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O Giro da Roda do Sul: o universo simbólico do Sagrado

Enviado em 24/02/2009 (5491 leituras)

O que é a magia senão a arte de trazer para esse mundo o resgate das antigas tradições que estão enclausuradas em nosso universo inconsciente ancestral? Diante da segregação homem e Natureza o símbolo realiza essa ponte ao mundo mágico do inconsciente, ao revelar, em certo sentido poético, a beleza misteriosa do que está encoberto pela névoa da ignorância com que insistimos em olhar o mundo ao redor.

Por que trabalhar com símbolos? Para Jung[1], a simbologia desperta centelhas inconscientes, reaquecendo referências gravadas em nossas memórias, soterrada pela racionalidade ao longo do tempo[2].

Segundo Greenwood, o “contato com aquilo que ele (Jung) designava por ‘inconsciente coletivo’ – simbolizado pelos deuses – levava ao acesso à sabedoria e à experiência humana universal” (1999, p. 182), a partir da busca a um passado ancestral, marcado pelo mergulho na profundidade daquilo que está entranhado nos aspectos mais profundos da mente.

Como encontrar, então, a referência a cada estrutura simbólica? De onde extrair cada pedaço de informação, que leva a um procedimento peculiar dentro da bruxaria? Afinal, de onde vem a idéia que o alecrim é protetor, a rosa, estimulante do amor e a canela da prosperidade?

Essa pergunta é extremamente capciosa, pois ainda que pudesse especular a resposta, não seria nada honesto fazer afirmações definitivas, como se realmente detivesse monopólio de conhecimento. Por isso, dando seqüência ao que me dispus a fazer no início de nossas conversas, não farei aqui uma dissertação sobre o que é certo ou errado em termos de práticas, mas, antes, apenas apontarei o que realizo, no cotidiano do que pratico. Acho mais menos pretensioso. Que tal?

A primeira advertência que julgo necessária diz respeito à velha e boa discussão sobre a correspondência seguir a linha de movimentação do hemisfério sul ou norte, porque, afinal, existe certa polêmica em relação a isso, já que alguns covens ou bruxos solitários preferem girar de acordo com a roda do norte, enquanto que outros decidem girar pela roda do sul.

Por que falar primeiro em rotação segundo o ciclo do sul ou do norte? Porque é base das emanações de trabalhos com egrégoras, já que em cada ponto do planeta existe uma distinção natural de ciclos, estações do ano, posição aparente do Sol, da Lua, evidenciando a relatividade inerente a cada ponto ou coordenada.

Seguir a Roda do Sul... Bom, já que direcionei meus esforços segundo a percepção de ser a bruxaria uma manifestação cíclica em acordo com a vibração e o ritmo da Natureza, surge a opção pela egrégora do hemisfério sul de acordo com a sazonalidade do transcurso das estações do ano, pois elas marcam passagens e períodos de incessante impulso de vida-morte-vida.

Assim sendo, tenho refletido bastante sobre a predileção pela a roda do sul, principalmente se for atrelada a uma percepção macrogônica, dimensionada em termos de interconexão, por exemplo, a aspectos astrológicos, dentro dos quais pode ser defluída a lunação.

Afinal, estamos fazendo uma abordagem que pretende conectar estruturas aparentemente diferenciadas, já que apontam, ao final, para uma complementaridade em relação à busca por respostas nesse Universo tão grandioso. Assim, por esse caminho, ligando o estudo à percepção astrológica, por exemplo, poderiam ser analisadas as implicações que a localização traz, em termos de egrégora.

Isso sem deixar de mencionar que a própria Terra – Grande Gaia – ao realizar sua rotação, imprime uma magnífica força inercial nos corpos que estão sobre a superfície do planeta, o chamado efeito Coriolis. É o que acontece quando a água desce pelo ralo, no hemisfério sul, em sentido anti-horário (enquanto no hemisfério gira em sentido horário). Ele expressa bem a predileção que a própria Gaia faz em relação aos seus ciclos, irradiando-se por tudo em nosso planeta abençoado.

Daí a razão pela qual não concordo com o modelo proposto pela aderência à celebração pela roda do norte, já que existe uma relação intrínseca entre a roda e os ciclos. Talvez seja encrenca da minha cabeça pensar assim, mas, de fato, ainda não encontrei argumento algum plausível para sustentar o contrário[3], apesar de não se tratar aqui de um estudo motivado por justificativas racionais.

Aliás, é uma questão de intuição, vivência e experimentação sazonal que me impele a respeitar o ciclo da roda do sul, já que a estação e a mudança energética na Natureza são bem visíveis, de acordo com o ciclo que o hemisfério segue[4].

Aliás, quanto mais entro em contato com pessoas que seguem outras expressões cíclicas, mais percebo existir muita razão no fato de a roda respeitar a movimentação energética e rotacional da localização.

Depois de falar sobre a roda do sul, que tal começarmos com as referências dos dias da semana? A razão é bem simples: já que estamos falando em ciclos e na eterna movimentação de vida-morte-vida, nada mais representativo de início, meio e fim de cada ciclo do que cada dia em que o Sol nasce e, ao final, repousa.

Seriam, assim, espécies de mini-mascimentos, mini-mortes, enfim, pequenos ciclos dentro de ciclos, perpetuando a tradição celebrada a partir de cada passagem para uma nova vida. Eis o substrato do que percebo como o divinal: morrer a cada dia, para, depois, ressurgir em novos ciclos, dentro dos quais desponta a reflexão sobre o que passou.

Por que? Ah, para a construção do caminho na eterna espiral da infinitude de nossas essências! Afinal, são as distintas cascas que se soltam ao longo da vida que informam quanto cresceram a árvore, a cobra e o escorpião.

Começarei com o domingo, desmistificando a sensação que a semana inicia na segunda-feira. Sunday para o idioma inglês, pois esse sistema traz a referência às disposições astrológicas, de acordo com os astros conhecidos na época do expansionismo romano, influenciando, assim, outras línguas e futuras nações.

O dia do Sol marca a proeminência do masculino, o princípio do “eu”, a individualidade. Como é um dia marcado pelo brilho, pela força, vontade e motivação, considero como cores emblemáticas o laranja, o amarelo e o dourado, pois as conecto a uma dimensão de fartura, êxito, canalizando a energia para a prosperidade, fama, abundância, ao otimismo.

O domingo é excelente para trabalhar a estima, bem como o tratamento de estados depressivos que a ela se relacionam. O elemento fogo, nesse sentido, pode ser tomado como um excelente catalisador de processos, veículo de manipulação energética, em termos de referências simbólicas.

Laurie Cabot faz uma lista bem similar, que envolve força física, êxito, saúde, criatividade, riqueza, liderança e iluminação, marcas da influência que o dia do sol traz em termos de estruturas simbólicas (2000, p. 214).

Por outro lado, sempre é importante lembrar que o atributo ígneo, quando exageradamente trabalhado pode se transformar em irascibilidade, irritabilidade e, em último grau, em destruição. Esse é a outra face do que se atrela ao fogo, como imanação de poder.

Em relação à parte de herbolária, sinto a existência de conexões entre as ervas que são consagradas a este astro, ou, ainda, que exalam cheiro cítrico, apurado em termos de um aroma forte e marcante, a exemplo do limão, cravo, açafrão, heliotrópio, girassol, louro, olíbano, da camomila, calêndula, laranja. Claro que existe muito mais, pois sei que gengibre, canela e cravo são plantas solares, além de flor do campo, sangue de dragão ou pimenta.

Em relação a correspondências de gemas, cristais e metais, não poderia deixar de mencionar o valor do ouro, além do âmbar, cristal de quartzo, diamante, enxofre, olho-de-tigre, topázio, zircone, pirita, além da calcita laranja, cornalina, pedra-do-sol e todas com coloração laranja ou dourada[5].

Por que tal lista? Já reparou que tais metais têm predominantes nuances de poder, de irradiação de força? Por uma ampliação simbólica de uso de analogia, sintetizam todo o vigor deste astro, já que pode ser inferido de tal uma caracterização de valor e força.

Em relação à correspondência a um panteão mítico, de origem celtíbera, interessante a agregação do dia de domingo a Brighit e Lugh, que são deuses solares por excelência, já que expressam a o conteúdo ígneo desse astro. Poderia citar Cernunnos, representando o vigor, bem como a força primordial da fecundidade e da proeminência espermal, lembrando sempre que se trata de uma egrégora muito forte, com uma expressão energética contundente, de modo que aconselharia cautela.

Já a segunda-feira é domínio da Senhora Lunar. Monday ou Moonday, numa modificação do dia destinado à intuição, à emotividade e à expressão do feminino. Excelente dia para trabalhar a fecundidade, a fertilidade, a espiritualidade, o aumento de percepção sensorial, harmonia no lar e todas as expressões daquilo que se depreende pelo apelo ao feminino. As cores relacionadas à expressão lunar são o branco e a prata.

Agrego à segunda-feira[6] o domínio da água, elemento da percepção, do atributo profético e intuitivo, da emotividade, da cura, purificação, paz, amizade, tranqüilidade, do amor, como também, por outro lado, da indiferença, da preguiça, instabilidade e depressão – ligadas ao contraponto da estabilidade emocional.

As ervas que relaciono a esse dia são, em princípio, a madressilva, o salgueiro, absinto, salgueiro. Cabot ainda menciona todas aquelas flores que se abrem à noite, sob o domínio da Lua, a exemplo da dama da noite (Cabot, 2000, p. 214).

Em relação ao metal representativo desse dia, tem-se a prata, por razões bem explícitas: basta olhar para a lua maravilhosa e perceber como ela é prateada! Em reação às gemas, – o quartzo branco, citrino, pedra da lua, pérola, safira, madrepérola, água-marinha, selenita, calcedônia, bem como o berilo e também o cristal de quartzo.

Já a terça-feira[7] traz uma peculiaridade. Tuesday em inglês não traz novidade. Porém, Mardi em francês, Martedi em italiano e Martes em espanhol revelam a plenitude do grande planeta da Guerra: sim, abram alas para Marte, o grande deus temperamental, visceral, irascível, a brutalidade da sangria e do apelo à agressividade.

A cor emblemática que relaciono a este dia não poderia deixar de ser vermelho, porque tal matiz sempre lembra o conteúdo simbólico do nascimento, do poder, mas, também, da destruição e do ataque.

Por ser igualmente relacionado ao elemento fogo, tomo sempre cautela em relação a esse dia, pois, diferentemente do dia de domingo, em que o fogo acende a centelha da projeção da individualidade, do “eu”, terça-feira traz a inquietude e o caos.

Assim, o que usualmente conecto a tal dia relaciona-se à coragem, à proteção pela agressividade, à vingança, vitória, ao dinamismo, à quebra ou destruição de feitiços, à vontade, conquista, posse, construção, ao impulso iniciático, à garra, às batalhas e aos desentendimentos.

É uma lista bem caótica e contraditória, lembrando que estou sempre falando em polaridade, razão pela qual, ao lado da luz, sempre existirá o contraponto, que é exatamente a sombra com que temos que lidar rumo ao espaço de construção de nosso caminho rumo à senda evolutiva.

Poderia omitir tais detalhes, dando a vocês a falsa sensação que o caminho da bruxaria traz beneplácitos e somente flores, mas estaria cometendo uma impropriedade, porquanto traz também uma percepção de eticidade, a partir da demonstração de submissão a uma lógica de eterno retorno da ação.

Pois bem, gemas e metais relacionados ao dia de Marte: hematita, granada, rubi, jaspe vermelho, lava, rodonita, sílex, turmalina vermelha, amianto, ferro, aço. Você pode indagar a respeito da similitude entre o que elenquei para o dia do Sol e o que estou elencando aqui para o dia de Marte. Mas, na medida em que tenha feito a distinção, somente o caminho de experimentação do que existe de diferença entre o Sol e Marte poderá provocar a distinção entre a utilização e destinação de tais gemas e metais.

Um dia muito bom para invocação de arquétipos de deidades como Morrighu, Brighit, Macha, Mab, Andrasta, Badb, Bran, Cuchulain, Gwydion, Lugh e outros deuses ígneos.

Mas sempre lembro que a egrégora que está em volta de tais deidades deve ser observada, para que não seja desencadeada uma força além da capacidade de contenção do bruxo ou da bruxa.

Aliás, a respeito disso, gosto muito de ler a referência feita por Dion Fortune[8], que traz uma peculiaridade. Tuesday em inglês não traz novidade. Porém, quando menciona a grande virtude do neófito, pois como tal, naturalmente tem sua proteção possibilitada pelo desconhecimento dos assuntos ligados a outras sendas e egrégoras[9].

Assim sendo, por favor, muita cautela ao trabalhar com egrégoras de deuses celtas, por exemplo, porque, ante o desconhecimento da estrutura de cada arquétipo, você poderá se envolver em um manto muito complicado de desfazer.

Apenas para ilustrar o que estamos falando, lembro, certa feita, que fui realizar um ritual com uma amiga em minha casa, ocasião em que ela estava saindo de um relacionamento em que se permitiu sofrer. Como queria ajudá-la, logo pensei em algo relacionado à estima dela, para que pudesse se fortalecer e passar por tal fase.

No meio do ritual, senti a energia de Brighit –foi essa a deidade invocada – transformando-se em outra vibração, passando a sentir na pele a egrégora de tensão emanada por tal amiga em face de sua ignorância em relação ao desconhecimento de si. Resultado: produziu um manto de energia nefasta, que me fez cair dura por três longos dias, ante a manipulação e o desvirtuamento do foco de vontade.

Brighit é a eterna guardiã do fogo de Kildare, sacerdotisa conectada ao amor, à poesia e, por outro lado, ao impulso propulsor, catalisador, portanto, de eventos e vontades. Daí percebi que, ao iniciar um ritual, direcionando propósito, não é lá muito prudente eventual modificação na egrégora desenvolvida, pois pode acarretar seqüelas assombrosas.

Conclusão: não mais realizo rituais para pessoas em relação às quais eu não consiga ter uma boa noção do que está passando na esfera do subconsciente. Em relação a tal amiga, não teve desculpa, porque, pelo tanto que a conhecia, eu já poderia sentir – e, de fato, senti mesmo – que isso iria acontecer.

Mercredi em francês, Mercoledi em italiano, Miércoles em espanhol designam o domínio de Mercúrio, o deus do intelecto, da comunicação com o submundo, o guardião dos segredos dos deuses.

Assim sendo, minhas conexões ao dia de quarta-feira relacionam-se à comunicação, à eloqüência, ao intelecto, ao transporte, à criatividade, ao movimento. Porém, já que a parole também marca presença, também a conecto às vendas, ao comércio, aos negócios. Por que? Porque estas atividades estão essencialmente ligadas ao uso da palavra e, portanto, da eloqüência.

Já vi relações com a saúde, por conta de uma das grandes facetas de Hermes/Mercúrio, que também, no tarot é tido como o “grande embusteiro”, de modo a relacioná-lo à astúcia. As cores para o dia de Mercúrio podem ser, segundo Cabot, laranja e cinza (2000, p. 214).

Em relação às ervas, adoro o jasmim, o endro, vetiver, a lavanda, o alecrim, porque despertam tal lado de conexão comunicacional. O sândalo, quando usado com tal propósito na meditação, também pode ser invocado. As pedras para esse dia, bem como os metais, são a ágata, mica, opala, cornalina, o citrino, a opala, o mercúrio e o alumínio.

Ah, como comunicação e intelecto estão usualmente relacionados ao elemento ar, também incluo viagens, julgamento e imprevisibilidade, porque o ar, quando em movimento, dá origem ao vento, cujo poder de espargimento pode ser enfurecido.

Quinta-feira, thursday ou jueves, dijous, por excelência é o dia destinado a Júpiter, astro do otimismo, da expansão, filosofia, justiça, influência, sorte e autoridade. Anexo ao dia a cor turquesa, azul real ou até mesmo alguma nuance de púrpura. Em relação ao elemento, existe muita divergência, chegando até mesmo a se afirmar que Júpiter relaciona-se a todos (Cabot, 2000, 214). Acho coerente, se pensarmos que o astro está ligado à expansão (ar), bem como negócios, sorte, honras (demais elementos).

As ervas para esse dia são cravo, canela, castanha, açafrão, cedro, cumaru. As gemas e os metais que podem ser relacionados a esse dia são o lápis-lazúli, a turquesa, a ametista, a safira, crisocola, o zinco e o estanho.

Dia de Vênus, a sexta-feira marca o amor, o casamento, a amizade, harmonização, beleza, o apego ao belo, ao equilíbrio, às artes, fazendo parte de uma profusão de domínio do elemento ar.

As cores associadas para esse dia são o rosa e o verde. Bem simples o simbolismo. Em relação ao rosa, a cor demarca um abrandamento da inquietude do vermelho, que exalta a passionalidade, a força o ímpeto e, portanto, um furor: eis a razão pela qual se destina ao assunto lânguido do amor e demais conexões.

As ervas e plantas utilizadas para esse dia, como sugestão, são a dama-da-noite, o jasmim, a rosa (branca, amarela, vermelha). Também penso que tudo aquilo que tenha aroma e gosto adocicado, igualmente é destinado à egrégora venusiana – o morango que o diga!

As gemas relacionadas ao dia de Vênus são, como não poderia deixar de ser, de acordo com a coloração do que esse dia marca, o quartzo rosa, a esmeralda, o jade, tonalidade de jaspe, calcita rosa e verde. Scott Cunningham, na Enciclopédia de cristais, pedras preciosas e metais, traz uma longa lista de pedras que são consideradas “venusianas”: azurita, calcita azul, coral, crisocola, crisopásio, kunzita, lápis-lazúli, malaquita,, olho-de-gato, olivina, peridoto, sodalita, turmalina azul, melânica, e turquesa (2001, p. 194). A languidez da água marinha também pode ser aproveitada.

Como é um dia "brando”, a idéia de egrégora a partir do panteão celtibero estaria dividida entre Branwen, Rhianon e Brighit, do lado feminino, bem como Mabon, Lugh e Angus no masculino, se for trabalhada polaridade.

O dia de Saturno, já que Saturday marca bem tal destinação, o sábado é destinado à apuração refletiva de responsabilidades, lembrando apenas o que Saturno marca em termos de postura planetária.

Assim sendo, um dia interessante, ao meu ver, para feitiços de estabilização, calma e cautela, bem como, claro, todo e qualquer tipo de necessidade de restrição ou limitação. Quando quero “aterrar” determinada situação, uso o dia de sábado para isso.

Ademais, as capacidades contemplativa e meditativa também podem estar relacionadas ao dia, já que a apuração de responsabilidade marca, sobremaneira, a senda do autoconhecimento. É um dia austero, que marca a prudência em relação aquilo que se persegue ou é buscado.

Domínio da terra, já que, por óbvio, a Terra é o depositório pulsante de tudo aquilo que Nela repousa. A austeridade da cor preta, marcando a absorção de tudo, numa postura meditativa, aliada ao sempre presente contraponto que o branco faz são opções para tarefas que utilizam esse dia.

Já que estamos falando de meditação e auto-referência como vias de alcance austero do que se pretende estabilizar, interessante fazer menção ao sândalo, a mirra, o almíscar, a papoula.

Uma vez que o preto é a matiz representativa do dia de sábado, sugiro trabalhar com o ônix, a obsidiana, chumbo ou a turmalina negra – aliás, tenho uma em meu ambiente de trabalho. Cunningham traz uma lista mais completa, para abranger alúmen, azeviche, carvão, hematita, jaspe castanho, sal, serpentina. Deusas relacionadas a esse dia são, de um lado, Cerridwen e Morrighu e, de outro, Llyr, Gwyn.

Bom, fiz um apanhado relacionado ao dia da semana, de acordo com a disposição cíclica do calendário gregoriano, mas nada impede que se trabalhe, em termos de conexão astrológica, com outros astros, a exemplo de Netuno, que envolve a egrégora do elemento água (madrepérola, água marinha, turquesa e ametista como sugestões), além de Plutão, o implosivo, que agrega o coral escuro – negro – a obsidiana e o azeviche.

Acho que essa pequena lista pessoal está num bom começo para que possamos conversar sobre os bruxedos celtíberos... O mais importante é deixar a intuição falar mais alto dentro do coração, a verdadeira morada da magia em cada um de nós, lembrando sempre: sem prejudicar ninguém, faça o que deseja, pois em três vezes três, o que é seu vai se realizar! Hey ho!

Por Audrey Donelle Errin
Pesquisadora do Sagrado Feminino, dentro do foco celtíbero.

Sagrados Segredos da Terra:
http://www.sagradosegredosdaterra.blogspot.com

E-mail:
adlvmiranda@yahoo.com.br

Para ler os artigos de Audrey Donelle Errin, clique aqui.


[1] Aliás, uma referência de perda de conexão entre o homem e a natureza é expressa pelo próprio Jung, ao mencionar que “acabou-se o seu contato com a natureza, e com ele foi-se também a profunda energia emocional que esta conexão simbólica alimentava”. (1977, p. 95). Essa perda da ligação essencial poderia ser atribuída, em escala de proporcionalidade, ao incremento da racionalidade derivada de um sentido meramente científico, destinado a demonstrações irrefutáveis e absolutas, num Universo que, irônica e surpreendentemente, não se submete ao alvedrio humano, constituindo um vasto manancial de descobertas.
[2] Uma referência sobre a importância dos trabalhos de Jung no campo mágico é feita por Susan Greenwood, no Manual enciclopédico de magia e feitiçaria (Lisboa, Editoria Estampa, 1999).
[3] Já ouvi, tanto em covens, como por parte de solitários, referências à roda do norte seguida no sul, em virtude de “respeito à tradição”. Faz sentido, na medida em que estão sendo ajustadas egrégoras, de modo a uniformizar vontade, necessidade e direcionamento de propósitos, de maneira a todos estarem praticando de acordo com a mesma vibração, alinhando, assim, quem está conectado a tal orientação. Por outro lado, entendo que tal percepção não leva em conta a observância dos ciclos em cada ponto do planeta, de acordo com o ritmo com que a Natureza flui em sua roda. Por isso prestigio mais o giro pela roda do sul.
[4] Interessante esse ponto, porque respeita a sazonalidade de cada parte do globo. Aqui onde moro, por exemplo, existem duas estações bem definidas: a seca, com o clima seco de cerrado, e a chuva, que devolve o colorido, a umidade e o verde da cidade. Aplicando o direcionamento de início e fim de ciclo, vem o ritmo vida-morte-vida a partir da revitalização do cerrado após as chuvas. Como falar, então, em celebração de acordo com outro ciclo que não o que a Natureza está a apontar?
[5] Há autores que associam astrologicamante o domingo ao signo de Leão, com a influência energética de Áries (Marte). Aprecio o estudo integrado da bruxaria às expressões astrológicas, e não apenas a percepção da Lua como único foco de atenção. Assim sendo, ao considerar área de influência de Áries, poderiam ser citados a hematita, o rubi, a granada, o aço e o ferro. Em relação à hematita, granada, rubi, ferro e ao aço, são metais diretamente relacionados a Marte, cujo dia é terça-feira. Mas, como existe uma zona de interconexão entre tais astros, interessante a listagem, em termos de utilização acessória de elementos que sejam comuns. Como sugestão, interessante a leitura de Laurie Cabot, pois a tabela de correspondência que ela faz é bem detalhada neste sentido de implicações mútuas entre astros.
[6] Domínio de Câncer, relacionado à Lua.
[7] Domínio de Áries, como também influenciado por escorpião.
[8] Sobre Dion Fortune, vale a pena o breve a que faz menção Greenwood em seu livro. Tida como uma precursora da tradição ocidental – ao contrário de outros ocultistas, que buscavam fonte no Oriente – Deo non fortuna (seu nome mágico) nasceu a 06 de dezembro de 1890, trazendo inspiração para o reforço ao cristianismo místico, revitalizando as práticas mágicas, a partir do equilíbrio entre o feminino e o masculino.
[9] No livro titulado Autodefesa psíquica, Dion Fortune afirma que “somos protegidos por nossa própria incapacidade de perceber forças invisíveis” (2005, p. 22), fazendo com que repensemos a condução de nosso caminho em relação a questões interessantes, como ataques psíquicos, drenagem, usurpação, livre arbítrio e manipulação leviana de forças, aliados à lei de retorno.
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