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20° Dia: Oração

Publicado por Rowena em 15/3/2012 (2980 leituras)

Uma meditação poética, uma poesia ao meditar... A oração é uma forma de gratidão em ação!

Práticas de oração e devoção são essenciais à vida espiritual druídica. Recitadas em voz alta ou silenciosamente, a oração flui através de uma conversa sincera com os Deuses, que também pode ser aos ancestrais ou aos espíritos da terra, para agradecer as bênçãos do dia, o alimento sagrado ou a força para enfrentamos à jornada.

A vibração da palavra entoada, tal como um mantra, cria uma forte energia de comunhão com o divino, emitindo irradiações de amor e reciprocidade entre os mundos, ao ponto de despertar a consciência para a grandiosidade do cosmo em nós, tal como uma pedra ao ser atirada nas águas calmas de um lago, criando ondulações que vão aumentando gradativamente em torno do centro. Assim funciona a oração, ao romper as barreiras do imaginável.

A oração também pode ser direcionada aos Deuses patronos de afinidade, conforme nossas necessidades que mudam com o passar do tempo ou aos Deuses regentes da estação. As orações não precisam ser limitadas, cada um de nós é livre para criá-las, seja durante as práticas diárias ou nas celebrações do ano.

Geralmente, pensamos que orar não é apenas um ato de agradecer, mas uma troca com as divindades, que além de expressar o sentimento de gratidão, também nos ajuda a manter o equilíbrio físico, mental e espiritual. Podemos proferi-las também em suas línguas de origem, mantendo a força da vibração da palavra original como acontece, por exemplo, no Budismo ou no Reconstrucionismo Celta, que busca resgatar as línguas celtas, e até mesmo buscar fontes, por exemplo, nos textos do Carmina Gadelica ou compor uma oração através da sua própria inspiração.

Particularmente, adoro o gaélico, apesar de ainda estar longe de conseguir recitar alguma oração completa nessa língua, mas ainda chego lá! Por enquanto, faço meus agradecimentos de forma espontânea, que em comum com o Endovelicon, utilizo a oração Altú Págánach (Bênção Pagã), só que na versão traduzida:

"Na presença do meu povo,
Desde o começo da vida,
Na visão dos Deuses
E dos não-deuses,
Em homenagem à imensa
Generosidade do universo,
Eu agradeço a minha parte."

Outro ponto que acho importante citar é a mania que as pessoas têm de querer rezar para alguém. Isso é algo bem delicado e acaba criando a imagem de que a outra pessoa é fraca ou incapaz de rezar por si só, fazendo-a parecer um mero coitadinho, além de entrarmos naquele velho campo da dualidade, entre o "bem e o mal", que não existe na nossa percepção, pois o que pode ser bom para um, não é necessariamente para o outro. Mas isso não significa que você não pode mandar vibrações à outra pessoa, quando necessário e se for do agrado dela.

Então, pratiquem e façam suas orações do coração e se expressem livremente em voz alta, mas como diz a minha mãe: rezem só não gritem, pois os Deuses não são surdos! - (risos).



Rowena Arnehoy Seneween ®
Pesquisadora da Cultura Celta e do Druidismo.

Website:
www.templodeavalon.com
Brumas do Tempo:
www.brumasdotempo.blogspot.com
Três Reinos Celtas:
www.tresreinosceltas.blogspot.com
E-mail:
rowena@templodeavalon.com

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