que ela sentira naquele momento. O fim da era de convívio entre Deusa e homens foi marcada pelo concomitante fim da prosperidade para Crunniuc e para os homens de Conchobar.

Com os gêmeos no colo e partindo para os Sidhes, Macha exige o que é sua herança terrestre: diante do sopé dos montes da linha de chegada, nomina os cumes “Émain Macha”, ou seja, os “gêmeos de Macha”, enaltecendo sua deidade e lembrando aos mortais das conseqüências de se desrespeitar a soberania do feminino deídico.

Referências bibliográficas:

CAMPBELL, Joseph. O Poder do Mito. São Paulo: Editora Palas Athena, 1990.
CURTIN, Jeremiah. Myths and folks tales of Ireland. New York: Dover Publications, 1975.
GUEST, Lady Charlotte (translation). The Mabinogion. New York: Dover Publications, 1975.
MACKILLOP, Lames. Myths and Legends of the celts. New York: Penguin Books, 2005.
May, Pedro Pablo. Os mitos celtas. Trad. de Maria Elisabete F. Abreu. São Paulo: Editora Angra, 2002.
NOGUEIRA, Carlos. Bruxaria e história. Bauru: EDUSC, 2004.
ROBLES, Martha. Mulheres, mitos e deusas: o feminino através dos tempos. Trad. William Lagos. São Paulo: Aleph, 2006.
ROCHA, Everardo P. Guimarães. O que é Mito. São Paulo: Brasiliense, 2006.
QUINTINO, Claudio Crow. O livro da mitologia celta: vivenciando os Deuses e as Deusas Ancestrais. São Paulo: Hi-Brasil, 2002.
SQUIRE, Charles. Mitos e lendas celtas. TRad. Gilson Soares. Rio de Janeiro, 2003.
VARANDAS, Angélica. Mitos e lendas celtas na Irlanda. Lisboa: Gráfica Europam, 2006.

Por Audrey Donelle Errin
Pesquisadora do Sagrado Feminino, dentro do foco celtíbero.

Sagrados Segredos da Terra:
http://www.sagradossegredosdaterra.com.br

E-mail:
adlvmiranda@yahoo.com.br

Para ler os artigos de Audrey Donelle Errin, clique aqui.


[1] Impressionante a transmutação do elemento ar para o fogo (segredo!), pois, na medida em que o ar subia para ser espargido, senti a centelha aquecendo o coração, que passou a bombear, com força, o sangue para o restante do corpo, liberando um sopro aquecido que embalava a entonação do relato de Macha.
[2] Apriorístico, numa referência bem simples e didática, é tudo que precede a experiência, fazendo parte do domínio da idéia. Quem achar interessante pode ir atrás de Kant para entender melhor o danado do juízo “a priori” (Crítica à razão pura e Crítica à razão prática, dois livros que falam sobre isso).
[3] Ritualismo que é bem visto na história da deusa quando Macha dá uma volta ao redor da cama, antes de se deitar e ter com Crunniuc.
[4] Aliás, o tema não é recente, pois na história de Arthur, Guinevere, a donzela branca, é disputada pelo Rei e Lancelote, representando a soberania. Tanto que, quando Arthur se vê despojado da rainha – seu complemento – Camelot jaz em pranto, esterilidade e infecundidade que somente serão aplacadas quando o Santo Graal (ventre da deusa cristianizada) voltar ao reino.
[5] Basta observar Morrighu que, longe de representar um arquétipo docilizado, é Deusa de Guerra.
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