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O Bom Velhinho Celta!

Enviado em 08/12/2007 (5983 leituras)

Do Rei do Inverno ao Papai Noel!

Algumas tribos celtas nutriam a crença de que no tempo do Festejo de Inverno surgia a exótica figura de um ser sobrenatural descrito como um homem de idade bem avançada, munido de um grande cajado de carvalho, expressando em seu rosto sempre um ar bonachão que vinha emoldurado com vasta barba e cabelos tão brancos como a neve que chegavam até o chão e confundiam-se com suas vestes com ares meio espectrais que tinha o poder mágico de entrar nas casas sem ser visto ou ouvido, onde chegava para dar presentes para as crianças.

Ledo engano se você pensou que estou falando no Papai Noel, não na verdade quem eu estou descrevendo é um personagem chamado pelos celtas como o "Rei do Inverno" que se fazia presente por ocasião da chegada do Inverno.

Em verdade não só os celtas, mas também outros povos contemporâneos a sua época celebravam aquilo que o Festejo de Inverno representava ritualisticamente a saber, a chegada do solstício de inverno no Hemisfério Norte. Deste modo, tinhamos além da céltica comemoração do Inverno, o ´´Natalis Solis Invicti´´ (Nascimento do Sol Invencível) dos mitraístas, a Saturnalia pelos romanos e assim por diante.

O Natal sendo criado como uma "tradição cristã"

Pode parecer bizarro só que o fato inconteste é que o Natal até os meados do século IV d.C não era celebrado entre cristãos quando na época o Papa Júlio I (337 / 352) fixou a data como sendo do nascimento de Jesus Cristo (que segundo evidências bíblicas mais provavelmente teria nascido em Outubro), justamente para solapar antigos costumes pagãos voltadas a celebração do solstício invernal na europa.

De outro lado, não deixa de ser importante frisar que, no papado de Júlio I teve especial preocupação tanto em dar combate ao arianismo que como doutrina negava a natureza divina de Jesus Cristo bem como também reivindicava a primazia sobre as igrejas cristãs de rito oriental, isto é, de certa forma foi um lance político de mestre vincular a data de 25/12 tanto a figura de São Nicolau (falecido ainda no ano de 342 d.C) que vinha de terras orientais e era ardoroso crítico as teses arianas quanto firmar a celebração de Jesus Cristo entre populações pagãs.

Passaram os séculos e por obra e graça deste forçado sincretismo religioso de costumes pagãos com o cristianismo criado lá a partir do século IV d.C por obra e graça do Papa Júlio I deram base ao que hoje é conhecido como "Natal" com o "Rei do Inverno" e outros tantos personagens pagãos similares tomando a forma do "Papai Noel" e o banquete realizado ritualisticamente pela chegada do inverno se transformando na ceia tradicional natalina.

De festa religiosa para grande evento comercial

São poucos os que conhecem a origem verdadeira do Natal e mesmo recordam remotamente de seu sentido cristianizado, passando esta data a figurar como uma forma a mais de alavancar as vendas no comércio de grande magazines em favor de conquistar enormes lucros e a ser encarado pela grande maioria com mais um feriado entre tantos que apenas se distingue dos demais pelo consumismo desenfreado e figurando como outra oportunidade de se empanturrar de comida que fará mal a sua saúde enquanto enche a cara até cair bêbado.

Assim, no lugar de um data de fraternidade surge como um tempo em que preferencialmente ocorrem casos gravissimos de violência doméstica, acidentes de trânsito por embriaguez irresponsável de alguns motoristas, internações inesperadas em hospitais e tudo mais de pior.

Por outro lado, crianças e adolescentes impulsionados pela mídia exigem cada vez mais de seu pais, só que não carinho e amor filial como deveria se esperar e no lugar aproveitam a data para pedirem de maneira canhestra e chantagista por presentes caros onde ficam estampados marcas consideradas da "última moda" quando não revelam ser produtos tanto inúteis quanto de gosto duvidoso.

Tanto pior para os países do sul do Equador que incorporam hábitos alimentares ligados ao Natal que nada condizem com período da estação em que vivem, isto é, se bem chega o solstício de inverno pelo hemisfério norte pelo sul surge o solsticio do verão trazendo consigo dias de temperatura elevada e propenso para comidas leves e não algo tão gordurento como um "peru" assado, comer frutas tão calóricas como castanhas ou beber bebidas tão "quentes" como vinho tinto!

Vira a época do Natal, sem falso exagero, como uma porta aberta para o desenvolvimento de futuras cardiopatias, hipertensão, colesterol alto e tudo mais de pior para saúde. Pior ainda que gastando os olhos da cara, já que tudo ou quase tudo de uma ceia natalina é importado!

Agora, acusam que ser contra a celebração do Natal é ser anti-cristão, porém, a questão é que nada de cristão existe na raiz das tradições natalinas e nem o que há em vigor hoje em dia no Natal passa perto do que pregou Jesus Cristo em seus ensinamentos!

Se eu posso dar conselhos diria que aos cristãos aproveitassem esta data para refletirem e voltassem pensar no que REALMENTE significa ser cristão bem como também aos pagãos alertaria sobre o que tem de ser resgatado a respeito desta data que possa contribuir para construção de uma sociedade mais sadia e fraterna.

Leia também: Sugestão para celebrar o Solstício de Inverno

Por Ioldanach
Ioldanach se define como auto-didata e celtista amador que tem como linha de pesquisa tratar o assunto de maneira objetiva e da forma mais científica possível.

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