Pesquisa
Menu Principal
LIVRO

BRUMAS DO TEMPO
Poesias, pensamento e ritos druídicos - livro na versão impresso ou e-book.

Informações: clique aqui.
Links

Agradecimentos:
Aon Celtic Art
Licença Creative Commons

SmartSection is developed by The SmartFactory (http://www.smartfactory.ca), a division of INBOX Solutions (http://inboxinternational.com)

Publicado por Rowena em 09/3/2012 (2058 leituras)

Histórias são reminiscências da humanidade, narrações de fatos que atravessaram o tempo. Algumas registradas por mãos hábeis, outras preservadas somente por antigos bardos.

"Era durante as festas que os mitos e as lendas da sociedade céltica eram retransmitidos por poetas profissionais chamados de bardos; estas primeiras expressões da cultura céltica não sobreviveram, pela simples razão de que os bardos, na tradição oral, confiavam na memória para manter a sua filosofia religiosa druídica. Os bardos cantavam os grandes feitos de homens famosos, reis e heróis, em versos épicos, acompanhados pelos sons melodiosos da lira. A música original e grande parte da poesia épica desapareceram quando os mitos foram registrados pelos cristãos. Contudo, algumas das histórias sobreviveram e constituem a substância da literatura celta, a que chamamos de mitologia céltica." - descrito no livro "Introdução à Mitologia Céltica" de David Belligham.

Como vimos, os celtas não escreveram suas histórias, deixaram apenas ensinamentos orais que, posteriormente, foram registrados por historiadores greco-romanos e, mais tarde, por monges copistas. Júlio César em De Bello Gallico, relata que os povos que hoje consideramos como celtas nunca se descreveram como tal, pois o termo "celta" é uma designação recente, datado a partir do século XVIII. Então, podemos dizer que a maioria dos textos que conhecemos atualmente tiveram a interpretação dos povos vencedores e da própria igreja, entre outros interesses.

Além disso, devemos ter o cuidado de não olharmos para os povos celtas, apenas de forma nostálgica e romanceada, como aconteceu com o aparecimento do movimento "Crepúsculo Celta" no final do século XIX e que continua, até os dias de hoje, influenciando a nossa percepção em relação a eles.

Apesar de todo o encantamento que suas lendas nos despertam, é inegável a emoção que essas histórias nos trazem, que vão desde o folclore até os achados arqueológicos e que nos ensinam muito sobre essa maravilhosa cultura. Enfim, por uma razão que não sei explicar ao certo, resta-nos apenas resgatar o conhecimento que nos foi deixado, tanto ancestral, como os que foram traduzidos graficamente através do tempo, por meio dos contos e mitos celtas.

Finalizo com uma pequena história de um autor irlandês anônimo, do século XIV ou XV, que faz referências a cor púrpura ou roxa, e amarela (tal como as cores do nosso site), uma analogia ao Outro Mundo como indicativo de realeza (divindade) e sabedoria ancestral. A seguir:

"A tempestade passara e o ventou soprava agora suavemente; os guerreiros do mar içaram a vela e o barco verteu menos água. O vasto oceano amainou, as ondas serenaram e tudo ficou resplandecente e calmo. Aves de diferentes espécies, nunca antes vistas, enchiam de sons o arredor. À frente deles apareceu uma terra de forma graciosa e praias agradáveis; ao avistá-la, os marinheiros rejubilaram. Aproximaram-se e entraram num belo estuário com verdes colinas sobranceiras às praias de seixos prateados, em cujas águas cintilavam a esplêndida e forte cor púrpura do gracioso salmão; lançaram o olhar à volta e ficaram encantados com os belos cursos de água que serpenteavam através das florestas tingidas de púrpura.

Tadhg, o príncipe irlandês de Munster, de pé na proa da embarcação, dirigiu-se aos seus homens: - "Essa seguramente é a ilha dos nossos sonhos, meus guerreiros; abençoadamente terá frutos e todas as coisas mais adoráveis; vamos fazer-nos à praia, por o barco em terra e dar-lhe o tempo suficiente para secar depois de fustigado pela tempestade."

Vinte corpulentos guerreiros, comandados por Tadhg, seguiram em frente, deixando vinte para trás, a guardar o barco; e o espantoso era que, tendo embora suportado o vento e a chuva forte e os limites do frio e da fome, não sentiam vontade de comer, nem necessidade de fogueira neste calmo lugar. Era bastante e mais que suficiente respirar o incenso das árvores, esplendorosas e rodeadas de flores purpúreas. Tadhg conduziu-os para floresta ao lado do caminho e se encontraram num pomar de magníficas macieiras raiadas de púrpuras e de carvalhos com folhas de matizes encantadores e de aveleiras repletas de avelãs de um amarelo resplandecente. - "Que coisa maravilhosa me ocorreu", disse Tadhg aos seus guerreiros. "Temos o inverno em casa, enquanto aqui reina o verão."

Na verdade, não tinha fim os lugares maravilhosos que iam descobrindo naquela terra. Deixando o pomar, chegaram a um bosque sem sombras, onde viram bagas redondas cor de púrpuras, do tamanho de cabeça de homens, que desprendiam maravilhosas fragrâncias; e as aves que se alimentavam das bagas surpreenderam os homens; que tiveram de olhar de novo, pois eram brancas com cabeças púrpuras e os bicos dourados. Entoavam cantigas de menestréis, enquanto comiam as bagas à vontade, sendo a sua música lamentosa e, no entanto, tão tranquilizante, que podiam levar guerreiros feridos a adormecer suavemente."

Bênçãos do Céu, da Terra e do Mar!



Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

Website:
www.templodeavalon.com
Brumas do Tempo:
www.brumasdotempo.blogspot.com
Três Reinos Celtas:
www.tresreinosceltas.blogspot.com
E-mail:
rowena@templodeavalon.com

Veja em artigo em formato PDF Imprimir artigo Enviar artigo
0 Comentário(s)

Direitos Autorais

A violação de direitos autorais é crime: Lei Federal n° 9.610, de 19.02.98. Todos os direitos reservados ao site Templo de Avalon e seus respectivos autores. Ao compartilhar um artigo, cite a fonte e o autor. Referências bibliográficas e endereços de sites, usados na pesquisa dos artigos, clique aqui.


Navegue pelos artigos
Artigo prévio Próximo artigo
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.


Go raibh maith agat... Obrigado!